Saudades de alguém que nem pensa em você

novembro 3, 2019
Sentir falta de alguém que se foi é normal, humano. De fato, em muitos casos, não é um problema. O tempo passa e, de alguma forma, todos nós guardamos experiências que sabemos que não serão repetidas. No entanto, em outras ocasiões, essa memória estagnada se torna um fardo. É quando você precisa intervir para não sofrer.

Sentir saudades de alguém que nem pensa em você é falta de regulação emocional.

Você está consciente de que é um erro; deixar os seus pensamentos e desejos ‘irem e voltarem’ para aquela pessoa traça o labirinto de um sofrimento inútil. Mesmo assim, é impossível sair dessa deriva, onde o presente está cheio de âncoras que nos levam de um lado para o outro no passado.

Até hoje ainda não foi criado um medicamento capaz de apagar a nostalgia, de apagar a dor devido a uma ausência que até pouco tempo era tudo para nós.

Apesar disso, e embora seja difícil de acreditar, passar por essas etapas é algo necessário, algo inerente ao ser humano. O sofrimento também constrói histórias, assenta a personalidade e nos oferece recursos psicológicos valiosos.

Com isso, não queremos dizer que temos que sofrer para aprender. No entanto, quando a vida nos machuca, é inútil ‘virar a cara’ e muito menos bater a cabeça na parede em desespero.

Além do que podemos pensar, estamos preparados para superar a dor em todas as suas formas e tons. As peças quebradas podem se unir novamente e até cicatrizar, consolidando um material mais resistente.

“Há muitos que embarcam para sempre nessas armadilhas e permanecem a vida toda dolorosamente presos a um passado sem retorno, ao sonho do paraíso perdido, o pior e o mais assassino dos sonhos”.
– Hermann Hesse –

Rapaz triste por sentir saudades de alguém

Sentir saudades de alguém que nem pensa em você: o que fazer?

Sentir saudades de alguém que nem pensa em você é uma tremenda ironia, mas ainda assim é um fenômeno cotidiano.

Quando você acorda de manhã, é o primeiro pensamento; na hora de dormir, é a origem da sua insônia, e durante o dia não há música, série, canto da cidade, livro ou qualquer acontecimento que não o leve até essa pessoa.

Viver com os olhos postos no espelho retrovisor do nosso passado não é recomendado ou saudável. Agora, por mais desesperador que pareça, precisamos entender um pequeno aspecto: é algo normal.

Sempre há um período de luto em que somos forçados a lidar com um amplo espectro de sentimentos, ansiedades, dor emocional e angústia. O mais importante é não prolongar esse tempo excessivamente e menos ainda derivar no que é conhecido como luto congelado ou retardado.

Nessa situação, a pessoa se convence de que pode seguir em frente, mas longe de dar um fechamento adequado a essa perda, passa por situações de alto estresse e ansiedade, onde as emoções por essa ausência ainda são muito intensas.

Por que isso acontece? Por que é tão difícil esquecer?

Na realidade, não se trata de esquecer, mas de aprender a conviver com as memórias sem que elas nos machuquem. O nosso cérebro dificilmente apagará da memória uma história escrita com a tinta das emoções.

Quanto mais intensas e significativas, mais duram, e é mais difícil aliviar a marca da dor. Isso se deve basicamente a uma combinação de neurotransmissores e hormônios, como a ocitocina, serotonina e dopamina, que fortalecem os nossos relacionamentos pessoais.

Quando estamos com alguém que amamos, este fabuloso coquetel químico é lançado onde flutuam com intensidade as emoções mais embriagadoras.

Agora, quando alguém não está mais aqui, o cérebro ainda precisa da sua ‘dose’ de neuroquímicos. O carinho por alguém é, de certa forma, um vício em nosso universo neuronal, uma forma de encontrar calma e bem-estar.

No entanto, se não temos mais essa pessoa, aparece a desregulação emocional, a angústia e a ansiedade…

Sentir saudades de alguém

É possível parar de sentir saudades de alguém que queremos esquecer

Sentimos saudades de muitas pessoas e de muitas maneiras diferentes. Somos nostálgicos pelas figuras que deixamos para trás na jornada da vida (amigos, colegas de trabalho).

Sentimos dor ao perder alguém de maneira traumática e, é claro, ansiamos pelas pessoas com quem mantivemos um vínculo emocional e cuja ruptura pode ser complicada.

De alguma forma, boa parte dos relacionamentos não termina de comum acordo. Às vezes, o amor acaba para um dos dois, outras vezes esse amor se direciona para uma terceira pessoa, ou simplesmente viver juntos não é mais satisfatório para uma parte do casal.

Nessas situações, sempre há alguém que carrega em suas costas o sofrimento e o fardo de permanecer apaixonado.

A falta de alguém que nem pensa em você tem solução. Não existem milagres ou estratégias rápidas, mas existem processos que precisam ser seguidos de maneira apropriada e comprometida. Vamos refletir sobre essas chaves.

Contato ‘zero’

Pode ser traumático, mas é necessário. Quando sentimos saudades de alguém, somos tentados a retomar o contato, a manter uma última conversa, a conceber estratégias para reconquistar essa pessoa. Se realmente queremos superar essa perda, é necessário evitar tais situações.

Além disso, outra sugestão é evitar as redes sociais e não ver as atualizações, fotos e comentários dessa pessoa em particular.

Aceite a realidade sem rancores; é proibido procurar culpados

Quando um relacionamento termina de maneira complexa, é comum alimentar sentimentos de raiva ou frustração. Procurando um ‘porquê’, é fácil embarcar no pêndulo da culpa. Por um momento podemos nos culpar por não ter feito isso ou aquilo, ou ainda concluir que a outra pessoa é culpada porque nos tratou mal, nos humilhou.

Este tipo de pensamento nos mergulha ainda mais no sofrimento e intensifica o processo de luto.

Mulher observando seu celular

Novos projetos, novos objetivos

Sentir saudades de alguém constantemente é como jogar uma âncora e ficar preso no mesmo espaço, na mesma situação de dor e desejo. Nada avança. Nada muda. Ficamos cativos de uma involução pessoal que ninguém merece.

Devemos ser claros: podemos sentir falta de alguém, mas apenas o suficiente. Apenas na medida certa para fechar gradualmente uma etapa, sem que a lembrança se transforme em uma âncora ou lastro.