As 6 regras da simplicidade inteligente de Yves Morieux

· abril 30, 2018

Yves Morieux é um consultor do Boston Consulting Group e professor em várias universidades do mundo. Ele estuda o ambiente de trabalho e das empresas. Nos últimos anos, ele focou suas pesquisas no porquê haver tanta improdutividade nas companhias e tanta falta de disciplina e comprometimento com o trabalho. Suas reflexões o levaram a criar o conceito da “simplicidade inteligente”.

A simplicidade inteligente é definida como uma habilidade para transformar os problemas complexos em soluções cooperativas, concretas e facilmente entendidas por todos. Yves Morieux criou esse conceito basicamente diante de problemas de cooperação e integração dentro do ambiente de trabalho das empresas. Atualmente, no entanto, ele é aplicável a todo tipo de grupo, e até mesmo a ações individuais.

“Fracassar não é culpa de ninguém, mas falhar em ajudar ou em pedir ajuda é.”
-Jorgen Vig Knudstorp-

As 6 regras da simplicidade inteligente são dicas que têm como objetivo tornar o funcionamento das organizações e dos grupos mais eficaz e bem-sucedido. Mais especificamente, o objetivo é conseguir que o clima do ambiente de trabalho seja sempre ótimo, e que a motivação e a solidariedade estejam sempre presentes. Isso, por sua vez, será um fator que aumentará a produtividade e o compromisso. Veremos a seguir quais são as regras.

1. Entender o que os outros fazem, a base da simplicidade inteligente

No caso das organizações, se cada trabalhador puder entender quais realmente são as funções de seus colegas, ele poderá também entender melhor seus próprios companheiros. Isso não pode se limitar a uma mera descrição de suas funções. Cada um deve realmente compreender a complexidade do que o outro faz.

Pessoas trabalhando em equipe

Essa regra da simplicidade inteligente pode ser aplicada a outros grupos e também em relações pessoais. Ela implica fazer o exercício de se colocar no lugar do outro, não de maneira superficial, mas realmente entendendo a complexidade do lugar do outro no mundo.

2. Fortalecer as pessoas com papel de integração

Reforçar o papel de integração no ambiente de trabalho significa dar mais poder e autonomia para os líderes e os chefes. Ou seja, permitir que decidam sem que tenham que seguir protocolos rígidos e burocráticos de controle de procedimentos à risca, principalmente para as decisões que se relacionam à cooperação.

Esse princípio da simplicidade inteligente também pode ser aplicado na vida pessoal. Ele pressupõe uma facilitação das decisões para aqueles que têm maior habilidade ou capacidade de conciliar interesses e promover acordos. Muitos conflitos são evitados quando damos um respaldo amplo para essas pessoas.

3. Aumentar o poder de todos os membros

Quando os funcionários sentem que possuem algum poder sobre seu trabalho, geralmente respondem com um nível mais alto de comprometimento. A simplicidade inteligente diz que devemos reforçar a capacidade dos funcionários de usar seus próprios critérios para trabalhar, colocando sua inteligência na realização das tarefas.

Grupo pensando em solução no trabalho

O mesmo é aplicável para a vida familiar e também para relacionamentos amorosos. É muito saudável buscar um equilíbrio nas formas de poder, no qual cada membro tem sua própria margem de controle sobre o espaço objetivo e subjetivo que é compartilhado. Isso faz com que a disposição para se relacionar com os outros aumente.

4. A “sombra do futuro”

A “sombra do futuro” é um conceito muito interessante proposto por Yves Morieux. Significa, falando de forma simplificada, criar ciclos de feedback. Ou seja, organizar as atividades por ciclos e, ao término destes, avaliar os resultados das ações que foram empreendidas desde o começo daquele ciclo.

Criar a perspectiva de um momento de reflexão sobre as ações – a sombra do futuro – é fundamental. Tanto no mundo pessoal quanto no mundo de trabalho, isso promove a simplicidade inteligente porque faz com que a pessoa se comprometa com as propostas. Também é possível, após a reflexão final desse exercício, identificar os pontos ou aspectos do comportamento e das atividades realizadas que deram certo ou causaram problemas.

5. Aumentar a reciprocidade

Ao mesmo tempo em que a autonomia deve ser promovida, também é muito importante reforçar a reciprocidade. Autonomia não é autossuficiência. Tanto no trabalho quanto na vida do dia a dia todas as pessoas precisam umas das outras. Há algumas barreiras que dificultam a cooperação, como o pensamento “cada um com os seus problemas”.

Essas barreiras mentais ou até mesmo materiais não facilitam a simplicidade inteligente. O senso comum nos diz que quando há colaboração mútua os vínculos são reforçados, o clima do ambiente melhora e tudo tende a fluir de uma forma mais leve. As culturas cooperativas são mais eficientes e trazem um maior bem-estar emocional.

6. Recompensar aqueles que cooperam

A solidariedade é tão importante para conseguir objetivos comuns que sempre se deve reforçar aqueles comportamentos que são cooperativos. A melhor maneira de fazer isso é reconhecendo e premiando as pessoas responsáveis de algum modo. Isso é necessário para introduzir esse valor de cooperação na cultura, na família, no relacionamento, etc…

Líder no ambiente de trabalho

A ideia principal aqui é que toda dificuldade e todo conflito pode ser solucionado se houver cooperação. Se a pessoa pede ajuda ou alguém percebe e ajuda a tempo, todos os resultados serão sempre ótimos. Por isso a solidariedade é o grande valor a ser promovido, instalado e reforçado.

As regras da simplicidade inteligente são fruto de muitas pesquisas e reflexões profundas. Já foram testadas e provadas na prática, sendo eficazes para alcançar algo que é muito importante tanto no trabalho quanto na vida pessoal: concentrar-se no importante e deixar de lado o trivial.