Tecnopatologias ou doenças 2.0 - A Mente é Maravilhosa

Tecnopatologias ou doenças 2.0

junho 3, 2018 em Psicologia 0 Compartilhados
Tecnopatologias ou doenças 2.0

Tecnopatologia é um termo que se refere aos transtornos mentais, físicos e sociais que estão relacionados com o abuso da tecnologia. Entendamos o contexto no qual se desenvolveram essas tecnopatologias: a incorporação das TIC (Tecnologias da Informação e da Comunicação) na nossa vida cotidiana vem acontecendo de forma tão natural quanto veloz.

Não há dúvida da influência positiva que elas têm sobre o nosso bem-estar, colocando ao nosso alcance serviços que em outras épocas eram extremamente caros, simplesmente impossíveis de serem transportados, ou consumiam uma enorme quantidade do que mais apreciamos: o tempo.

Agora, na palma da nossa mão ou em nossos bolsos, carregamos um instrumento que se tornou imprescindível. Ele facilita um monte de tarefas, desde nos comunicarmos com as pessoas mais próximas de nós até consultar a maior enciclopédia do planeta; observar um mapa mundial com um nível de detalhe que seria fisicamente impossível transportar para um papel, ou medir a nossa atividade física, as calorias que consumimos, lembrar quando devemos beber água…

“A tecnologia é sempre uma faca de dois gumes: ela traz muitos benefícios, mas também muitos desastres.”
-Alan Moore-
Vício em celular

Tecnopatologias: quando o uso das TIC se torna um vício

O que acontece quando não sabemos administrar adequadamente essa considerável oferta de serviços que a tecnologia nos oferece? O que ocorre quando passamos de aproveitar o que a tecnologia nos dá a sermos escravos dela? Felizmente, na maioria das ocasiões, não nos deparamos com um transtorno; ou seja, não existe uma dependência patológica das TIC, mas é necessário estar alerta diante dos primeiros sinais que notarmos.

“As tecnopatologias se referem aos transtornos mentais, físicos e sociais que têm relação com o abuso das tecnologias.”
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Estamos indo em direção a um mundo repleto de tecnopatologias?

O abuso ou o uso inadequado é a forma de nos relacionarmos com as tecnologias em que, seja pela quantidade de tempo, pela frequência ou pelo uso, surgem consequências negativas para o usuário e ao seu redor. Estes são alguns sinais de alerta que devemos levar em conta na hora de reconhecer que existe um vício nas tecnologias:

  • Para conseguir se satisfazer, a pessoa aumenta a quantidade de tempo no qual precisa estar conectada.
  • Existe incapacidade de concentração nas tarefas cotidianas com a interrupção por mensagens, emails e a necessidade contínua de “estar conectado”.
  • É evidente a mudança dos hábitos de vida estritamente relacionados com o vício, o que aumenta o desejo de continuar conectado. Se não consegue atingir aquilo que é necessário para alimentar o vício, a pessoa pode chegar a um estado de ansiedade e estresse.
  • O pensamento fica distorcido e influenciado pela conduta viciante e é criada uma espiral de consumo. Além disso, podem surgir alterações afetivas, já que essas pessoas não conseguem mais tolerar determinadas emoções e há dificuldade de identificarem ou interpretarem os próprios sentimentos.
  • Podem chegar a abandonar atividades ou obrigações. Essas pessoas procuram desculpas para permanecer mais tempo conectadas (absenteísmo no trabalho, perda de parceiro ou amigos).
  • Ocorrem situações de autoengano sobre o tempo e frequência da conexão. A pessoa pode sofrer de confusão entre a vida virtual e a real, descaracterizando o conceito de prioridades.

Casal falando no celular

Conselhos para prevenir o vício, a mais comum de todas as tecnopatologias

Se você já se perguntou se pertence ao grupo dos “ligados” às tecnologias, procure seguir esta série de recomendações para manter uma boa saúde digital.

  • Estabeleça um momento e um horário para utilizar o celular ou qualquer outro dispositivo. Se você vai jogar videogame, pode estabelecer uma hora concreta para o término. Dessa forma, você pode reservar um tempo para retornar ligações ou mensagens.
  • Concentre as suas ideias ou respostas em uma só mensagem. Pense no que você quer expressar e trate de resumi-lo em uma única conversa.
  • Limite o número de aplicativos. É melhor termos ao nosso alcance os aplicativos que utilizamos com frequência, já que se baixamos muitos, nossos dispositivos ficam lentos, com a consequente perda de tempo.
  • Evite o isolamento social por culpa das tecnologias. Aproveite o seu tempo livre e relacione-se com pessoas.
  • Respeite o tempo dos demais. Não faça ligações ou pegue o telefone quando você está acompanhado. Não coloque o celular sobre a mesa durante o almoço ou jantares para evitar tentações.
  • Procure não deixar que as redes sociais o fisguem. Participe dos grupos que você acredita que são imprescindíveis e questione-se se é necessário responder ou opinar sobre tudo o que se escreve.
  • Evite que as tecnologias roubem horas de sono e descanse corretamente. Tente, na medida do possível, não ter aparelhos eletrônicos no seu quarto.

Não há dúvida de que vivemos na sociedade da informação e da comunicação, mas nos informarmos e nos comunicarmos não são as nossas únicas necessidades. Mantenha um equilíbrio, de forma que a preocupação em cobrir essas duas atividades, mais exigentes devido à tecnologia, não termine impedindo a realização de outras de maior ou mesma importância. Assim, está nas nossas mãos transformar a tecnologia em um instrumento que aumente a nossa qualidade de vida, impedindo, através do controle de seu uso, que esse se converta em aquilo que acabe com ela.

“O verdadeiro perigo não é que os computadores começaram a pensar como os homens, mas que os homens começaram a pensar como os computadores”.
– Sydney J. Harris-
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