Tricotilomania na infância: transtorno de puxar o cabelo

· setembro 4, 2018

Algumas pessoas têm uma necessidade irresistível de puxar os cabelos ou pelos de diferentes partes do corpo. As consequências físicas imediatas são perda de cabelo significativa e perceptível, o que faz com que tenham falhas em diferenças áreas (cabeça, sobrancelhas, cílios…). Em idades precoces, a tricotilomania na infância pode ser um transtorno particularmente problemático.

Entretanto, é importante fazer o diagnóstico diferencial com algumas doenças dermatológicas (por exemplo, com alopecia) ou com outros tipos de problemas clínicos que possam explicar a existência desses “buracos” no cabelo ou nos pelos do paciente.

Características clínicas na infância

  • Estima-se que a prevalência em crianças seja entre 0,6% e 6%, embora varie de acordo com a idade.
  • Há maior incidência entre crianças de dois a seis anos de idade.
  • O prognóstico é melhor quanto menor for a idade de início.
  • A parte mais afetada pelos puxões é geralmente a cabeça, especialmente as partes temporal, frontal e parietal combinadas. Mas a tricotilomania na infância também pode ser direcionada para outras partes do corpo, como sobrancelhas, cílios, axilas ou até mesmo a região íntima.
  • Quando o cabelo é puxado, as crianças costumam brincar com ele. Muitos escolhem fazer pequenos tufos ou bolas para brincar. Outros os colocam em suas bocas. Alguns os quebram em pelos menores, enquanto outros simplesmente fazem pilhas e depois jogam fora, por medo de serem punidos pelos pais.
  • Em algumas ocasiões, esse distúrbio é acompanhado por tricofagia: comer o cabelo. Isso, além de aumentar a gravidade, pode causar complicações digestivas de natureza muito diversa. Desde obstruções severas até náuseas e vômitos.

Criança estressada

Idade de aparição

Se ocorrer na primeira infância, tende a se desencadear antes dos 2 anos ou a partir dos 3 ou 4 anos. Durante essa etapa de desenvolvimento, os puxões no cabelo são geralmente considerados pela criança como hábitos simples, assim como chupar o dedo. Isso porque elas não estão cientes de sua compulsão.

Momento de aparição

É comum surgir em períodos de tensão familiar (pais em períodos de separação, processos de divórcio, discussões constantes…) ou quando estão relaxadas (na cama), entediadas ou cansadas. Por essa razão, e entre outras coisas, é tão importante estimular as crianças para evitar que elas desenvolvam automatismos prejudiciais à sua saúde física e psicológica.

Nos adultos, esse distúrbio pode ser resultado de uma situação de tensão, ansiedade e estresse. De acordo com o chamado modelo “automático”, que responde por 75% dos casos, também pode ocorrer diante do cansaço, tédio ou em situações sedentárias (assistir televisão, dirigir, estudar…).

Assim, em função do grau de consciência durante o ato de puxar o cabelo, é possível distinguir entre os pacientes cujas ações são mais conscientes e têm uma natureza mais compulsiva em resposta a estados emocionais negativos. Ou aqueles que fazem isso automaticamente, sem estarem conscientes, possivelmente durante atividades sedentárias.

Causas da tricotilomania na infância

Não há uma causa única que possa explicar esse distúrbio. Elas são múltiplas, dependem de cada pessoa e podem abranger um conjunto de fatores psicológicos, genéticos, biológicos ou ambientais.

Assim, pode ocorrer em crianças cujos pais já sofreram com o transtorno, devido a uma falta ou um excesso de um determinado neurotransmissor, ou ser simplesmente uma consequência de variáveis ​​externas, tais como tensão familiar, estresse, depressão ou um estado de privação emocional, por exemplo.

Criança com tricotilomania

Como detectar

Em qualquer caso, a presença de alopecia em certas áreas do couro cabeludo geralmente provoca isolamento na criança ou complexo por parte da mesma. Além disso, há graves lesões dermatológicas ou infecciosas nessas áreas pouco povoadas que podem se tornar realmente preocupantes se o distúrbio não diminuir. É por isso que é tão importante que os pais saibam detectar a tricotilomania.

Além da aparência irregular do cabelo, essas crianças podem ter obstruções intestinais, desconforto ou dor de estômago aguda. Da mesma forma, os puxões ou contorções de cabelo que eles fazem são evidentes, ao mesmo tempo em que negam que estejam fazendo isso. Eles tendem a apresentar uma tensão crescente antes de puxar o cabelo e ter outros comportamentos de agressão em relação a si mesmos.

Tratamento

Normalmente, a tricotilomania na infância perde intensidade antes que a criança comece a escola. Para isso, é fundamental que os pais oferecem apoio e se conscientizem sobre a condição do filho, para que eles possam ajudar e facilitar o abandono do puxão de cabelo.

Em outras situações, o tratamento pode ser farmacológico e psicológico, principalmente por meio de terapias cognitivo-comportamentais. O objetivo desta última opção é eliminar o hábito, fortalecendo outros comportamentos alternativos incompatíveis com o distúrbio e muito mais adaptativos e apropriados.