Como a psicologia explica os comportamentos agressivos?

· novembro 1, 2018

A agressividade está presente todos os dias à nossa volta. Nós a encontramos nas notícias, nas ruas e nas redes sociais. Parece ser uma tendência natural do ser humano, de maneira que, em maior ou menor grau, estaria em todas as pessoas. Os comportamentos agressivos se manifestam de várias formas e há teorias que ressaltam seu valor adaptativo para nossa sobrevivência como espécie.

A psicologia dedicou muito tempo e trabalho ao estudo dos comportamentos agressivos, suas causas, seus processos e suas consequências. Existem comportamentos agressivos encobertos ou explícitos, diretos ou indiretos, de palavra ou de ato, física ou verbal, psicológica ou relacional.

Comportamentos agressivos: hostil ou instrumental

Em linhas gerais, podemos falar de dois tipos de comportamentos agressivos. A agressão hostil e a agressão instrumental ou predadora. Elas se diferenciam, principalmente, por sua motivação.

Têm antecedentes distintos, preveem problemas distintos e estão associadas com processos cognitivos e emocionais distintos.

  • Agressão hostil. É uma agressão impulsiva, com a finalidade de fazer mal. Tem uma forte carga emocional. É uma agressão reativa.
  • Agressão instrumental ou predadora. É premeditada e fria. O objetivo principal não é fazer mal. Apesar de prejudicar, esconde por trás outros interesses. Pode se orientar por um roubo ou pela obtenção de poder. É uma agressão planejada, seja por vingança ou interesse.
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Biologia dos comportamentos agressivos

Não parece existir uma correlação direta entre genética e comportamentos agressivos. Na verdade, seria mais uma interação entre fatores biológicos e ambientais o que nos torna mais propensos à agressividade. Por outro lado, devemos pensar que a agressão entre seres humanos é muito controlada socialmente.

Diferentes tipos de comportamentos agressivos parecem ter origem em diferentes áreas cerebrais. A amígdala, a formação hipocampal, a área septal, o córtex pré-frontal e a circunvolução do cíngulo parecem moldar os comportamentos agressivos através das conexões com o hipotálamo medial e lateral (Haller 2014).

Foi descoberta uma diminuição da massa cinzenta em indivíduos especialmente agressivos. Também se propôs como estimulador dos comportamentos agressivos a combinação de altos níveis de testosterona e baixos níveis de cortisol.

Os níveis de serotonina também têm um papel importante no comportamento agressivo, em sua manifestação e em seu controle.

Impulso inato ou comportamento aprendido

Existe a teoria neoassociacionista, desenvolvida, a partir dos trabalhos de Freud, por Berkowitz, que considera que o impulso agressivo é ativado quando o indivíduo é impedido de alcançar uma meta desejada. Isso leva a um estado afetivo negativo, que é o que originaria o comportamento agressivo no indivíduo.

Temos também a teoria da aprendizagem social de Bandura, que propõe que são as influências externas que estimulam os comportamentos agressivos e se integram em nosso repertório comportamental por imitação.

Ou seja, adquirimos o comportamento observando outras pessoas se comportarem agressivamente. Isso acontece especialmente se a pessoa observada goza da simpatia de quem aprende e a considera como um semelhante. Também se quem observa percebe que obtém algum benefício com o comportamento agressivo.

Essas são, basicamente, as duas perspectivas das quais partem Anderson e Bushman, que propuseram uma integração de ambos os modelos. Esta terceira teoria leva em consideração fatores biológicos, ambientais, psicológicos e sociais para explicar o comportamento agressivo.

A agressividade ocorre devido a uma interação das características pessoais do indivíduo com os estímulos externos que ativam um conjunto de processos cognitivos e emocionais.

Comportamentos agressivos

Fatores que antecipam ou intervêm nos comportamentos agressivos

Entre os fatores que antecipam ou intervêm nos comportamentos agressivos podemos destacar, entre outros, os instigadores sociais, os não sociais e os fatores internos do indivíduo. Os instigadores sociais incluem gatilhos como, por exemplo, a provocação, a percepção de ser tratado de maneira injusta ou a rejeição social.

Entre os instigadores não sociais estão os focos agressivos (imagens ou objetos presentes na situação que ativam pensamentos agressivos). Seria o caso da presença de armas em uma situação.

Por outro lado, encontramos estressores ambientais, como, por exemplo, o calor, a superpopulação ou os ruídos fortes que, frequentemente, agem como gatilhos para os comportamentos agressivos.

Também fatores cognitivos que intervêm nos comportamentos agressivos. Estes seriam os pensamentos negativos recorrentes, a desconexão moral ou a ativação de scripts ou roteiros (esquemas que representam situações que orientam o comportamento agressivo).

Esses scripts são depósitos de memórias de experiências e situações que são recuperadas com facilidade. Além disso, também armazenam crenças sobre como deve ser o comportamento normal em determinadas circunstâncias.