A tomada de decisão com mindfulness

· outubro 3, 2018

Muitas vezes tomar decisões não é algo fácil. Surgem dúvidas ou temores que nos fazem repensar aquilo que está acontecendo em nossas vidas e que, de algum modo, fazem com que fiquemos em uma posição difícil que exige uma tomada de decisão para continuar ou mudar o caminho. Como saber qual é o caminho correto? Como identificar os momentos em que cometemos erros? A prática do mindfulness pode nos ajudar.

As últimas pesquisas no campo do mindfulness indicam que essa prática e as diversas técnicas que ela engloba podem ter um efeito muito positivo na tomada de decisão. Fazer escolhas com mindfulness é um processo consciente no qual nossa atenção se foca no presente e desligamos o nosso piloto automático, proporcionando muitos benefícios a longo prazo.

“Que suas decisões reflitam suas esperanças, não seus temores”.
-Nelson Mandela-

Sem tomada de decisão, não há vida

Buda nos ensinou que o sofrimento é originário da ignorância, surgindo através de erros ilusórios e delírios. Se entendermos isso, vamos compreender que a mente tem sua própria realidade. Portanto, para liberar a mente do sofrimento temos que conhecer a realidade da forma como ela realmente é.

Desse modo, uma das ferramentas mais potentes para o desenvolvimento dessa visão profunda de que precisamos é o mindfulness, ou a atenção plena. Ela é uma prática que nos ajuda a nos tornar conscientes momento a momento, que nos ensina a prestar atenção ao que está acontecendo, e claro, também a focar em como estamos nos sentindo diante de cada situação.

Segundo um estudo publicado na revista Psychological Science, 15 minutos de meditação focada na respiração ajuda a tomar decisões melhores.
Meditar em meio à natureza

O mindfulness nos ajuda a ir pouco a pouco desde a superfície até as profundezas de nossa mente. Inclusive se a nossa mente está absolutamente nublada, por mais nuvens que existam, essa técnica ajuda a luz a entrar pelas frestas.

É por isso que recomendam tanto o mindfulness para melhorar a tomada de decisão, já que a técnica nos ajuda a ver de forma mais clara o que fazer, de que somos capazes e como reagir da maneira adequada. Claro que não é fácil ser consciente e, por isso, é necessária muita prática.

Por meio da respiração consciente aprendemos sistematicamente a colocar a atenção no presente e a receber tudo que surge na nossa mente sem julgar, sem alimentar, sem se violentar. O treinamento para ser consciente não é diferente de qualquer atividade ou habilidade que tenhamos aprendido antes, como cozinhar, andar, ler ou praticar algum esporte.

Na verdade, quanto mais prática, mais habilidade teremos nessa tarefa. Pouco a pouco os momentos conscientes vão aumentando em quantidade, até ficarmos dias conscientes, semanas conscientes, meses conscientes, anos conscientes…

“Qualquer decisão, inclusive a decisão errada, é melhor que decisão nenhuma”.
-Ben Horowitz-

As decisões que tomamos nos definem

O processo de tomada de decisão se desenvolve em quatro fases. Em cada uma delas, a prática de mindfulness se demonstrou muito útil, proporcionando efeitos positivos. Vejamos a seguir.

A tomada de decisões com mindfulness é um processo mais claro e livre de rigidez cognitiva.

Delimitar a indecisão

A prática do mindfulness favorece que sejamos proativos pois nos ajuda a identificar o momento em que a decisão deve ser tomada ou, pelo contrário, se ela não é necessária no momento. Tudo isso é possível através da busca da clareza dos nossos objetivos, da geração de possibilidades, da evitação da escalada irracional de culpa por decisões anteriores, assim como do reconhecimento da dimensão ética da decisão que deve ser tomada.

Alguns estudos afirmam que as pessoas que praticam mindfulness e fazem pausas para refletir e escutar a si mesmos também são mais conscientes de seus princípios éticos. Assim, a tomada de decisão com mindfulness geralmente gera decisões em consonância com nossos valores. Pelo contrário, as pessoas que não conseguem vincular suas decisões com seus objetivos e principais valores podem se ver indo para lugares aos quais não queriam estar indo.

Coletar informação

Essa fase implica a busca da informação necessária para tomar a decisão correta. Dois aspectos importantes são a quantidade e a qualidade da informação recolhida. Já se sabe que ao praticar mindfulness desenvolvemos uma maior tolerância em relação à incerteza, e isso permite ser mais tranquilo ao tomar uma decisão apesar das dúvidas que inevitavelmente surgem.

Desse modo, a tomada de decisão com mindfulness é um exemplo do reconhecimento dos limites do próprio conhecimento e da amplitude das situações, sempre marcadas pela incerteza.

“Cada momento é um momento de decisão, e cada momento nos move inexoravelmente em direção a nossas vidas”.
-Mary Balogh-

Meditar na natureza

Chegar a uma conclusão

Por outro lado, o mindfulness nos ajuda a examinar e quantificar a discrepância entre a intuição e a análise sistemática que realizamos ao tomar decisões. Isso implica se distanciar das emoções e dos pensamentos para ter uma perspectiva melhor e mais clareza, separando a informação relevante da irrelevante e sendo menos propenso a acreditar em estereótipos.

Chegar a uma conclusão inclui implementar uma decisão. Alguns estudos mostram que as pessoas que praticam mindfulness têm uma probabilidade menor de ser vítimas dentro da “brecha de intenção de comportamento”. Ou seja, de passar por uma desconexão entre saber o que precisa ser feito e de fato fazê-lo. Desse modo, o mindfulness reduz a rigidez cognitiva e a tendência de tomar decisões fazendo uso de padrões de pensamento automáticos que nunca sairão da nossa mente para o mundo real.

Aceitar a retroalimentação

Essa última fase é uma etapa muito importante do processo. Aceitar erros pode parecer muito difícil em alguns momentos. A atenção plena pode nos ajudar para que isso se torne um pouco mais simples reduzindo as tendências defensivas da nossa mente, abrindo-a para o feedback negativo e promovendo a coragem e a resiliência.

Desse modo, as pessoas mais conscientes ou atentas têm uma maior probabilidade de aprender com as experiências passadas. Além disso, é mais fácil se desenganchar das garras do ego sendo mais abertos à retroalimentação da mente pelas experiências negativas.