Técnica da situação estranha: uma forma de classificar o apego

Técnica da situação estranha: uma forma de classificar o apego

julho 9, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Técnica da situação estranha: classificando o apego

O apego é o vínculo que existe entre duas pessoas caracterizadas por uma grande intensidade afetiva. Normalmente, trata-se de um relacionamento duradouro com um grande componente especial e vinculativo. Nesse sentido, Mary Ainsworth foi a pioneira no desenvolvimento da primeira ferramenta para avaliar o tipo de apego especificamente em crianças. Foi conhecida como a técnica da situação estranha.

Esse vínculo mãe-bebê não é exclusivo dos seres humanos, já que muitas espécies animais também o manifestam. No entanto, é o único que requer mais tempo para formar esse vínculo. O apego é consolidado quando há incondicionalidade por parte do outro.

Objetivo do apego

Conseguir que os primeiros vínculos de apego sejam saudáveis ​​é essencial. Sua finalidade, portanto, é alcançar a segurança, o conforto, a proteção e a satisfação das necessidades básicas do bebê. Assim, dependendo do estilo de apego que eles desenvolvem em relação aos seus cuidadores, as crianças serão capazes de encontrar maior ou menor proximidade, refúgio emocional, protesto diante da separação e uma base de segurança.

Esse vínculo não apenas influencia o bem-estar imediato da criança, mas também marca seu desenvolvimento psicoevolutivo. Portanto, as deficiências nos estágios iniciais podem afetar outros estágios mais avançados da idade adulta e da maturidade.

Mãe abraçando seu bebê

Condições necessárias para formar o apego

Para que se forme o primeiro apego, são necessárias uma série de condições mínimas que um bebê deve cumprir. Estes requisitos garantem o desenvolvimento desta ligação de maneira apropriada:

  • Ter um repertório suficiente de comportamentos de apego: sinalizadoras, como sorrisos ou balbucios; aversivas e/ou ativas, como acompanhamento e aproximação de sua mãe.
  • Esses comportamentos devem atrair o adulto, estabelecendo e produzindo interações privilegiadas entre ambos.
  • Ter habilidades afetivas mínimas.
  • Possuir uma série de recursos cognitivos mínimos para reconhecer, acumular memórias e criar expectativas em relação à sua figura de apego.

Técnica da situação estranha

A técnica da estranha situação estranha é um processo de laboratório que foi projetado pela psicóloga americana Mary Ainsworth em 1960. Seu objetivo era estudar o tipo de interação que uma mãe ou um adulto (estranho) mantém com a criança em um ambiente não familiar. Tamanha tem sido sua implicação na psicologia do desenvolvimento que atualmente é usada para classificar os tipos de apego.

Simulações

A técnica da situação estranha tenta simular certos contextos para analisar como a criança se comporta quando sai da sua zona de conforto. Ou seja, sua transição entre o ambiente seguro do lar e a exploração de outro desconhecido. A partir da observação, é de particular interesse saber quais são as reações da criança quando está separada da mãe. E, mais tarde, quando voltar a se encontrar com ela.

Esta simulação consiste em 8 episódios e foi projetada para ser realizada com crianças a partir de um ano de idade. É nesses 12 meses que a relação entre bebê e cuidador deve ser claramente estabelecida.

Mãe com o filho no parque

Procedimento

Em uma das variantes mais frequentes dessa técnica, Ainsworth colocava a criança ao lado de sua mãe em uma sala cheia de brinquedos. Algum tempo depois, um estranho entrava na sala e a mãe saía, deixando a criança com o estranho. Logo a mãe voltava. Mais tarde, ela e o estranho saíam da sala e deixavam a criança sozinha. Depois, o o adulto entrava novamente.

Com isso, a psicóloga era capaz de avaliar as reações e interações ocorridas entre a figura de apego e a criança. Tanto na presença de brinquedos e quando o pequeno estava com um estranho e sozinho.

Tipos de apego

Baseado na técnica da estranha situação, 3 tipos de apego foram estabelecidos: seguro, evitante e ambivalente.

  • O seguro se torna evidente quando a criança é capaz de explorar livremente o ambiente quando está separada de seu cuidador. Ela se mostra angustiada diante da ausência da mãe, mas ao retornar, recebe-a com entusiasmo.
  • O evitante, por outro lado, também se caracteriza pela angústia que o pequenino experimenta na ausência de sua mãe. Mas, ao contrário do anterior, quando a figura do apego volta, eles tendem a evitá-la. Ou seja, se mostram indiferentes se ela está presente ou não.
  • O inseguro-ambivalente dá sinais de angústia durante todo o procedimento. Assim, na técnica da situação estranha, ele mostra raiva em relação ao seu cuidador, especialmente quando ele está ausente.

Atualmente, o apego da criança não determina completamente a personalidade e a qualidade dos relacionamentos pessoais adultos. Porém, pode influenciar e muito as interações que estabelece em estágios mais altos de seu desenvolvimento. Assim, a partir da década de 60, seu estudo se tornou parte dos pilares mais básicos da psicologia do desenvolvimento.

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