Viktor Frankl: a biografia do renomado pai da logoterapia

A biografia de Viktor Frankl: o pai da logoterapia

julho 14, 2017 em Psicologia 566 Compartilhados
Viktor Frankl: a biografia do pai da logoterapia

Muitos não sabem como rotular Viktor Frankl: um herói, um mártir ou um pensador? A verdade é que ele tem muito de cada um deles. Ele foi um herói porque enfrentou corajosamente várias das piores adversidades que um ser humano pode viver. Ele também foi um mártir, porque mesmo podendo escapar do sofrimento decidiu ficar e sofrer com sua família os horrores de uma guerra atroz. E, da mesma forma, foi um grande pensador, que deixou uma grande herança para a humanidade: a logoterapia.

Viktor Frankl foi um desses seres humanos que conseguiram viver no meio das maiores misérias humanas e saíram intactos. Era um médico e psiquiatra austríaco, que nasceu em uma família de classe média em 1905. Ele tinha dois irmãos, um mais velho e uma irmã mais jovem.

“Quando falamos da incapacidade de mudar uma situação, enfrentamos o enorme desafio de mudar a nós mesmos”.
-Viktor Frankl-

Viktor cresceu em um lugar tranquilo e teve uma infância calma. Ele conta que com 5 anos de idade acordou em sua cama e sem abrir os olhos teve um profundo sentimento de felicidade e proteção. Quando abriu os olhos, seu pai estava ao seu lado, sorrindo.

Durante a sua adolescência, a família viveu os rigores da Primeira Guerra Mundial. As mercadorias ficaram escassas e, então, souberam o que era a escassez e a fome. Nessa época, Viktor Frankl era um leitor ávido, que se correspondia com Sigmund Freud. Ele era apaixonado pelos enigmas da mente humana.

Viktor Frankl e o sentido da vida

Viktor Frankl era apenas uma estudante do ensino médio quando deu a sua primeira palestra na Universidade Popular de Viena e falava sobre “O sentido da vida”. Desde muito jovem se ocupava das perguntas que tentou responder durante toda a sua vida: por que viver, para que viver?

O livro da vida

Embora ele tivesse um grande interesse pela psicanálise, em 1925 ele se afastou de Freud. Ele acreditava que as suas ideias eram muito deterministas. Então, ele começou a acompanhar de perto a “psicologia individual” de Alfred Adler. Depois se interessou pelas teorias de Rudolf Allers e Oswald Schwarz, fundadores da medicina psicossomática.

Desde muito jovem sentia uma grande paixão pela filosofia, especialmente pela corrente existencialista. No entanto, ele decidiu estudar medicina e se especializou em neurologia e psiquiatria. De 1933 a 1937 trabalhou como psicoterapeuta na Clínica Psiquiátrica da Universidade de Viena. Em 1939, foi nomeado chefe do Departamento de Neurologia do Hospital Rothschild em Viena. Ele exerceu com sucesso a sua profissão até que o destino dele e da sua família sofreu uma mudança radical.

O nazismo e a Segunda Guerra Mundial

Viktor Frankl era judeu e vivia na Áustria. Por isso, desde muito jovem, começou a sentir as mudanças de um nazismo em plena expansão. Todo mundo sabia que a situação estava ficando muito difícil. No começo da Segunda Guerra Mundial, o seu irmão mais velho, Walter, foi preso pelos nazistas e enviado para um campo de concentração.

Em seguida, sua irmã Stella fugiu para o México. Viktor pediu um visto para entrar nos Estados Unidos e lhe foi concedido. No entanto, ele estava angustiado com o destino dos seus pais idosos e de todos os seus pacientes.

Campo de concentração

Então ele tomou uma decisão edificante, que ele mesmo descreveu assim: “sobre o aparador do rádio havia um pedaço de mármore. Perguntei ao meu pai o que era aquilo… Na pedra estava gravado em dourado uma letra hebraica. Meu pai me disse que ela aparecia em apenas um dos mandamentos, no Quarto Mandamento que diz: ‘Honra teu pai e tua mãe e estarás na terra prometida’. Depois disso, eu decidi permanecer na Áustria e deixar o meu visto americano expirar”.

Em 1941, Viktor Frankl se casou Tilly Grosser. Alguns meses mais tarde, os nazistas a forçaram a abortar a criança que eles estavam esperando. Em 1942 Viktor, sua esposa e seus pais foram obrigado a ir para o campo de concentração de Theresienstadt. No ano seguinte, seu pai morreu de fome, subjugado por problemas respiratórios graves. Em 1944, Viktor foi transferido para Auschwitz com a sua esposa. Nessa época foram separados e ele nunca mais ouviu falar dela.

Este período difícil de confinamento e de trabalhos forçados provocou grandes reflexões em Viktor Frankl. Finalmente, ele foi libertado pelos americanos em 1945. Sua esposa, que tinha sido levado para o campo de Bergen-Belsen, também foi libertada. No entanto, dizem que ela morreu pisoteada pela multidão quando a libertação ocorreu e todos correram. A mãe de Viktor havia morrido na câmara de gás no ano anterior.

Viktor Frankl e a busca pelo sentido da vida

Quando deixou o campo de concentração, ele procurou pela sua família e precisou enfrentar a dura realidade: estava completamente só, não voltaria a ver os seus entes queridos. Ele não tinha mais ninguém. Então, a primeira coisa que tentou reconstruir foi o seu livro que tinha sido apreendido quando foi levado para os campos de concentração. Ele conseguiu e publicou o seu primeiro livro: “Psicanálise e Existencialismo”.

Um pouco antes do Natal de 1945 Frankl sentiu um impulso incontrolável: precisava falar sobre o que tinha vivido e aprendido nos campos de concentração. Para isso contratou três secretárias e começou a dizer tudo o que lhe vinha à mente, enquanto elas tomavam notas. Foram nove dias nos quais as palavras eram interrompidas apenas pelas lágrimas que ele não conseguia segurar.

Viktor Frankl

Assim nasceu a maior obra de Viktor Frankl: “O homem em busca de um sentido”. Este livro foi traduzido em quase todas os idiomas e é considerado uma obra-prima, tanto como testemunho de vida como da psicologia. O mais emocionante é que Frankl não quis que fosse um relato de crueldades, mas seu objetivo era enviar uma mensagem comovedora para o mundo: “Eu só queria transmitir ao leitor, através de um exemplo concreto, que a vida tem um significado potencial em todas as condições, mesmo nas mais miseráveis”.

A logoterapia, um legado para a humanidade

Viktor Frankl foi capaz de reconstruir a sua vida. Ele se casou novamente em 1947, teve uma filha, dois netos e uma bisneta. Seu casamento durou 50 anos muito felizes. Ele recebeu mais de 40 títulos de doutor honoris causa de diversas instituições do mundo inteiro, publicou mais 30 livros e foi professor nas universidades de maior prestígio no mundo, incluindo a Universidade de Harvard, de Stanford e de Viena. Ele morreu em 1997, pouco depois de fazer seu primeiro voo como piloto amador.

A escola de Frankl é chamada de “logoterapia” e atualmente tem um grande número de psicólogos que aplicam os seus procedimentos. Ela postula que o ser humano tem três dimensões: somática ou física, mental e espiritual. A partir desta perspectiva, os problemas psicológicos surgem quando não temos força espiritual suficiente ou não encontramos um sentido definido para a nossa vida. Para os logoterapeutas “o desejo de sentido” é o que permite seguir em frente.

Folha se desfazendo

Mas, como podemos encontrar esse sentido? De acordo com Frankl e seus seguidores, existem três maneiras de conseguir isso: a criação, a experiência afetiva transcendental, e a atitude diante do sofrimento. O primeiro corresponde aos valores de criação, e tem a ver com a capacidade de fazer arte, escrever, etc. O segundo tem a ver com as experiências vividas que estão relacionados com a interação interpessoal e a vivência de sensações. O terceiro se refere aos valores de atitude e a capacidade de superar o sofrimento.

A mensagem que Viktor Frankl quis transmitir é de que os transtornos mentais não se originam no sofrimento, mas no significado que damos a ele. A coisa mais interessante sobre esta abordagem é que não é uma elaboração teórica, mas o próprio Frankl a aplicou em si mesmo e, assim, conseguiu sobreviver ao holocausto. A sua vida foi, sem dúvida alguma, uma prova de que o ser humano é capaz de superar qualquer circunstância.

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