Um término amoroso não é um fracasso - A Mente é Maravilhosa

Um término amoroso não é um fracasso

março 11, 2017 em Psicologia 1164 Compartilhados
Um término amoroso não é um fracasso

Talvez você tenha passado por um término amoroso há pouco tempo, depois de milhares de dúvidas, de várias reconciliações e de acumular momentos de tristeza que pareciam impossíveis de restabelecer. A saída de um relacionamento costuma ser um momento de sentimentos desencontrados, não porque ainda exista mais ou menos amor, mas porque significa deixar para trás uma etapa da vida, como também aconteceu com outras. Infelizmente um desses sentimentos costuma ser o de fracasso.

Então, não é de estranhar a mistura de nostalgia daquilo que se perdeu com certo entusiasmo pela coragem de ter deixado para trás uma situação que já pesava na vida. Então, podem ser momentos de verdadeira confusão onde damos um passo para a frente, e dois para trás, outros dois para a frente, até que finalmente conseguimos sair.

Terminar um relacionamento amoroso costuma ser sinônimo de quebrar a estabilidade, já que por mais intermitente que ele fosse como ponto de apoio em nossas próprias mentes, não deixávamos de contar com ele para nossos próprios projetos. Projetos que em parte podem ter sido quebrados com o fim do relacionamento, outros sobreviverão mas envolverão outras pessoas, ou não.

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O sentimento de fracasso quando o término acontece

Um dos sentimentos mais comuns nas pessoas que acabam de passar por um término amoroso é a sensação de fracasso. Tinham feito juras de amor eterno e de repente se encontram com um vazio onde essas palavras fazem um eco muito poderoso. É o eco do medo, e da raiva também.

Quando se forma um casal, o mais comum é que as duas pessoas invistam muito para que o vínculo cresça rápido e forte. É um investimento onde primam a esperança, os detalhes e a vontade do tempo juntos. Um tempo que nunca parece ser suficiente, de fato é das poucas coisas para as quais a fartura não tem por que deixar indisposição.

Quando o tempo passa, a situação se estabiliza e os dois começam a puxar as cordas que antes estavam frouxas, dando lugar às primeiras tensões. Ninguém pode sobreviver muito tempo na primeira fase que descrevemos anteriormente, já que é um período no qual a balança onde colocamos as facetas das nossas vidas se desequilibra totalmente. O companheiro, os amigos e outros projetos pessoais são colocados de lado, e com a normalização do relacionamento chega o momento de se recuperarem em parte.

Contudo, dentro deste segundo período, embora o investimento seja menos intenso, continua existindo. Já não é tanto dar ou oferecer, mas sim construir juntos. Esta edificação cria por sua vez laços de interdependência que irão dificultar qualquer separação. Podemos falar de uma casa ou uma dívida, mas também estão as famílias de cada um, a viagem programada para o verão ou a festa à qual iriam juntos.

Quebrar estes laços é o que justamente aguça o sentimento de fracasso: nos lembram de que participávamos de um projeto que desvaneceu. Este sentimento de fracasso é o que faz, por exemplo, com que um casal demore para comunicar que se separou, apesar de já estarem há tempos sem construir juntos.

Também é fácil o sentimento de fracasso vir acompanhado de uma deterioração da autoestima, especialmente nas pessoas que não tomaram a decisão. Podem sentir que não são suficientemente bons para serem aceitos como companheiros pela outra pessoa, e podem generalizar este pensamento para outras áreas que são suscetíveis de avaliação, como rendimento no trabalho.

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Se olharmos nosso relacionamento de outra forma, o sentimento de fracasso não aparecerá

Então, o sentimento de fracasso é lógico nesta forma de conceber um relacionamento. Uma forma herdada historicamente de gerações anteriores onde a separação era vista com receio, quando não com certo repúdio, por parte da sociedade. Também faz parte da nossa forma de vida, no sentido de que muitas das nossas ações presentes estão condicionadas por pretensões futuras. Um futuro que, obviamente, ninguém pode assegurar.

É curioso, porque quando o tempo passa e o luto é superado costumamos lembrar os momentos bons desse relacionamento, e não tanto os ruins. Somos capazes de dar um sentido que antes provavelmente teria nos ajudado. É o sentido de que um relacionamento vale a pena pelo que traz, e não pelo que dará.

Vale a pena pelos passeios compartilhados, pelos jantares feitos com carinho, pelas surpresas mais bobas ou pelo nervosismo antes de conhecer os sogros. Provavelmente você apostou muito para que isso desse certo, mas pense de verdade se isso que você deu de si, a relação não lhe devolveu também. Sim, a relação, não a outra pessoa. Talvez nunca tenha preparado uma surpresa para você, mas você não demorou tanto para preparar as que fez, talvez nunca tenha ido pegar você no trabalho mas… não era bom quando você ia buscá-lo?

Ver o relacionamento desse ponto de vista não apenas evita que apareça um sentimento de fracasso em caso de término, mas também nos motiva e nos estimula através de alguma coisa que nós mesmos controlamos. Essa alguma coisa não é outra senão o prazer de sentir como o outro está protegido com o nosso próprio casaco, quando nós mesmos trememos de frio. Essa alguma coisa não é outra senão o que fazemos e está em nossas próprias mãos, assim como seguir em frente caso o relacionamento acabe.

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