Técnicas expressivas em avaliação psicológica

· outubro 24, 2018

A interpretação psicológica dos desenhos, no âmbito das técnicas expressivas, pode ser um recurso muito interessante na avaliação de determinados casos.

Os testes de desenho podem ser uma valiosa fonte de informações sobre as características pessoais do indivíduo, como a inteligência, a coordenação motora, as habilidades de aprendizagem e o nível de desenvolvimento cognitivo.

As críticas a essas técnicas sempre foram muitas, e têm um certo fundamento. Por isso, e apesar de ser uma ferramenta útil, devemos pensar nelas como um recurso a ser aplicado junto com outras técnicas de avaliação psicológica.

“Todo ato de expressão ou resposta de um indivíduo, de alguma forma, carrega a marca da sua personalidade”.
-Hammer (1978) –

Os aspectos formais das técnicas expressivas

A análise das técnicas expressivas deve começar a partir do momento em que são administradas. Há muitas informações valiosas na forma de iniciá-las, no humor inicial e no grau de dificuldade que representam para a pessoa. Dentro da própria administração, seria bom levar em conta:

  • O tamanho do desenho: fala sobre como nos relacionamos com o ambiente que nos rodeia, sobre a nossa autoestima, nossa energia vital ou a tendência a nos retrairmos. Se nosso desenho ocupa aproximadamente 50% da extensão da folha, sabemos que temos um certo equilíbrio entre extroversão e introversão. Se, por outro lado, nosso desenho ocupa toda a extensão da superfície de desenho, notamos um excesso de autoestima, até mesmo uma certa agressividade. E se o desenho ocupa menos de 20% da folha, pode ser um sinal de insegurança e inibição de impulsos.
  • A projeção e a localização do desenho. Indica introversão se for orientado para o lado esquerdo e extroversão se for orientado para o lado direito. Desenhos localizados no topo indicariam uma tendência para o mundo das ideias com problemas para se adaptar à realidade. Esta é a área da fantasia. Quando crianças, geralmente começamos a desenhar usando esse espaço superior e, à medida que crescemos, a tendência é centralizá-lo. Se é um adulto que usa essa parte da folha, podemos suspeitar de que ele tem uma tendência a buscar satisfações longe da realidade.
  • O traço pode ser outra importante fonte de informação. Os traços fortes corresponderiam a pessoas impulsivas, mas também assertivas; enquanto um traço fraco seria um sinal de timidez e baixo nível de energia. As linhas retas podem indicar uma falta de controle emocional, e as linhas curvas nos falariam de emotividade.
  • Sombreados e borrados no desenho denotariam ansiedade e excesso de incerteza.
  • Outro aspecto interessante é a assimetria, que falaria de insegurança em nossos relacionamentos e em nossa vida emocional.

A análise das técnicas expressivas fornece muitas informações valiosas desde o início da administração do teste.

Desenho de família em sua casa
O teste de desenho da família

É um teste muito popular, especialmente em crianças. Permite conhecer as relações que o indivíduo mantém com outros membros da família. São avaliados aspectos como quem é desenhado primeiro, o tamanho, as proporções, quem está no centro do desenho, etc.

A distância entre as figuras é uma escala que indica o grau de distanciamento emocional que temos com o restante das pessoas representadas no desenho. Quanto mais longe, maior a distância emocional. As figuras em diferentes alturas poderiam ser uma indicação de problemas de comunicação.

A figura humana

Podemos coletar muitas informações através da análise da representação da figura humana e das relações com o simbolismo dos órgãos do corpo e da vestimenta. Este teste é aplicado em crianças, adolescentes e adultos, embora experimentalmente sua eficácia não tenha sido comprovada.

  • Cabeça: quanto maior, mais frustrações intelectuais apontaria.
  • Rosto: está relacionado com as necessidades sociais. Quando é omitido, nos informa de tendências evasivas em nossos relacionamentos. Se forem exageradamente enfatizados, denotam tendências dominantes e agressivas.
  • Olhos: representam a comunicação social. Se são representados muito pequenos, podem ser um indicador de culpa. Se forem exageradamente grandes, podem ocultar tendências dominantes e agressivas. Os olhos fechados denotam desejos de isolamento e, se houver espaço ou estiverem vazios, falam sobre nosso egocentrismo.
  • Nariz: se aparecer sombreado, omitido ou anormalmente agradável, simbolizaria conflitos de natureza sexual.
  • Cabelo: representaria a energia vital, medida pelo volume e a força do traço.
  • Vestuário: se os botões são desenhados, podemos interpretar que há uma busca por afeto e proteção, até mesmo inadaptação. Bolsos grandes são um indicador de conflitos internos. Finalmente, as gravatas e chapéus geralmente reforçam o papel sexual. Em adultos, são interpretados como mecanismos de compensação.

O teste da árvore

O teste da árvore é um paralelo simbólico com o indivíduo que a desenha. É uma das técnicas projetivas que nos ajuda a avaliar o desenvolvimento de quem desenha, suas deficiências cognitivas, possíveis traumas e os conteúdos do seu inconsciente.

Simbologia Espacial:

  • Raízes: representariam o instinto e o conteúdo inconsciente.
  • Tronco: representaria o caráter (o Eu).
  • Copa: é a vida mental. É analisada por sua forma. Se é grande, implica segurança e ambição, se é caída, representa uma falta de vontade. Inclinada para a esquerda, seria introversão; para a direita, autoconfiança.
  • Outros elementos: aqui vamos analisar o todo: as folhas, os frutos, as flores ou os galhos.

Desenho de uma árvore com várias cores

Desenhar uma casa

Quando desenhamos uma casa, estamos dando forma, de alguma maneira, a nossas relações intra-familiares. A chaminé simbolizaria o contato social: se sai fumaça, poderíamos dizer que somos pessoas afetivas.

Se traçarmos um caminho chegando à casa, estaríamos revelando uma necessidade de proximidade para com os outros, e se colocarmos uma cerca em torno dela, estaríamos manifestando um estado no qual estamos particularmente preocupados com a proteção de nossa privacidade.

Existem mais testes derivados desses desenhos básicos dentro das técnicas expressivas, mas basicamente os elementos seriam analisados ​​da mesma forma que a explicada aqui.

Devemos lembrar que as técnicas expressivas, embora sejam muito criativas e divertidas de usar, devem sempre ser combinadas com outros instrumentos de avaliação psicológica.