O uso terapêutico das novas tecnologias

· novembro 13, 2017

Elas definitivamente transformaram a nossa forma de viver, os nossos hábitos e os nossos costumes, mas você já parou para pensar no uso terapêutico das novas tecnologias?

Agora não somos capazes de sair de casa sem o nosso smartphone e conferimos constantemente e nosso e-mail e as nossas redes sociais. As novas tecnologia chegaram para ficar, entre outros motivos porque já estamos construindo partes das nossas vidas em torno dessas ferramentas.

Há muitas pessoas nostálgicas que renegam essa nova forma de comunicação e tudo o que ela envolve. No entanto, uma coisa é inegável: com as novas tecnologias, a nossa qualidade de vida pode ser – e não necessariamente já é – muito melhor. No campo da psicologia, o uso terapêutico das novas tecnologias está cada vez mais presente.

Em algumas situações, elas são utilizadas porque reduzem os gastos, porque permitem conciliar a terapia com a vida de pacientes muito ocupados ou que viajam constantemente ou, ainda, porque com elas podemos simular diferentes situações de exposição dos seres humanos com um grande controle das características dessas situações. Nesse sentido, as ferramentas tecnológicas dentro da psicologia estão começando a ser aplicadas para fazer terapia com diferentes transtornos, como as fobias, o Alzheimer, os transtornos de ansiedade ou os transtornos obsessivo-compulsivos.

Simulador de voo

O uso terapêutico das novas tecnologias no tratamento de fobias

Na perspectiva da corrente psicológica cognitivo-comportamental, uma das estratégias para “tratar” as fobias é a exposição ao elemento objeto da fobia. No caso de algumas fobias a exposição real pode ser complicada ou muito perigosa, mas o uso terapêutico das novas tecnologias pode simular essa situação. Em relação à fobia de voar, por exemplo, são usados simuladores de voo muito semelhantes aos utilizados pelos pilotos nas suas práticas.

A realidade virtual pode ser uma forma útil de realizar aproximações sucessivas ao objeto ou à situação da qual se tem medo. É possível aplicar essa estratégia com fobias de animais, de lugares altos ou de falar em público. Cada vez mais são utilizados esses tipos de estratégia graças ao fato de que a tecnologia nos permite situações de imersão no mundo virtual cada vez mais realistas.

Outra vantagem da sua utilização é a possibilidade de continuar a terapia em casa. Mesmo que a tecnologia não substitua um terapeuta, é possível mandar “tarefas” para serem feitas em casa. Esse é um recurso que pode ser econômico no que se refere ao tempo e, às vezes, ao dinheiro, como pode ser a utilização de um simulador de voo. Essa não é a única ferramenta utilizada para enfrentar as fobias, mas pode ser um bom complemento à terapia.

Estimulação cognitiva no computador

A estimulação cognitiva é um tipo de intervenção que tem como objetivo exercitar as funções cognitivas. Pode-se utilizar essa estratégia para reforçar ou melhorar as funções que são afetadas devido a alguma patologia. Normalmente, é utilizada em demências, sendo a memória, a linguagem ou as funções cognitivas os aspectos mais trabalhados.

Foi desenvolvida uma grande quantidade de programas de estimulação cognitiva com o uso de tablets e computadores. No início, as demências eram o principal objetivo, mas hoje em dia são aplicadas em outras patologias, como o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, o acidente vascular cerebral ou os traumatismos cranioencefálicos. Esse tipo de programa é muito versátil e permite uma personalização das tarefas com um baixo custo.

Para determinadas parcelas da população, como a que é composta pelos idosos, utilizar novas tecnologias é uma forma de estimulação em si mesma, já que eles precisam se familiarizar com o uso delas. São vários os estudos científicos que apoiam o uso da estimulação cognitiva com novas tecnologias e estas são utilizadas em muitas casas de repouso, apresentando resultados positivos.

Pessoa pensando nas suas redes sociais

Perspectivas de futuro para o uso terapêutico das novas tecnologias

Como tudo o que nos rodeia, a tecnologia promete estar cada dia mais presente no campo das terapias psicológicas. Por exemplo, hoje em dia há psicólogos que oferecem sessões de terapia por Skype ou já existem aplicativos específicos desenvolvidos para mantermos um registro do nosso estado de espírito. No mercado, é possível encontrar vários aplicativos que prometem contribuir com a nossa saúde mental. Nesse sentido, o mais importante frente a essa oferta crescente é saber identificar quais podem ser úteis para a nossa vida.

Nem todos os aplicativos cumprem com a promessa inicial de melhorar a nossa saúde mental. Na hora de utilizar esse tipo de ferramenta, é importante procurar estudos que apoiem o que querem nos vender. Em todo caso, um aplicativo nunca poderá substituir um profissional. Eles podem ser úteis como ferramentas ou recursos, facilitadores ou potencializadores dos efeitos de uma terapia, mas nunca serão o mesmo que um psicólogo.

Finalmente, vale destacar o papel da tecnologia na administração de testes psicométricos. Nesse sentido, a tecnologia pode agilizar bastante a fase de análise. A vantagem desses testes informatizados é que eles dão o resultado imediatamente. Dessa maneira, o psicólogo não precisa mais corrigir o teste, apenas interpretar os resultados e relacioná-los com os de outros testes ou instrumentos de avaliação. Assim, o profissional pode dedicar esse tempo extra para realizar uma avaliação mais precisa.