"Querida menina do maiô verde", a carta que está comovendo a internet

“Querida menina do maiô verde”, a carta que está comovendo a internet

3, outubro 2016 em Psicologia 5524 Compartilhados
"Querida menina do maiô verde", a carta que está comovendo as redes

“Querida menina do maiô verde” é a carta viral que fala que não importa como somos. Não importa se nos caracterizamos por sermos pessoas espertas, criativas, inteligentes, cultas, carinhosas, perseverantes ou trabalhadoras. É mais importante estar bonita, ativa e moderna.

Por isso nos escondemos. Por isso escondemos as nossas marcas de vida, nossas estrias, nossos quilos a mais e nossos quilos a menos. Por isso usamos discretamente nossa camiseta e procuramos nos ver mais “bonitas” e photoshopar a nossa realidade.

Isso foi refletido com perfeição por Jessica Gómez na sua carta “Querida menina do maiô verde”, texto que trouxemos para este espaço para convidá-la a refletir e ser a sua voz interior saudável e a dos seus filhos.

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A carta viral: “Querida menina do maiô verde”

Querida menina do maiô verde:

Sou a mulher que está na toalha ao lado. A que veio com um menino e uma menina.

Antes de mais nada, quero lhe dizer que estou me divertindo muito perto de você e do seu grupo de amigos, neste pedacinho de tempo em que os nossos espaços se tocam e suas risadas, sua conversa ‘transcendental’ e a música da sua turma me invadem o ar.

Sabe de uma coisa? Fiquei meio atordoada ao perceber que não sei em que momento da minha vida eu deixei de estar aí para estar aqui: deixei de ser a menina para ser “a senhora do lado”, deixei de ser a que vai com os amigos para ser a que vai com as crianças.

Mas não lhe escrevo por nada disso. Escrevo porque gostaria de dizer que prestei atenção em você. Eu vi você e não pude evitar.

Vi que você foi a última a ficar só te traje de banho. Vi você ficar atrás de todo o grupo, discretamente, e tirar a camiseta quando acreditava que ninguém estava olhando. Mas eu estava. Não estava olhando para você, mas a vi.

Vi você se sentar na toalha em uma postura cuidadosa, tapando o ventre com os braços.

Vi você colocar o cabelo atrás da orelha inclinando a cabeça para alcançá-la, talvez para não tirar os braços da sua estudadíssima posição casual.

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Vi você se levantar para ir dar um mergulho e engolir em seco, nervosa por ter que estar assim, de pé, exposta, esperando sua amiga, e usar uma vez mais os seus braços como proteção para cobrir as estrias, a flacidez, a celulite.

Vi você agoniada por não conseguir tapar tudo ao mesmo tempo enquanto ia se afastando do grupo tão discretamente como tinha feito antes para tirar a camiseta.

Não sei se tinha algo a ver, em sua insatisfação consigo mesma, o fato da amiga por quem você esperava ter soltado a longuíssima cabeleira sobre umas costas em que só faltavam as asas da Victoria’s Secret. E enquanto isso você ali, olhando para o chão. Procurando um esconderijo em si mesma, de si mesma.

E eu gostaria de poder lhe dizer tantas coisas, querida menina do maiô verde… Talvez porque eu, antes de ser a mulher que vem com as crianças, já estive aí, na sua toalha.

Eu gostaria de poder lhe dizer que, na verdade, já estive na sua toalha e na da sua amiga. Fui você e fui ela. E agora não sou nenhuma das duas – ou talvez ainda seja ambas – por isso, se pudesse voltar atrás, escolheria simplesmente curtir a vida ao invés de me preocupar – ou me vangloriar – por coisas como em qual das duas toalhas, a sua ou a dela, eu prefiro estar.

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Queria poder lhe dizer que você carrega um livro na bolsa, e que qualquer abdômen que agora tenha seus dezesseis anos provavelmente irá perder a firmeza muito antes de você perder o juízo.

Gostaria de poder lhe dizer que você tem um sorriso lindo e que é uma pena você estar tão ocupada em se esconder que não lhe sobre tempo para sorrir mais vezes.

Gostaria de poder lhe dizer que esse corpo do qual você parece se envergonhar é lindo simplesmente por ser jovem. É lindo simplesmente por estar vivo! Por ser invólucro e transporte de quem você realmente é e poder acompanhá-la em tudo o que você faz.
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Eu adoraria lhe dizer que gostaria que você se visse com os olhos de uma mulher de trinta e poucos anos, porque talvez assim percebesse o quanto merece ser amada, inclusive por si mesma.

Gostaria de poder lhe dizer que a pessoa que algum dia amá-la de verdade não irá amar a pessoa que você é apesar do seu corpo, e sim irá adorar o seu corpo: cada curva, cada buraquinho, cada linha, cada pinta. Adorará o mapa, único e precioso, que desenha em seu corpo, e se não o fizer, se não amar desse jeito, então ele não merece o seu amor.

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Eu gostaria de poder lhe dizer – e acredite, mas acredite mesmo – que você é perfeita do jeito que é: sublime na sua imperfeição.

Mas o que posso lhe dizer eu, que sou só a mulher do lado?

Sabe de uma coisa? Eu vim aqui com a minha filha. É aquela do maiô cor de rosa, a que está brincando no rio e se sujando de areia. A única preocupação dela hoje foi se a água estava muito fria.

Não posso lhe dizer nada, querida menina do maiô verde…

Mas vou dizer tudo, TUDO, a ela.

E direi tudo, TUDO, ao meu filho também.

Porque é assim que todos merecemos ser amados.

E é assim que todos deveríamos amar.

balao

Existe uma vida além do espelho e dos cremes anticelulite

O nosso bem-estar fica comprometido quando evitamos olhar para nós, explorar e reconhecer o nosso próprio corpo, a nossa figura de mulher. Não somos o que um creme anticelulite faz de nós, somos nós amando e conhecendo todos os cantos do nosso corpo, compreendendo a razão pela qual existe celulite aí ou porque nossos ovários estão em guerra.

Não estamos seguras com nós mesmas se cada vez que olharmos no espelho nos repreendermos por causa das coxas grossas, pelos pelos que se sobressaem, pela nossa falta de curvas, pela celulite ou pelas nossas rugas. Temos que criar um espaço interno seguro para o nosso corpo em vez de castigá-lo e humilhá-lo.

Nós somos muito mais do que acreditamos que somos. Nosso interior encerra em si muito mais do que o nosso intelecto pode compreender.
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