Quando as emoções transbordam: o que você pode fazer? 

· novembro 21, 2018

No momento em que você notar que as emoções transbordam, pare e respire fundo. Todos nós já tivemos essa sensação durante alguma discussão ou quando a ansiedade tomou o controle de alguma situação e nos fez prisioneiros.

Estes sequestros emocionais são devastadores. No entanto, sempre temos ao nosso alcance ferramentas para não perder o controle.

É possível que este tipo de realidade não seja tão conhecida. Há quem seja mais vulnerável às inundações emocionais. Outros, pelo contrário, têm um controle maior graças ao fato de saberem lidar com cada uma dessas “ameaças emocionais”, como quem engole à força uma porção de comida sem mastigá-la antes. No entanto, nenhuma das duas estratégias costuma obter os melhores resultados.

“O cérebro emocional responde a um evento mais rapidamente do que o cérebro pensante.”
-Daniel Goleman- 

A impressão destes universos emocionais complexos vai continuar presente na superfície, roubando a nossa calma e o nosso equilíbrio. Assim, um fato comum na prática clínica é ver como os pacientes coincidem em suas queixas: “O problema com a minha ansiedade é terrível!“, “Eu não sei o que fazer com a minha raiva. Ela é mais forte do que eu!”, “Tenho problemas com as minhas emoções, não sei que o fazer para que elas me deixem viver”.

Esses tipos de declarações demonstram uma vez mais o viés que a população tem com respeito a este tema. Continuamos pensando que as emoções são ruins, que sentir angústia não tem nenhum propósito, que a vida sem a sombra do medo faria mais sentido. Esquecemos que estas dimensões sempre têm um propósito claro para a nossa subsistência e adaptação.

Conhecer, aceitar e saber lidar bem com as emoções, em vez de fugir delas ou negá-las, vai evitar que estas inundações emocionais sejam tão recorrentes.

O impacto das nossas emoções

Quando as emoções transbordam, olhe para o horizonte

Se as emoções, em algum momento, transbordarem, procure a linha do horizonte e observe-a por um instante. Deixe que o mundo continue com seu ruído e que a discussão do trabalho siga seu curso.

Permita que este estímulo que te assusta fique congelado no tempo, preso em uma dimensão inofensiva. Instale seu olhar nessa linha imaginária de paz e conceda ao seu organismo alguns segundos para regular a respiração, as batidas do coração, a tensão, etc.

Como ouvimos por aí, quando o caos reina, o melhor remédio é sempre a calma. Se dissemos isso, é por um fato muito concreto. Quando o ser humano experimenta uma inundação emocional, quem rege o mecanismo de pânico é a parte mais instintiva do cérebro; nestes instantes, tudo é caótico, desordenado e intenso.

Tanto é assim que, nessas situações, o córtex pré-frontal fica “desconectado”. É o córtex pré-frontal que cuida da nossa capacidade de análise, tomada de decisões e raciocínio lógico.

Vejamos a seguir como este complexo processo ocorre.

A amígdala e a viagem em direção ao medo e à raiva

Quando as emoções transbordam, você pode ir de uma sensação de calma ao pânico, à raiva ou ao medo em apenas cinco segundos. Como isso pode acontecer? Que mecanismo há em nosso interior que é capaz de tomar o controle de tudo? Todos nós já fizemos esta pergunta em algum momento de nossas vidas. A resposta para este questionamento pode ser ao mesmo tempo fascinante e inquietante: a responsável por tudo isso é a amígdala cerebral. 

Assim, como revelado por uma pesquisa realizada pela Universidade de Emory, em Atlanta, e publicada na revista Biological Psychiatry, a amígdala é quem modula todo o nosso comportamento associado ao medo, ao estresse e à agressividade.

Por exemplo, foi comprovado que esta pequena estrutura é quem coleta informações do nosso ambiente em relação às ameaças que nos cercam (sejam elas reais ou não). Também é ela que nos faz reagir com um objetivo muito específico: sobreviver.

Quando as emoções transbordam

Emoções não reguladas, emoções que transbordam

As pessoas que desenvolvem transtornos emocionais se caracterizam por não poderem ou não conseguirem regular suas emoções. Esta situação vai criando mais angústia com o tempo, até dar forma a um tipo de desamparo onde tudo escapa do controle.

Portanto, devemos ter isso em conta: as emoções que não regularmos hoje vão transbordar amanhã. Se essa situação se tornar crônica, podem aparecer condições como a ansiedade generalizada e a depressão.

Dessa forma, outro aspecto que devemos considerar é o seguinte: nestas situações, não adianta nada suprimir as emoções ou bloquear os pensamentos. A clássica ideia de “Não vou pensar no assunto e vou reprimir a raiva e a chateação…” está longe de nos ajudar. Essa ideia pode gerar mais bloqueios e problemas a curto e a longo prazo.

O que fazer quando as emoções transbordam?

Que estratégia é a mais adequada quando as emoções transbordam? Frequentemente, em qualquer contexto psicológico, fazemos uso da palavra “controle emocional”. Em vez de “controle”, seria mais justo fazer uso do termo “regulação”, pela flexibilidade e dinamismo que essa palavra nos transmite. 

Quando as emoções transbordarem, respire fundo várias vezes, sem pressa. Pouco a pouco, você tomará o controle do seu corpo até chegar a sua mente…

De alguma maneira, quem controla tende a incluir nessa ação uma mistura de força e domínio. Neste caso e no âmbito emocional, é preferível deixar de lado as resistências e optar pela aceitação, pela gestão, pela flexibilidade, pela transformação e pelo movimento.

Vejamos, portanto, quais estratégias deveríamos aplicar nestes casos.

  • Um estudo publicado na revista Frontiers in Psychology mostra que a regulação emocional não tem “tamanho único”. Ou seja, não há uma única estratégia que sirva para toda situação e circunstância. A ansiedade de enfrentar uma prova, uma discussão, de ter que aceitar um término ou até mesmo uma perda, fará com que tenhamos que colocar em prática estratégias de enfrentamento.
  • Por outro lado, as emoções sempre estão presentes por um motivo, e devemos nos perguntar o que elas esperam de nós. Por isso, levantar o olhar para o horizonte sempre é uma estratégia útil frente ao estado de alarme. Isso serve para entrar em nosso ambiente mental e nos encontrarmos com nós mesmos. Uma vez lá dentro, podemos perguntar a nós mesmos o que está acontecendo e o porquê disso.
  • Além disso, precisamos apontar outro fator relevante. A amígdala cerebral é uma sentinela que, na maioria dos casos, decide mobilizar o medo ou a raiva antes que sequer permitamos isso. Ela age por instinto, e não por lógica. Quando faz isso, toma o controle do nosso corpo e desencadeia toda uma sintomatologia que já conhecemos: taquicardia, enjôos, sudorese, etc.
Lidar com as emoções

Quando as emoções transbordam, pouco adianta dizermos a nós mesmos: “Calma, está tudo bem!”. Afinal, para o nosso organismo e para o nosso cérebro, “Algo está acontecendo!”.

Portanto, quando isso acontecer, o mais adequado é acalmar o próprio corpo através da respiração profunda. Respirar fundo e expirar vai nos ajudar a regular o coração, a acabar com as tensões musculares, etc. Quando o corpo finalmente se equilibrar, podemos convidar a nossa mente e conversar com ela. 

Vamos colocar isso em prática.