Síndrome de Münchausen por procuração ou transferência

· abril 12, 2018

A Síndrome de Münchausen por procuração ou transferência é uma variante da síndrome de Münchausen, na qual ao invés de provocar os sintomas em si mesmo, o portador causa ou simula a doença em outra pessoa, geralmente uma criança sob seus cuidados.

A síndrome de Münchausen por transferência ou procuração é um termo criado por Roy Meadow em 1977. Ele descreveu essa síndrome se referindo aos adultos como “pacientes que apresentam histórias clínicas espetaculares, cheias de mentiras e invenções, em uma tentativa presumida de alcançar segurança hospitalar e atenção médica”.

Ela não leva o nome do seu descobridor, mas de Karl Friedrich Hieronymus: o Barão de Münchausen (1720-1797). O barão de Münchausen, um alemão do século XVI, contava histórias mirabolantes sobre as suas façanhas como soldado e esportista. Meadow acrescentou “por procuração” por ser o caso em que uma pessoa inventa os sintomas da outra.

No mesmo ano, Burman e Stevens conheceram uma menina cuja mãe sofria dessa síndrome e a provocava nos seus dois filhos. Eles chamaram esse comportamento de síndrome de Polle. A síndrome de Polle e a síndrome de Münchausen por procuração se referem ao mesmo tipo de comportamento.

A síndrome de Münchausen por procuração: uma forma de abuso infantil

A síndrome de Münchausen por transferência ou procuração constitui uma forma peculiar de abuso onde um dos pais (geralmente a mãe), simula a existência ou provoca na criança sintomas ou sinais de uma doença com o objetivo de procurar assistência médica, diagnósticos e tratamentos dispendiosos ou de risco.

A síndrome de Münchausen por procuração constitui uma forma de abuso infantil de alto risco. O diagnóstico é complicado e muitas vezes sobrevive por muito tempo na pessoa sem que ninguém seja capaz de identificá-lo. Além disso, como já apontamos, pode gerar sérias complicações e até mesmo a morte da criança.

Menino diante de vidro transparente

Um caso real

Com o objetivo de explicar melhor sobre o que estamos falando, vamos ilustrar essa síndrome com um caso real. Trata-se de uma história que foi publicada no Daily Mail.

Kaylene Bowen, uma mãe de 34 anos, foi presa por causar ferimentos graves no seu filho. Ela admitiu ter convencido vários médicos durante oito anos que a criança estava gravemente doente. Essa mãe chegou a afirmar que o seu filho precisava de um transplante de pulmão, entre outros sintomas, o que o levou a ser submetido a cirurgias desnecessárias. Desde que ele nasceu, essa mãe foi ao hospital com seu filho um total de 323 vezes.

A criança entrou na sala de cirurgia treze vezes pelas supostas doenças, de acordo com o Daily Mail. Kaylene chegou a criar sites para arrecadar dinheiro para pagar os tratamentos caros aos quais seu filho supostamente teria que se submeter.

De acordo com este caso real, esta mãe poderia sofrer de síndrome de Münchausen por procuração. Como dissemos anteriormente, é uma forma de abuso infantil em que um dos pais induz na criança sintomas reais ou aparentes de uma doença.

Criança doente em sua cama

O que é realmente a síndrome de Münchausen?

Esta síndrome é considerada um distúrbio factício. Um distúrbio factício é caracterizado pelo aparecimento de sintomas deliberadamente produzidos pelo paciente com a intenção de receber atendimento médico e assumir um papel de doente.

Um paciente que sofre desse distúrbio cria deliberadamente os sintomas de uma doença ou exagera nos seus sintomas. Dessa forma, impede a cura, porque o que ele realmente deseja é uma atenção permanente da equipe médica. Ele pode acabar passando por cirurgias e exames desnecessários para manter o seu papel de doente.

O risco é que o paciente acabe ficando realmente doente. Por exemplo, pensemos em um paciente que intencionalmente toma um medicamento que produz determinados sintomas, mas não informa o médico no momento da consulta. Os médicos desconhecem a verdadeira origem da sua patologia. Então, o mais lógico é que eles submetam o suposto doente a um grande número de exames, alguns deles com certos riscos que seriam justificados se a doença fosse “real”.

A obsessão de ser atendido pelos médicos

A síndrome de Münchausen  é caracterizada por uma obsessão ou desejo incontrolável de ser atendido pelos médicos. Essa obsessão provoca nos pacientes a necessidade de visitar vários hospitais, muitas vezes com nomes falsos ou inventados para evitar suspeitas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) chama essas pessoas de “pacientes peregrinos”. Essas pessoas perambulam entre os hospitais com a necessidade urgente de serem cuidadas por suas falsas doenças. Há um caso muito famoso desta síndrome que é o de um inglês chamado William Mcllroy (1906-1983). Essa pessoa chegou a ser operada 400 vezes. Na verdade, ele passou apenas seis meses da sua vida fora de uma clínica.

Mãe cuidando da filha doente

Quais são os sintomas da síndrome de Münchausen por procuração?

Quando uma pessoa sofre da síndrome de Münchausen por procuração, há uma série de sintomas. Às vezes são muito difíceis de identificar. Vejamos alguns deles:

  • Os sintomas da criança não são identificados ou não se encaixam em um quadro clássico de doença. Isto é, o diagnóstico se torna muito complicado.
  • A criança melhora no hospital, mas os sintomas reaparecem em casa. Muitas vezes a própria mãe causa os sintomas mesmo dentro do hospital.
  • O pai ou a mãe se mostram “muito solícitos” ou “exageradamente atentos”.
  • A mãe ou pai frequentemente estão envolvidos em um campo da assistência médica, como a enfermagem.

O que causa a síndrome de Münchausen por procuração?

Esta síndrome ocorre devido a problemas psicológicos do adulto. Quase sempre envolve uma mãe que abusa do filho tentando mantê-lo constantemente sob supervisão médica, expondo-o a uma situação de risco para a sua saúde. Podemos afirmar que é uma síndrome rara cuja causa ainda é desconhecida.

Como vimos, a síndrome de Münchausen por procuração é um distúrbio “raro”, talvez porque seja um problema difícil de detectar. Acredita-se que há um número muito maior de casos do que chegamos a conhecer.