A samambaia e o bambu: uma fábula de esperança

A samambaia e o bambu: uma fábula de esperança

janeiro 29, 2017 em Psicologia 1979 Compartilhados
A samambaia e o bambu: uma fábula de esperança

Poderíamos dizer que a história da samambaia e do bambu é a fabula da esperança. Por quê? Porque nela reside a verdadeira essência da resiliência e da perseverança; isto é, esta história reflete a importância de não nos darmos por vencidos quando temos que encarar um obstáculo, um desafio ou um contratempo.

Talvez não vejamos mudanças e talvez seja difícil administrar a permanência em um ponto no qual não vemos avanços, mas sim estagnação ou até retrocesso. Sem dúvida isso faz parte da vida e estão em jogo muitos fatores na hora de considerar se permanecer ou não em um determinado caminho irá nos conduzir a nossos desejos.

Mas, o que acontece se pararmos de cavar quando o nosso próprio objetivo não estava tão longe? Aqui entra em cena um fenômeno que na psicologia e na economia tem sido amplamente documentado: a aversão à perda.

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O receio emocional e cognitivo diante dos riscos

Preferimos não perder antes de ganhar e, por isso, costumamos nos retirar logo para nos preservar e não nos arriscarmos. Por isso, quando avaliamos um possível ganho, preferimos nos afastar e evitar a perda antes de alcançar o benefício.

Esta perda pode ser emocional, econômica ou de qualquer outro tipo. O que é evidente é que se considerarmos este fenômeno, conseguiremos potencializar nossas possibilidades de êxito em uma dada circunstância.

Segundo defendiam Amos Tversky e Daniel Kahneman, nossa atitude diante dos problemas depende de como considerarmos as alternativas. Então, se pensarmos em uma pessoa que mantém uma relação monótona e entediante por 15 anos, podemos perceber que existe uma certa ligação que está causando a imobilidade desta pessoa e a sua aversão para acabar com o relacionamento.

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O fato de que esta pessoa tome a decisão de acabar com seu relacionamento ou não depende principalmente de como ela encara a sua permanência no mesmo. Ela tem duas opções que vamos abordar a seguir, primeiro em termos abstratos e depois de forma mais especifica com relação ao caso que estamos apresentando.

  • Se considerarmos a situação em termos de ganhos, nossa resposta será de aversão ou receio para com o risco ou a mudança. Isto é, se considerarmos que a estabilidade emocional é mais valiosa que a necessidade de conhecer coisas novas, continuaremos nesse relacionamento.
  • Se considerarmos a situação em termos de perdas, então vamos preferir nos arriscar e dar um passo à frente. A pessoa envolvida pensa que precisa de uma mudança na sua vida e que conhecer o mundo é mais necessário do que ter alguém a quem recorrer 24 horas do dia, então a sua predisposição é mais do que evidente.

O mesmo acontece quando temos que lidar com um dia ruim ou um momento ruim. Se pensamos que está tudo errado, provavelmente manteremos a crença de que qualquer coisa que fizermos pode piorar a situação. Isto irá nos conduzir a um alto grau de imobilidade e, como sabemos, a imobilidade é incompatível com a vida.

É importante reforçar isto na hora de considerar o que nos prende e o que vale a pena arriscar para alcançar nossos próprios objetivos. De forma semelhante, é preciso lançarmos mão destes detalhes para tomar decisões. Por isso é tão importante fazer listas de vantagens e desvantagens das diferentes opções que consideramos plausíveis na hora de decidir sobre alguma coisa.

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A fábula da samambaia e do bambu

Um dia decidi me dar por vencido: renunciei ao meu trabalho, à minha relação e à minha vida. Fui ao bosque para falar com um ancião que, segundo diziam, era muito sábio.

– Poderia me dar uma boa razão para não me dar por vencido? – perguntei.

– Olhe ao seu redor, – me respondeu – está vendo a samambaia e o bambu?

– Sim – respondi.

– Quando plantei as sementes da samambaia e do bambu, cuidei de ambas muito bem. A samambaia cresceu rapidamente. O seu verde brilhante cobria o chão. Mas nada saiu da semente do bambu. Contudo, não renunciei ao bambu.

No segundo ano a samambaia cresceu mais brilhante e abundante e, novamente, nada cresceu da semente de bambu. Mas não renunciei ao bambu.

No terceiro ano, ainda nada brotou da semente de bambu. Mas não renunciei ao bambu.

No quarto ano, novamente, nada brotou da semente de bambu. Mas não renunciei ao bambu.

No quinto ano um pequeno broto de bambu apareceu no solo. Em comparação à samambaia era aparentemente muito pequeno e insignificante.

No sexto ano, o bambu cresceu mais de 20 metros de altura. Tinham se passado já cinco anos lançando raízes que o suportassem. Aquelas raízes o fizeram forte e lhe deram o que precisava para sobreviver.

Você sabia que durante todo esse tempo o bambu esteve, na verdade, lançando raízes?

O bambu tem um propósito diferente da samambaia, contudo, ambos são necessários e fazem do bosque um lugar belíssimo.

Nunca se arrependa de um dia da sua vida. Os dias bons trazem felicidade. Os dias ruins trazem experiência. Ambos são vitais para a vida. A felicidade o torna doce. As tentativas o tornam forte. As penas o tornam humano. As quedas o tornam humilde. O êxito o torna brilhante…

Se você não alcança o que almeja, não se desespere, talvez esteja apenas lançando raízes…

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Repense as suas prioridades diariamente

Na hora de continuar mergulhado (ou não) dentro de um projeto de vida da índole que for, precisamos considerar o que vale um investimento de tempo e esforço como o bambu. Os objetivos mais valorizados e mais frutíferos a longo prazo são os que mais nos demandam.

Esta fábula não é o mítico “querer é poder”. Esta mensagem é tão irreal quanto vazia de esperanças e nos priva de um diálogo interior verdadeiro e saudável. O que cabe dizer é que se você realmente acha algo possível e tem forças para lutar por isso, vale a pena trabalhar para alcançá-lo.

Alcançando-o ou não, a viagem vale a pena. Daí a importância de reconsiderar nossas possibilidades e nos dispormos a tudo para regar a cada dia um pouco mais a semente do nosso bambu. Tudo soma e, por isso, o investimento emocional naquilo que queremos merece tanta consideração e cuidado de nossa parte.

Lembre-se, então, da mensagem que a fábula de hoje nos passa e não deixe de aplicá-la em seu dia a dia.

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