Saiba como converter o silêncio em um aliado da comunicação

Saiba como converter o silêncio em um aliado da comunicação

junho 26, 2017 em Psicologia 794 Compartilhados
Saiba como converter o silêncio em um aliado da comunicação

Costumamos acreditar que o silêncio do outro em uma discussão nos dá a razão, mas o certo é que esse silêncio nos permite refletir e escutar a nós mesmos, sobretudo se nosso discurso está cheio de censura. Tenha em conta que aquele que cala nem sempre consente, mas às vezes o silêncio do outro te ensina o dano que suas palavras causam ao saírem sem controle de sua boca no calor de uma disputa.

Calar-se e escutar não deveriam ser sinais de fraqueza, e sim de inteligência, de respeito e entendimento para com o outro, porque se todos gritamos, ninguém escuta nem aprende. Se todos gritamos, perdemos a razão e as palavras acabam voltando descontroladas sem parar em ouvidos que as escutem, perdendo todo seu significado, ou o que é ainda pior, convertendo-se em projéteis cheios de críticas que não adicionam nada, só destroem.

“O caminho para todas as coisas grandes passa pelo silêncio.”
-Friedrich Nietzsche-

Somos escravos de nossas palavras

Em muitas ocasiões as palavras não são levadas pelo vento, mas acabam se cravando como punhais no coração das pessoas que as escutam. Não pretenda colocar um curativo em um coração ferido, destruído por suas palavras. Cale-se antes que seja muito tarde, reflita e coloque-se no lugar do outro.

Mulher com o coração em chamas

Quando as discussões são continuamente sobre um mesmo tema sem que se chegue a qualquer entendimento, ou seja, se são discussões recorrentes, é muito comum que aconteça a chamada “escalada emocional”. Essa escalada consiste em censurar o motivo da chateação sem parar para ouvir o ponto de vista da outra pessoa, chegando a subir o tom de voz perante seu ouvinte de modo que esse responda do mesmo modo, e assim seja impossível uma comunicação efetiva.

Pense que, se você só dispõe de palavras já gastas, é muito difícil que ao juntá-las elas digam algo novo. Isso acontece porque você está condenado sempre à mesma mensagem e ao mesmo registro para se expressar, e fazê-lo é um sinal de que você não escuta, e de que suas palavras ignoram o que o outro diz.

Se alguém cala, não é que se mostra submisso, e sim que está refletindo e tratando de ter empatia, conseguindo assim o máximo possível para melhorar a comunicação. Para conseguir isso, o silêncio pode ser um grande aliado. Pense que um bom comunicador utiliza o silêncio para ver em que ponto está enganado, e como pode melhorar em sua resposta a seguir.

“O silêncio é o ruído mais forte, talvez o mais forte de todos os sons.”
-Miles Davis-

No silêncio as palavras adquirem o valor que merecem

Depois do silêncio, e quando este não é mal interpretado, geralmente chega a calma, já que surge um tempo para a reflexão, e é possível um ponto de encontro com o outro. Acabamos comunicando aquilo que nos incomoda. Assim, só quando tivermos entendido o ponto de vista do outro, que não é igual ao nosso, poderemos entender que somos duas pessoas diferentes, que pensam diferente mas podem compreender um ao outro.

Para isso devemos nos explicar da melhor maneira possível, expressando nossas emoções, mas sem ferir o outro. Uma ferramenta muito útil para conseguir isso são as “mensagens do eu”.

As mensagens do eu são aquelas que não incluem censuras, mas sim que partem do que nós estamos sentindo, nossas opiniões e o que desejamos. Assim, eliminamos a culpabilização do outro, sem deixar de manifestar o que sentimos.

Mulher soprando estrelas

Um exemplo dessas mensagens seria por exemplo dizer: “Eu penso que/eu sinto que/eu creio que…” no lugar do típico “porque você fez isso/você falou aquilo/você me fez sentir…”. Essas mensagens incluem comunicações completas, ou seja, podemos começar descrevendo a situação ou o que o outro fez, sem entrar em valoração, introduzir logo a seguir a “mensagem do eu” e terminar com uma possível forma alternativa daquilo que aconteceu.

Um exemplo completo seria o seguinte:

  • Descrição da situação: ontem à noite, quando estávamos jantando com nossos amigos em nossa casa e você não me ajudou a colocar a mesa,
  • Mensagem do eu: me fez sentir como se fosse sua empregada, como se eu estivesse no lugar de servir ao invés no de ser sua mulher,
  • Alternativa ao que aconteceu: eu queria que você tivesse colocado a mesa e recolhidos os pratos comigo.

Falar dessa maneira é uma questão de criar um costume. Escutar, refletir um momento em silêncio e contestar não é algo que vai acontecer de modo automático para nós, mas podemos praticar até que aconteça.

É normal que, se tivemos durante toda a vida uma outra forma de se comunicar, no princípio seja muito difícil ou nos sintamos um pouco bobos fazendo isso. Inclusive podemos sentir que estamos perdendo força, mas ao longo do tempo este hábito servirá para a construção de relações muito mais abertas e fluídas.

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