Stephen Hawking, o homem das estrelas

· setembro 1, 2016

Stephen Hawking é talvez o cientista vivo mais célebre da nossa época. Seu prestígio provavelmente é comparável apenas ao de Albert Einstein em seu tempo. Sua fama é principalmente decorrente da sua opinião sobre a origem do universo e as leis da física envolvidas neste processo.

No entanto, seu prestígio também se deve à valentia com a qual luta para superar as dificuldades da doença que sofre. Esta condição não foi um obstáculo para levar uma vida particularmente movimentada para um homem com tantas limitações. Para alguns, esta situação inclusive contribuiu para que ele fosse considerado uma estrela pelos vários meios de comunicação.

Um de seus livros mais conhecidos é “Uma Breve História do Tempo”, que se transformou em um best seller em pouco tempo, vendendo mais de dez milhões de cópias. Posteriormente foi adaptado para um filme. Hawking é admirável não só pelas suas conquistas intelectuais, como também por tê-las realizado em meio a tantas dificuldades. Sem dúvida, seu magnetismo é resultado de sua vulnerabilidade, sua coragem e seu brilhantismo.

Stephen Hawking, uma mente prodigiosa

Stephen Hawking nasceu em janeiro de 1942 em Londres. Exatamente trezentos anos depois do falecimento de Galileu, fato com o qual Hawking costuma brincar bastante. Ele pertencia a uma família “excêntrica”, segundo afirma o mais novo de seus irmãos, Edward. Seu pai era médico e permanecia a maior parte do seu tempo na África, dedicado à pesquisa científica.

Hawking era apenas um adolescente quando tomou a decisão de estudar matemática e física. Deste modo, matriculou-se em Oxford com 17 anos de idade. Ele era popular entre seus colegas pela sua inteligência e tinha fama de não dedicar muito tempo aos estudos. Em vez disso, ele jogava Bridge e praticava corridas com seus amigos.

Stephen Hawking jovem

Depois de vários anos dispersos e sem mostrar uma dedicação especial pelos estudos, suas notas eram boas. A universidade escolhida por Hawking foi Cambridge, que exigia uma média excelente. Ele se expressou com sinceridade em sua entrevista quando disse: “Se vocês me derem excelente, irei a Cambridge. Se notável, vou ficar em Oxford. Confio que vocês vão me dar excelente.” E foi assim que aconteceu.

Como cientista, sua carreira começou há mais de 25 anos, precisamente na Universidade de Cambridge. Talvez tenha sido o cientista que mais fez para nos aproximarmos da compreensão do universo. Seu trabalho teórico sobre os buracos negros e seus avanços no conhecimento sobre a origem e natureza do universo são vanguardistas e, sem dúvida, revolucionários.

Um modelo exemplar

Aos vinte e um anos, diagnosticaram Hawking com uma doença degenerativa, conhecida como “doença do neurônio motor” ou ELAEste problema o confinou durante a maior parte da sua vida a uma cadeira de rodas. Hawking não permitiu que a doença fosse um obstáculo para o seu desenvolvimento científico. De fato, a sua patologia o libertou de qualquer rotina para poder dedicar o seu tempo à pesquisa científica.

Hawking evita falar das suas incapacidades físicas e evita se pronunciar sobre a sua vida pessoal. Ele deseja que o recordem sobretudo como um cientista, como escritor, divulgador da ciência e como uma pessoa igual a qualquer outra, com sonhos, impulsos, desejos e ambições.

Stephen Hawking dando aula

Quando diagnosticaram a doença de Hawking,  disseram-lhe que era mais comum em pessoas mais velhas. No entanto, ele estava com apenas 20 anos. De qualquer forma, a doença avançou rapidamente e os médicos não lhe davam mais do que dois anos de vida. O homem das estrelas mergulhou então numa profunda depressão e ouvia Richard Wagner sem parar.

Passados dois anos, as coisas se estabilizaram para Hawking em termos de saúde. Ele decidiu se casar com Jane Wilde, com quem posteriormente teve três filhos. Hawking continuou com suas pesquisas, superando inclusive a devastadora deterioração física que sua doença havia causado. Em 1969, foi relegado definitivamente a uma cadeira de rodas. Esta situação fez com que ele dependesse completamente de uma terceira pessoa.

Um homem que supera a si mesmo

Em 1979, foi escolhido para ditar a cátedra de matemática Lucasiana na Universidade de Cambridge. Esta cátedra tinha sido ditada por Isaac Newton no seu tempo. Posteriormente foi submetido a uma traqueotomia de urgência e em 1985 perdeu por completo a capacidade de falar. O seu único canal de comunicação se resume a um sintetizador de voz adaptado à sua cadeira de rodas.

Stephen Hawking relata, com bom humor, uma cena engraçada que aconteceu no Vaticano. Ao finalizar um congresso de cosmologia realizado ali, os relatores tinham uma audiência com o Papa. Este manifestou o seu interesse por estudar o Big Bang e a posterior evolução do universo, afirmando que era criação e obra de Deus.

universo-stephen-hawking

Stephen Hawking disse que sentiu alegria porque o Papa tinha entendido a apresentação que acabara de fazer e que falava sobre “a possibilidade de que o espaço-tempo fosse infinito, mas não tivera nenhuma aula de limite”. Em outras palavras, acabava de dizer que o universo não teve um princípio, que não houve um momento de criação. Por isso ficou feliz pelo Papa não ter entendido e disse que “não tinha vontade de compartilhar a sorte de Galileu”.