Render-se pode ser um gesto de coragem, e não de covardia

Render-se pode ser um gesto de coragem, e não de covardia

março 10, 2017 em Emoções 0 Compartilhados
Render-se pode ser um gesto de coragem, e não de covardia

Às vezes, render-se não é sinal de covardia, mas sim de coragem. Considere que nem sempre a rendição significa falta de valentia, mas muito pelo contrário: é coragem, prudência, inteligência emocional. Não só isso, em algumas circunstâncias da vida a coragem necessária para colocar um ponto final é maior que a necessária para continuar com a mesma história.

Parar de colocar resistência pode ser uma boa solução e, às vezes, é a única saída que temos. E isso não significa se submeter a alguma coisa ou alguém, nem ficarmos sem força como diz o dicionário. Contudo, ceder diante de alguma adversidade costuma ser encarado pelos outros como uma atitude negativa que nos classifica como frágeis e covardes.

A covardia e a prudência são atitudes diferentes

Quase por inércia muitos de nós costumamos classificar, rotular e confundir atitudes que poderiam explicar uma mesma conduta. Este é o caso entre ser um covarde e o de ser prudente. Qualquer uma das duas atitudes poderia explicar o fato de alguém abandonar um projeto. Contudo, se nós estamos neste projeto será mais fácil explicar a sua partida por covardia para evitar uma dissonância cognitiva – uma falta de sincronia entre o que fazemos e o que pensamos – desconfortável para nós mesmos.

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Praticamente toda situação nova, responsabilidade ou mudança carrega um medo, menor ou maior, e todos sabemos desse medo quando estamos ali. Contudo, existem pessoas que acima desse medo julgam que continuar é uma opção ruim para elas, e por isso não são covardes. De fato, muitas vezes são corajosas porque para elas talvez fosse mais simples continuar, e o complicado era não fazer o que os outros esperavam.

“Aquele que é prudente é moderado; o que é moderado é constante; o que é constante é inabalável; o que é inabalável vive sem tristeza; o que vive sem tristeza é feliz; logo o prudente é feliz.”
-Séneca-

Covarde é aquele que se deixa levar pelo medo, aquele que não quer correr nenhum risco, o que ouvindo seu eu interior, o nega, o que aceita a infelicidade como preço pela comodidade, etc. Covarde não é quem retrocede, espera ou se rende em um dado momento da sua vida porque julga que essa é uma resposta inteligente para o seu bem-estar.

Render-se, às vezes, é sinal de prudência: considerando os possíveis riscos de continuar onde estamos e agindo então dessa forma para não receber mais prejuízos desnecessários. Não só isso, mudar quando alguma coisa não está dando certo é uma atitude corajosa.

A diferença entre se render e o “já é suficiente”

Talvez a mudança só possa acontecer jogando a toalha e decidindo tomar outro rumo diferente. Isto acontece porque existe uma linha tênue que separa o ato de se render do ato de reconhecer que já basta: se você já deu tudo de si e não vê resultados, é bom desistir e começar novamente.

“Pois isto está na ordem das coisas, que nunca deixa, quando se procura evitar algum inconveniente, de incorrer em outro. A prudência persiste em saber reconhecer a natureza dos inconvenientes, aceitando como bom o menos ruim.”
-Maquiavel-

Não dá para forçar uma coisa que não funciona. Também não se pode obrigar ninguém a sentir uma coisa que não sente, nem faz sentido procurar conseguir alguma coisa para a qual não estamos formalmente ou psicologicamente preparados… Os objetivos às vezes chegam em um mau momento ou são impossíveis: que uma determinada coisa não funcione também faz parte do mistério da vida.

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Se já tentamos e lutamos mas somos conscientes de que já não faz sentido continuar fazendo a mesma coisa; por que insistir? Então, render-se é um gesto de consideração leal e nobre no qual consideramos o mais íntimo “eu”.

Se já não existe motivo, não desperdice suas forças

A energia melhor empregada é aquela que usamos cultivando a arte de nos cuidar ou de cuidar das pessoas que mais amamos. Por outro lado, a energia com a qual contamos é limitada. Desta forma, desperdiçar forças de uma forma inútil e pouco proveitosa é privar a si mesmo e aos que você ama de parte dessa energia.

“Não se render, nunca, nunca, nunca, nunca, nem no grande, nem no pequeno, nem no fundamental, nem no trivial, nunca render-se, exceto às convicções de honra e bom senso.”
-Winston Churchill-

Brigar sem um motivo que se sustente é semelhante a dar cabeçadas na parede: fazemos um esforço superior e apenas colhemos fraqueza e cansaço. Enquanto isso, perdemos muitas outras coisas que realmente temos ao nosso alcance.

Em resumo, se você está em uma situação onde continuar com algum projeto, pessoal ou profissional, não é viável, talvez seja a hora de se perguntar se não é melhor abandoná-lo. Lembre-se de que render-se não é ruim, pelo contrário, sempre é uma opção aceitável e em muitos casos inteligente que é muito diferente de um fracasso.

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