Psicologia: de ciência da alma para ciência do comportamento

Psicologia: de ciência da alma para ciência do comportamento

Maio 30, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Psicologia: de ciência da alma para ciência do comportamento

Hoje em dia, quando falamos de psicologia, estamos falando da ciência do comportamento. Se analisarmos, no entanto, a origem da palavra psicologia, na verdade ela quer dizer ciência da alma. Nesse artigo vamos explorar como o conceito de psicologia evoluiu ao longo dos séculos até que chegar à concepção atual de estudo do comportamento.

O conceito e o objeto da psicologia já mudaram muito ao longo da história. Essa mudança gerou também outras mudanças, como a metodologia utilizada e até mesmo a relação entre o especialista e o cliente ou paciente. A diversidade de enfoques, orientações, correntes e interpretações da psicologia enquanto ciência fizeram com que a definição e o foco de estudo mudassem e evoluíssem ao longo do tempo.

Ainda que a disciplina acadêmica e a clínica da psicologia tenham se convertido em um campo muito orientado para os transtornos e patologias, e portanto também bastante medicalizado, durante muitos séculos o estudo da nossa vida mental era o estudo da nossa alma, nosso ser ou essência mais profunda do homem.

A psicologia é muito mais do que a ciência do comportamento.
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Psicologia: de ciência da alma para ciência da vida mental

O termo psicologia vem das palavras gregas psyché, que significa alma, no sentido clássico de “a vida que há no corpo”, e logos, que quer dizer ciência ou tratado. Ou seja, etimologicamente, psicologia é a ciência da alma.

Cérebro criativo

A psicologia como uma ciência sobre a alma humana existe desde que a humanidade começou a fazer meta-perguntas, ou seja, perguntas sobre si mesma e sobre sua própria vida mental. Nesse sentido, inicialmente a história da psicologia se dá apenas olhando para dentro. Quando a psicologia, no entanto, passou a buscar técnicas mais experimentais e consagradas da ciência, metodologias diferentes da pura introspecção, houve uma separação definitiva entre alma e comportamento.

Foi assim que, no final do século XIX, a psicologia deixou de ser considerada uma ciência da alma, ou filosofia da mente, para ser considerada uma ciência da vida mental. Desse modo, a psicologia, antes preocupada com problemas espirituais, passou a se concentrar no estudo dos fenômenos empíricos da mente. É nessa época que surgem os primeiros laboratórios de estudo.

Foi nessa época que William James (1842-1910) definiu a psicologia como a ciência da vida mental, dos seus fenômenos e de seus condicionamentos. Esse ponto de vista da psicologia, interpretada como ciência da vida mental, focava principalmente as experiências internas da consciência. Ou seja, o conjunto de pensamentos, sentimentos e sensações humanas.

Psicologia: de ciência da vida mental para ciência do comportamento

Como já visto, desde o fim do século XIX a psicologia era vista como a ciência da vida mental. Os psicólogos buscavam informações baseando-se nas experiências conscientes de seus pacientes, e buscando relações destas com respostas que davam a diferentes estímulos apresentados.

Mas na primeira metade do século XX o conceito de psicologia sofreu uma nova transformação. A partir de então a psicologia passou a ser considerada a ciência do comportamento. A mudança ocorreu por influência de psicólogos comportamentais da época, que diziam que a única característica observável da vida mental humana era o modo como os estímulos externos afetavam os comportamentos emitidos. Enquanto isso as sensações, os pensamentos e os sentimentos não são observáveis, e por isso dificilmente seriam reconhecidos como ciência.

Volta às origens: a psicologia como ciência do comportamento

Na década de 60, no entanto, a psicologia voltou a incluir em seus estudos os processos inconscientes e também os processos conscientes. Foi aí que a psicologia cognitiva começou a estudar o modo como a mente processa a informação. Com esse novo fato, houve uma nova redefinição da psicologia como ciência do comportamento e também dos processos mentais. Apareceram os primeiros modelos de processamento da informação.

Engrenagens do cérebro

Nesse ponto cabe destacar que o comportamento pode ser dividido em componentes observáveis e não observáveis. Na linguagem coloquial o termo pode fazer referência a qualquer parte do comportamento, mas há uma diferença. O comportamento observável são as ações que realizamos no mundo. É exterior ao corpo. Mas há outra dimensão, íntima e privada, nossas motivações e processos internos que levam ao comportamento. Muitas vezes nos referimos a esse componente interior como elementos da consciência.

A definição mais atual da psicologia

Dizer que a psicologia atual é a ciência do comportamento e dos processos mentais é uma definição correta, mas ela pode ser ainda mais completa. A psicologia atual vai muito além disso, já que busca explicar como sentimos, como percebemos, como aprendemos, como nos comunicamos, como resolvemos problemas, entre diversos outros processos. Por outro lado, a influência social e os grupos dos quais fazemos parte também têm ganhado um espaço maior entre os temas de estudo da psicologia.

Atualmente, a psicologia enquanto ciência pretende explicar, medir e entender a natureza da personalidade, da motivação, da inteligência ou dos diferentes transtornos, tanto emocionais quando mentais, que podem afetar o ser humano. Também são estudados pela psicologia os problemas tanto pessoais quanto sociais, assim como as diferenças entre os grupos e entre os próprios indivíduos.

É por isso que hoje em dia a definição da psicologia como ciência é muito mais ampla, pois o objeto de estudo também teve seus limites revistos. Dessa forma, podemos dizer que a psicologia atual é a ciência que estuda o comportamento dos indivíduos e seus processo mentais, incluindo os processos internos dos homens e as influências que são produzidas no seu contexto físico e social.

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