Thomas Szasz, o psiquiatra mais revolucionário

· junho 14, 2018

O nome de Thomas Szasz desperta todos os tipos de paixões no mundo da psiquiatria. Ele é amado e odiado. Reverenciado e questionado. Não é para menos. Suas ideias se tornaram uma verdadeira revolução durante os anos 60.

Thomas Szasz nasceu em Budapeste (Hungria) em 1920. Quando tinha 18 anos, sua família se mudou para Nova York (Estados Unidos), porque era judia e precisava escapar da perseguição nazista. Ele sempre se destacou por ser um excelente aluno. Primeiro obteve um diploma em Física e, em seguida, se formou como médico na Universidade de Cincinnati.

“A praga da humanidade é o medo e a rejeição da diversidade: o monoteísmo, a monarquia, a monogamia. A crença de que há apenas uma maneira correta de viver, apenas uma maneira de regular o direito religioso, político, sexual, é a causa da maior ameaça para o ser humano: os membros de sua própria espécie, determinados a garantir sua salvação, segurança e sanidade”.
-Thomas Szasz-

Aos 30 anos, Thomas Szasz também obteve seu diploma como psicanalista. Foi concedido pelo Instituto de Psicanálise de Chicago. Depois, tornou-se professor emérito de psiquiatria na Universidade de Syracuse (Nova York). Também foi nomeado membro vitalício da Associação Americana de Psiquiatria.

Thomas Szasz e o mito da doença mental

O que catapultou Thomas Szasz para a fama internacional nas ciências comportamentais foi a publicação de seu livro O Mito da Doença Mental. Desde que foi publicado, este trabalho se tornou objeto de uma profunda polêmica que ainda permanece.

O funcionamento do cérebro

Thomas Szasz começou criticando o que é considerado a bíblia da psiquiatria, ou seja, o DSM. Isso é, o manual em que todas as doenças mentais são descritas, de acordo com a conceituação da Associação Americana de Psiquiatria. Nele também são classificados, definidos e apontados os tratamentos para esses transtornos mentais.

Pelo DSM passaram “doenças” como a homossexualidade, o divórcio, os crimes e uma longa lista que só causaria riso, se não fosse porque a partir dela milhões de pessoas no mundo foram submetidas a tratamento médico. Thomas Szasz criticou fortemente este manual. Na verdade, ele disse que era uma invenção sem qualquer base científica.

A psiquiatria como meio de controle social

A tese mais controversa de Thomas Szasz é a de considerar a psiquiatria não como uma ciência, mas como um meio de controlar a sociedade. Em seu trabalho central e ao longo de sua vida, ele repetiu esse postulado repetidas vezes. Argumentou que a própria doença mental é algo que não existe como tal.

Afirmou que a mente não é algo físico e não adoece. O que acontece é que existem alguns comportamentos que a sociedade se recusa a tolerar. Esses comportamentos são chamados de “doenças”. Então, colocam todo o seu esforço em fazer com que o indivíduo não se comporte de uma maneira original, mas como a maioria faz. Chamam isso de “normal”.

Thomas Szasz também disse claramente que a psiquiatria não diagnostica, mas estigmatiza. Ele foi um crítico contundente da “invenção” de doenças infantis, tais como o famoso déficit de atenção ou a hiperatividade.

Uma revolução na psiquiatria e na política

Outro dos focos de questionamento de Thomas Szasz foi a política de drogas. Indicou que o Estado indica à sociedade quais drogas psicoativas podem ser tomadas e quais não podem. Desta forma, legaliza medicamentos psiquiátricos e proíbe substâncias como a maconha. Isso ocorre embora esteja cientificamente provado que o uso e abuso de drogas psiquiátricas tem consequências piores do que as de algumas substâncias proibidas.

Medicamentos para o cérebro

Dessa maneira, Thomas Szasz se juntou ao movimento conhecido como “antipsiquiatria“. Esse movimento foi criado no final dos anos 50 por David Cooper e Ronald Laing. Também contava entre seus seguidores com grandes intelectuais como Michel Foucault, Franco Basaglia e Ramón García. Mas, sem dúvida, Thomas Szasz lhe deu um alcance muito maior.

Em última análise, Thomas Szasz foi um extraordinário defensor da liberdade individual. Também dos direitos dos cidadãos, que muitas vezes são limitados a aqueles que são rotulados como “doentes mentais”. Estes, ao longo da história, têm sido submetidos a todos os tipos de exclusões e vexames para, aparentemente, serem tratados e levarem uma vida mais “normal”.

O pensamento de Thomas Szasz ainda é válido. Em todo o mundo a escola norte-americana do DSM foi imposta. No entanto, em todo o mundo os métodos da psiquiatria biológica continuam se mostrando muito limitados para tratar os distúrbios que eles mesmos definem. Certos ou não, suas abordagens não devem ser negligenciadas.