Afeto físico, algo fundalmental para crianças e adultos

A importância do afeto físico para crianças e adultos

setembro 16, 2016 em Psicologia 16 Compartilhados

Muitas vezes subestimamos a importância da interação física com as pessoas que amamos. Damos como certo que o contato físico não é necessário, o que faz com que no dia a dia nossa conexão com os outros se reduza a palavras e ao contato visual. E nem sequer tiramos todo o proveito possível do afeto físico.

Nossa necessidade de delimitar e proteger nossos limites pessoais a todo custo faz com que passemos a reduzir pouco a pouco a quantidade de afeto fisico que mostramos a sua mínima expressão, ao socialmente aceito, a um costume sem sentido que cada vez nos incomoda mais e mais ou que nos deixa vazios pela falta de autenticidade.

Ao tratar o contato físico dessa maneira estamos esquecendo o quão importante ele é para o bem-estar de nossa saúde física, emocional e mental. Tocar outra pessoa nos permite transmitir mensagens importantes que as palavras ou as ações por si mesmas não conseguem.

O afeto físico não é algo apenas para as crianças

Nas últimas décadas muito se falou e se pesquisou sobre a importância do afeto físico para o crescimento físico e emocional dos bebês e crianças. Diversos estudos e experimentos avaliaram a teoria de que as crianças precisam de contato e carinho para crescer e se desenvolver de forma saudável.

Mas a importância do afeto físico não é apenas uma necessidade vital para o desenvolvimento das crianças; também é para a adaptação das pessoas ao longo de toda a sua vida. As pessoas praticam o que se conhece como comportamento social favorável.

O comportamento social favorável é uma ação voluntária que beneficia a outra pessoa. Desde um ponto de vista evolutivo, ao participar de atos de confiança e cooperação os grupos sociais sobrevivem, atuando de maneiras altruístas mutualmente benéficas para todos, semeando assim a confiança entre si. Por isso o contato físico é uma parte vital desse processo de conduta social favorável.

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Diversos estudos demonstraram que a necessidade de contato pele a pele e o calor podem melhorar o aumento do peso nos bebês prematuros e o toque pode transmitir diversas emoções complexas, como a empatia e o agradecimento.

Também ficou comprovado que o simples fato de tocar alguém melhora o desenvolvimento cognitivo e emocional, incluindo a redução da suscetibilidade à depressão ou o retardamento do avanço da doença de Alzheimer. Ser tocado com afeto pode inclusive contribuir para o desenvolvimento de um sistema imunológico mais forte em todas as faixas etárias.

O contato físico com os filhos

Mostrar afeto físico para com os filhos é algo que geralmente costuma sair de dentro de forma natural, especialmente quando as crianças são pequenas. A natureza indefesa das crianças faz com que pais e familiares tenham o desejo de protegê-los, de abraçá-los.

É importante estar ciente das vezes em que podemos ter contato físico com as crianças através de movimentos como pegar suas mãos, acariciar seus cabelos, dar abraços e beijos. Isso não estragará as crianças, por mais que nos pareça, mas sim o contrário. Essa intimidade beneficia ambas as partes e fortalece a relação entre elas.

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Com o passar do tempo é fácil esquecer a importância e a necessidade desses gestos, mas as crianças seguem precisando desse contato. Ainda que pareçam recusá-lo, com certeza o apreciam. Talvez o necessitem de outra forma, menos infantil ou menos exaltado, talvez em particular e não na frente de todos.

O contato físico com o companheiro(a) e outros adultos

A intimidade física com seu companheiro e o afeto com os membros da família e amigos próximos também é algo de que temos que estar mais conscientes. Não se trata apenas de demonstrar o nível de comodidade que sentimos com as pessoas mais próximas, mas também de transmitir as emoções que  vão mais além do que se pode comunicar verbalmente.

Nossa saúde sexual é de suma importância, mas muitas culturas consideram um tabu determinados tipos de contato em algumas circunstâncias. Infelizmente, a ideia de que as relações sexuais e a conexão física são algo que deve ser praticado com o único propósito da procriação pode causar disfunção e dano. Isso impede o desenvolvimento natural do desejo sexual e a necessidade física da intimidade.

Nesse sentido, a pesquisa mostra que a expressão sexual consentida entre adultos tem muitos benefícios para a saúde. Experimentar prazer sexual através da conexão liberada e compartilhar a intimidade física é importante não apenas para nosso desenvolvimento emocional, mas também psicológico e físico.

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Não é preciso obrigar as crianças a manterem contato físico

Não se deve obrigar uma criança a abraçar ou beijar ninguém, ainda que seja um parente. Dessa maneira ensinamos que é importante manter sua propriedade física e sua autonomia, delimitar e fazer respeitar seus limites. Desse modo podemos educá-los para formar relações de confiança, onde o contato físico evolui com o consentimento mútuo e o afeto, no lugar de ser algo imposto.

Se obrigamos um criança a beijar ou receber beijos que não deseja, estamos tirando deles as armas para se defender de possíveis abusos sexuais por parte de um adulto, dando a entender que têm que ceder e fazer o que o outro pede. Além disso, estamos ensinando a mentir sobre seus sentimentos e os privamos da forma de expressar seu afeto em relação aos outros.

As crianças devem aprender sobre seu corpo assim que tenham capacidade de raciocinar sobre isso, que é antes do que os adultos costumam pensar. Temos a obrigação e a responsabilidade de ensinar autodeterminação física, facilitar seu cuidado físico e ajudar-lhes em sua transição rumo à independência. Por isso é crucial ensinar-lhes sobre seu corpo, sobre o que é apropriado e inapropriado.

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