William James Sidis: a história do homem mais inteligente do mundo

William James Sidis: a história do homem mais inteligente do mundo

setembro 4, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
William James Sidis: o homem mais inteligente do mundo

William James Sidis é considerado a pessoa mais inteligente do mundo, alguém que tem uma mente prodigiosa, cujo quociente de inteligência (QI) marcava entre 250 e 300 pontos. Ele foi uma calculadora humana e um gênio da linguística. Uma pessoa de quem se esperava conquistas impressionantes por ser tão inteligente, no entanto houve um assunto que nunca foi resolvido na sua vida e que acabou o levando precocemente desse mundo: a tristeza.

Vamos imaginar por um momento uma criança que aos 18 meses já conseguia ler o jornal The New York Times. Vamos imaginá-la agora com oito anos falando de maneira fluente francês, alemão, russo, turco e armênio, dominando o latim e, é claro, o inglês, sua língua materna. Vamos um pouco mais além e visualizemos essa mesma criança com 9 anos criando um novo idioma chamado “vendergood”, que os linguistas estudaram e classificaram como muito completo, correto e fascinante.

“Quero viver uma vida perfeita.  A única maneira de fazer isso é através do isolamento, da solidão. Sempre odiei multidões.”
-William James Sidis-

Essa criança foi William James Sidis, filho de dois imigrantes russo-judeus e nascido em Nova York em 1 de abril de 1898. Muito foi falado sobre ele e ainda muito mais foi escrito sobre sua vida, e como sempre acontece nesses casos, frequentemente se misturou ficção com realidade, dados foram exagerados e se romantizou a biografia de um homem com um pouco de romance e fantasia, quando o que existe na verdade é uma história bastante cruel. E ainda assim, extremamente interessante do ponto de vista psicológico.

Os testemunhos físicos e documentais confirmam um grande número de fatos. Um deles é tão simples quanto transcendental: William James Sidis nunca teve uma infância, nunca pôde aproveitar o direito de ser uma criança, apesar de ser tão inteligente. Com apenas 9 anos foi aceito na Universidade de Harvard e em uma fria noite de janeiro de 1910, com 12 anos, deu sua primeira palestra sobre a quarta dimensão frente à comunidade científica e a imprensa da época.

Seus pais, um renomado psicólogo russo e uma das primeiras doutoras em medicina da época, tinham um objetivo muito claro: queriam um gênio. Educaram a mente de William, esquecendo-se por completo da parte mais essencial: o coração e as emoções.

William James Sidis

A genética, a vontade e um meio extremamente facilitador

Para conhecer cada detalhe da vida daquele que é considerado “o homem mais inteligente do mundo”, temos a nossa disposição o livro “The Prodigy: A Biography of William James Sidis, America’s Greatest Child Prodigy”, de Amy Wallace. Nessa biografia, rapidamente nos chama atenção o tipo de educação que nosso protagonista recebeu.

Tanto seu pai como sua mãe tinham uma mente brilhante. Por isso, o fator genético teve sua parte de importância na hora de desenvolver essa elevada inteligência no menino. No entanto, o propósito desse casal na hora de ter um filho foi tão claro quanto polêmico: os pais queriam treinar o cérebro da criança para que ela fosse um gênio.

Uma vida de laboratório e de exposição pública

À genética sem dúvidas acrescentou-se um meio familiar facilitador, altamente estimulante e direcionado a um objetivo bastante específico. Sabe-se que seu pai, Boris Sidis, utilizava técnicas sofisticadas – incluindo a hipnose – para intensificar precocemente as capacidades e o potencial do seu filho.

Sua mãe, por sua vez, deixou a medicina para, segundo ela, “moldar” seu filho e inovar com novas estratégias de ensino. Pode-se dizer que o próprio William, sem dúvidas, também mostrava clara disposição ao aprendizado. No entanto, uma coisa sempre o marcou e o traumatizou: a exposição ao público e aos meios de comunicação.

Criança observando a chuva

Os pais publicavam relatórios acadêmicos de tempos em tempos mostrando as conquistas do menino. A imprensa estava sempre atenta, assim como a comunidade científica. Sabe-se que, quando estudou em Harvard, William sofreu perseguição por parte da imprensa. Depois de se formar e de ter deixado os estudiosos impressionados com as suas teorias sobre a quarta dimensão, foi levado para a Universidade de Houston para dar aulas de matemática, enquanto iniciava, ao mesmo tempo, a faculdade de direito.

Nessa época, William tinha 16 anos, momento em que sua mente simplesmente disse “basta”. Então, ele iniciou o que chamou de uma peregrinação ao abismo.
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O triste fim de William James Sidis

William não terminou a faculdade de direito nem nenhuma outra, apesar de ser extremamente inteligente. Ainda não tinha completado 17 anos quando decidiu responder a esse ambiente acadêmico e experimental, onde se sentia como um rato de laboratório observado com lupa e analisado em cada aspecto e em cada pensamento. Em 1919, foi detido e levado à prisão por iniciar uma manifestação e recrutar jovens para um movimento comunista.

Dada a influência dos seus pais e a relevância da sua imagem, saiu rapidamente da prisão. No entanto, na sua determinação de se defender dos seus pais e da própria sociedade voltou a repetir o mesmo ato, provocando protestos de jovens contra o capitalismo. William se mostrava extremamente arrogante frente aos juízes. Finalmente, ficou preso durante dois anos, conseguindo assim o que tanto desejava: solidão e isolamento.

 “Não tente se transformar em um homem de sucesso, e sim em um homem de valor.”
-Albert Einstein-

Após recuperar sua liberdade, a primeira coisa que William J. Sidis fez foi mudar de nome. Ele desejava uma vida insignificante, mas de tempos em tempos era encontrado pelos seus pais ou pela imprensa, iniciando assim uma contínua peregrinação pelos Estados Unidos, onde procurava trabalhos esporádicos e fazia aquilo de que gostava: escrever. Ele fez inúmeras publicações sob vários pseudônimos. Escreveu livros sobre história e outros sobre teorias dos buracos negros. Segundo os autores de sua biografia, é possível que existam dezenas de livros esquecidos nos quais sob alguma identidade falsa se esconda na verdade a figura de William J. Sidis.

William James Sidis

Um final prematuro e em solidão

William James Sidis amou apenas uma mulher: Martha Foley, uma jovem ativista irlandesa com a qual teve uma relação tão complexa quanto instável. A foto dessa mulher foi o único pertence encontrado em suas roupas quando em 1944 seu corpo foi encontrado sem vida em um pequeno apartamento em Boston. Ele tinha 46 anos e faleceu devido a um derrame cerebral.

Ele havia passado seus últimos anos de tribunal em tribunal. A imprensa aproveitava para difamar William: “o menino prodígio que não deu em nada agora chora enquanto trabalha em uma loja”, “o homem mais inteligente do mundo leva uma vida miserável”, “o gênio da matemática e da linguística se queimou”, “William J. Sidis cansou de pensar”.

Desconhecemos realmente se ele se cansou de pensar e até de viver. No entanto, o que se pode deduzir ao ler suas biografias é que ele se cansou da sociedade e do meio familiar e acadêmico que tinha colocado altíssimas expectativas nele antes mesmo de ter nascido.

Ele se cansou de não poder ser ele mesmo e quando teve a oportunidade não foi bem-sucedido. Era um especialista em buracos negros e na quarta dimensão, mas a matéria mais importante da vida, a de aprender e lutar pela própria felicidade, sempre foi algo que escapava de suas mãos, do seu olhar e do seu coração…

Terence Tao

William James Sidis continua sendo até hoje a pessoa com o maior quociente de inteligência já registrado. Logo depois dele vem o jovem Terence Tao (na foto acima) com um QI de 225-230, um jovem matemático australiano que dá aulas atualmente na Universidade de Los Angeles.

No entanto, é muito provável que em algum lugar desse mundo haja uma ou várias crianças prodígio, ainda não identificadas, que igualem ou superem essas pontuações de inteligência. A verdade é que não importa porque números são apenas isso, números. O essencial nesses casos é permitir que a criança tenha uma infância, que possa ser criança, possuir vínculos emocionais seguros, nos quais se realizar pessoalmente no que desejar, em liberdade e sem pressões.

Porque como pudemos comprovar com essa história, às vezes uma inteligência elevada não é sinônimo de felicidade.

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