Sofrer uma desilusão é difícil, mas nos afasta do lugar errado

Sofrer uma desilusão é difícil, mas nos afasta do lugar errado

setembro 25, 2017 em Psicologia 1034 Compartilhados
Menina triste por sofrer uma desilusão

Existem épocas assim, aquelas em que uma pessoa parece sofrer uma desilusão atrás da outra, viver aos trancos a barrancos para, no fim, abrir os olhos e descobrir que habitava uma ilha estranha rodeada por falsos afetos, pessoas com fundos falsos e sentimentos equivocados. É então que recolhemos os pedaços do nosso coração para avançar sem olhar para trás, com dignidade graciosa e determinação firme.

Dizem os especialistas da psicologia do esporte que qualquer atleta deve aprender desde bem cedo a lidar com a desilusão. Em qualquer esporte de competição sempre vai existir um vencedor e um perdedor. Os atletas sempre vão experimentar momentos de maior ou menor rendimento, assim como lesões e acontecimentos alheios à própria preparação ou rendimento que podem vetar o poder de participar em uma competição, uma prova ou uma partida.

No jogo da vida acontece o mesmo. No entanto, a maioria de nós aprende desde cedo a ideia de que se alguém se esforça, o êxito está garantido e que se você cuidar bem das pessoas que ama, elas responderão do mesmo modo. Quase ninguém nos quis revelar que no quadrilátero da vida real, dois mais dois nem sempre é quatro, que os dias cinzentos são mais comuns do que os azuis, e que as pessoas são falíveis, contraditórias e imperfeitas.

Digerir as desilusões cotidianas não é tarefa fácil. No entanto, e como curiosidade, cabe dizer que a desilusão é a terceira emoção mais experimentada pelo ser humano depois do amor e do arrependimento, e portanto devemos aprender a reconhecê-la, a assumi-la e a enfrentá-la. A seguir te explicamos como.

Flores que saem voando de mãos unidas

A desilusão é uma parte obrigatória da vida? Não, nem sempre

Não faltam pessoas com ar paternalista para comentar que “sofrer uma desilusão na vida é algo necessário. Porque sentir-nos decepcionados nos permitirá obter a motivação necessária para crescer”. Bem, esse tipo de frases ficam bonitas nos nossos murais das redes sociais, no entanto, é necessários esclarecê-las e analisá-las em detalhe.

Em primeiro lugar, ninguém é obrigado a sofrer uma desilusão desoladora para “saber o que é a vida”. Estamos perante uma dimensão que devemos aprender a gerir o mais rápido possível para que não aconteça mais do que o necessário. Por sua vez, as decepções sempre serão melhores em doses pequenas e em tamanhos gerenciáveis. É assim que uma pessoa aprende de verdade a lidar com elas e a canalizá-las para obter uma aprendizagem adequada.

Por sua vez, é importante reiterar a necessidade de saber enfrentar a desilusão cotidiana para evitar que mais cedo ou mais tarde aconteça uma de maiores dimensões, para não ficarmos presos no canto do dilema, no buraco da dor e na floresta do desespero. Dizemos isso por uma razão muito concreta: a pequena decepção não expressada se transforma no assassino silencioso de toda relação.

Mulher lidando com o sentimento da desilusão

Vamos pensar nisso por um momento: há quem opte por calar aquele pequeno desprezo do parceiro que, quase sem saber como, no fim se transforma em uma prática cotidiana. Dizemos também que não é nada se o nosso amigo se esqueceu que hoje iríamos receber os resultados de uns exames médicos importantes. Por sua vez, também decidimos guardar silêncio quando a nossa família ironiza em voz alta sobre o projeto “absurdo” com que tanto sonhamos.

Evitamos expressar em voz alta muitas das desilusões sentidas por medo de ofender os outros, por medo de romper esse vínculo que nos une a eles… No entanto, esquecemos que os principais ofendidos somos nós e que quem guarda uma desilusão atrás da outra para si acaba sufocando. No fim, levantamos um dia com a consciência de que tudo o que nos envolve é um engano. Vamos reagir antes e aprender a reagir a tempo.

Chaves para superar a decepção depois de sofrer uma desilusão

Uma desilusão é muito mais do que uma expectativa insatisfeita. É o rompimento de uma certeza, é um vínculo que perde sua força, é um vendaval de ar frio que nos abre os olhos e que, às vezes, até coloca uma muralha no nosso coração. No entanto, se existe uma razão pela qual uma decepção dói tanto, é porque experimentamos tal responsabilidade e tal aborrecimento em relação a nós mesmos: como pudemos ter tomado tantas coisas como certas? Como pudemos confiar tanto e construir tantos castelos, sendo que o que havia embaixo eram areias movediças?

Propomos refletir sobre essas chaves para gerir muito melhor essas situações.

Menina triste por sofrer uma desilusão

Desfazer o nó das decepções

Um dos primeiros aspectos que devemos evitar é praticar o que é conhecido como “viés retrospectivo”. Falamos, é claro, sobre essa tendência de acreditar, depois de conhecer os resultados, que poderíamos ter previsto tudo. Existem coisas que não podem ser previstas, não temos uma bola de cristal com a qual podemos ver como determinadas pessoas vão reagir. Por isso, a melhor coisa a fazer é aceitar o que aconteceu e evitar nos responsabilizarmos ou projetar toda a responsabilidade sobre nós mesmos.

O segundo aspecto importante tem a ver com o que comentamos anteriormente. Devemos ser capazes de reagir diante das pequenas decepções antes que elas se transformem em verdadeiras torturadoras, aquelas que deixam a nossa autoestima lá no fundo do poço. Lembre-se sempre de falar sobre o que te incomoda “quando te incomodar, e não quando já for tarde”.

O terceiro e último ponto que deveríamos aplicar no nosso dia a dia é a capacidade de ter perspectiva. Devemos entender que todos somos falíveis, inclusive nós mesmos. Todos temos o poder de iludir e desiludir, portanto, todos estamos sujeitos a esta roda gigante onde às vezes se ganha e outras se perde, onde os lugares certos aos poucos já não são mais certos e é preciso se reciclar, mudar o mapa da estrada, as pessoas e até os objetivos.

Às vezes, o fato de sofrer uma desilusão é pouco mais que um mecanismo estranho em que a vida nos diz que tem algo muito melhor reservado para nós…

Imagem principal cortesia de Claudia Tremblay

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