Tratamentos psicológicos indicados para o alcoolismo

agosto 17, 2019
Neste artigo, apresentaremos uma variedade de tratamentos psicológicos eficazes indicados para o alcoolismo. Os dois grandes grupos se concentram na abstinência ou no controle da bebida, e são escolhidos com base no tipo de paciente.

A maioria dos tratamentos psicológicos indicados para o alcoolismo se baseia no modelo cognitivo-comportamental. Ele assume que esta substância é um poderoso reforçador capaz de manter a autoadministração do álcool.

Assim, o modelo cognitivo-comportamental oferece uma alternativa à abordagem clássica do alcoolismo como doença e, portanto, ao modelo médico.

O objetivo final dos tratamentos psicológicos indicados para o alcoolismo é diminuir a preferência da pessoa pelo álcool. Assim, aumentam a sua preferência por outras atividades que permitam manter um funcionamento adaptativo a longo prazo.

Outro objetivo poderia ser, dependendo do paciente, dos seus recursos pessoais e do ambiente familiar ou social, treinar um uso não problemático da substância. É o que tem sido chamado de ‘beber de forma controlada’.

Atualmente, nos tratamentos psicológicos para o alcoolismo, podemos diferenciar dois grandes blocos de intervenção. Existem aqueles que visam a abstinência e aqueles que visam atingir o consumo não perigoso, de forma controlada. Vamos descrevê-los abaixo.

O modelo comportamental visa mudar comportamentos que estão diretamente relacionados ao consumo de álcool. Dessa forma, a responsabilidade pelo seu problema é atribuída ao indivíduo e, portanto, a responsabilidade pela sua mudança também.

Tratamentos psicológicos para o alcoolismo

Tratamentos psicológicos indicados para o alcoolismo orientados à abstinência

Entre os tratamentos psicológicos indicados para o alcoolismo que visam impedir o paciente de beber, a revisão científica indica os seguintes:

Treinamento em habilidades sociais ou autocontrole

É usado em pacientes que não possuem habilidades interpessoais e intrapessoais adequadas ou que não conseguem controlar o seu estado emocional se não for através do álcool.

Foi observado que os viciados consomem menos álcool se, em uma situação social estressante, dispuserem de uma estratégia de enfrentamento alternativa.

Um exemplo poderia ser o manual de Monti e colaboradores (2002). Ele fornece estratégias sociais tanto para o paciente quanto para sua rede de apoio, sem recorrer ao consumo.

Abordagem de reforço comunitário

O paciente é orientado a mudar o estilo de vida relacionado ao consumo da substância. Além disso, inclui técnicas como a resolução de problemas, terapia comportamental familiar, aconselhamento social e treinamento para a busca de emprego.

Também pode ser usada para a estratégia de beber de forma controlada.

Terapia Comportamental Marital

Consiste em fazer com que o consumo de álcool deixe de ser um reforçador para que a abstinência seja a meta.

Para isso, é necessário o envolvimento em atividades agradáveis, especialmente aquelas que não envolvem beber, juntamente com o companheiro.

Um exemplo poderia ser o Programa Sisson e Azrin. Eles visam ensinar aos membros não-alcoólatras maneiras de reduzir os abusos físicos, estimular a sobriedade e procurar tratamento.

Terapia aversiva

O objetivo é reduzir ou eliminar o desejo do indivíduo pelo álcool. Estímulos ou imagens diferentes são usados ​​para que uma resposta condicionada negativa seja alcançada para os sinais relacionados à bebida (cor, cheiro…).

Diferentes estímulos aversivos foram usados, desde o clássico choque elétrico com Kantorovich em 1929 até a aversão química ou por meio da imaginação.

Um exemplo desse tratamento poderia ser a ‘sensibilização encoberta’ proposta por Cautela em 1970. Geralmente, 8 sessões são suficientes para obter resultados.

Prevenção de recaídas

O mais conhecido é o de Marlatt e Gordon. O cliente é desafiado a se responsabilizar pela sua mudança de comportamento e, portanto, pela manutenção da referida mudança, uma vez obtida.

Além disso, a prevenção de recaídas deve levar em consideração o aumento de suas estratégias de enfrentamento em situações de estresse de alto risco.

Tratamentos orientados para ‘beber de forma controlada’

Eles são usados ​​quando a pessoa não quer alcançar a abstinência completa ou não tem problemas físicos. O programa mais representativo deste grupo de tratamentos psicológicos no alcoolismo é o de Sobell & Sobell.

O Programa Sobell & Sobell visa garantir que os bebedores problemáticos não se tornem crônicos.

Portanto, enquadra-se numa abordagem de autogestão, já que o objetivo é fazer uma breve intervenção, na qual o indivíduo coloca em prática muitas das estratégias que lhe são ensinadas.

Estes bebedores costumam ser jovens, com um bom nível educacional, empregados, com poucos episódios graves de síndromes de abstinência de álcool, com histórico de abuso de cinco a dez anos. Além disso, possuem recursos pessoais sociais e econômicos, não parecem diferentes das outras pessoas e são capazes de fazer mudanças importantes em suas vidas.

Homem viciado em álcool

O programa de Sobell & Sobell dura quatro semanas e é realizado em nível ambulatorial. Portanto, não é muito intensivo na clínica, mas tem bastante ‘lição de casa’. Ele pretende que a pessoa finalmente produza a sua própria mudança.

Suas recomendações incluem não consumir mais de 3 unidades de bebida por dia e não beber mais de 4 dias na semana, com o objetivo de reduzir o nível de tolerância ao álcool.

Além disso, outros pontos são não beber em situações de alto risco, não beber mais de uma unidade de bebida por hora, e atrasar o tempo entre a decisão de beber e beber em 20 minutos.

É um programa no qual o treinamento em resolução de problemas e prevenção de recaídas torna-se muito importante. Dessa forma, a pessoa delimita as situações relacionadas com o consumo em sua vida e desenvolve estratégias para lidar com elas.

Conclusão

Tanto para a abstinência completa quanto para o consumo controlado, o objetivo final é que o paciente aprenda estratégias alternativas que limitem os seus impulsos de ingerir álcool.

Isso pode ser alcançado aprendendo habilidades sociais para dizer não às pessoas que nos incentivam a beber, ou resolvendo com eficiência os problemas que, anteriormente, eram enfrentados com o álcool.

O objetivo é se livrar do vício e iniciar um caminho no qual, apesar de sentirmos um desconforto inerente, podemos nos concentrar e lidar de forma mais eficaz com os problemas que surgem.

Neste sentido, o programa de consumo controlado é de grande importância atualmente, devido ao aumento de jovens que enfrentam os seus problemas e emoções bebendo excessivamente nos finais de semana.

É fundamental garantir que esses jovens não se tornem bebedores patológicos e aprendam maneiras eficazes de administrar as suas vidas que não envolvam o uso de drogas.

  • Vallejo, P, M.A. (2016). Manual de Terapia de Conducta. Editorial Dykinson-Psicología. Tomo I y II