Zazen, o segredo da filosofia zen

· janeiro 27, 2019

O zen engloba um conjunto de crenças que se originaram no século VI d.C. a partir da filosofia de Buda Shakyamuni. Essas ideias foram passando de um discípulo a outro, chegando até os dias de hoje. Essa transmissão de ideias é o que ficou conhecido como a linha do zen, que se desenvolve mediante a prática do zazen.

Sua difusão no ocidente não aconteceu até o começo do século XX, quando ela foi introduzida em nossa sociedade por meio da popularização das artes marciais ou da decoração de jardins no estilo japonês.

No que consiste o zazen?

O zazen se baseia na prática da meditação na postura de lótus, com as pernas cruzadas, as costas retas e os braços descansados sobre o colo. Com esta prática podemos alcançar uma grande mudança em nosso espírito, de forma que podemos chegar a nos fundir com a totalidade do universo.

Mulher meditando em montanha

Ainda que acreditemos que essa filosofia pode ser algo sem muita correspondência com a realidade, os preceitos do zazen são seguidos há muitos séculos, dando lugar a inúmeros costumes em diferentes povos, e inclusive ao nascimento de uma religião: o budismo.

Essa religião faz uso das bases do zazen para desenvolver toda uma filosofia de vida, focada na meditação e em uma conexão extrassensorial com o universo e todas as outras formas de vida.

Por isso, o budismo é, em essência, uma crença que nasce do zazen e coloca em prática suas ideias. No zazen já havia a ideia de que existiam sete Budas antes de Buda Shakyamuni, quem desenvolveu essa teoria. Isso cria a ideia de que a prática do zazen é tão transcendental que remonta a tempos anteriores à sua própria definição.

Como praticar o zazen?

Se queremos seguir essa interessante filosofia, que proporcionará muitos dos benefícios que poderíamos conseguir através de uma meditação tradicional, é bom que tenhamos em mente os seguintes aspectos.

1. A postura para a meditação

A postura é um dos elementos mais importantes na prática do zazen. O mais recomendável é sentar sobre uma almofada redonda e confortável. A seguir, devemos cruzar as pernas na posição de lótus, ou simplesmente apoiando as solas dos pés sob a coxa oposta (no caso da postura de lótus ser incômoda para você).

As costas devem estar completamente retas, a cabeça erguida e o olhar para a frente. Também deixaremos as mãos soltas, repousando-as sobre o colo, com as palmas para cima e os polegares tocando-se um sobre o outro.

Finalmente, relaxaremos os ombros com a ponta da língua no céu da boca, e fixaremos o olhar em algum ponto do solo, a aproximadamente um metro de nós, sem observar nada em particular. Com essa postura conseguiremos um equilíbrio tanto a nível físico quanto mental, podendo colocar a meditação em prática de uma forma confortável.

2. A importância da respiração

Uma vez que já tivermos adotado a postura correta para meditar, teremos que nos concentrar na nossa maneira de respirar. Recomenda-se uma respiração profunda e lenta, de modo que nossos pulmões se encham de ar de maneira gradual.

Homem meditando

3. Os pensamentos durante a meditação

O último aspecto que devemos ter em mente será o trabalho que realizaremos especificamente no plano mental, prestando atenção aos pensamentos que surgem e em como lidamos com eles. Nesse sentido, a recomendação é tentar relaxar a mente, liberando-a de todo tipo de pensamento, plano ou preocupação que possa surgir.

Isso não significa deixar a mente em branco, mas sim deixar o fluxo de pensamentos simplesmente fluir, sem fixar a atenção em nenhum pensamento específico e concreto.

Para conseguir isso, devemos nos focar na atenção, que é o que realmente estamos fazendo agora. Respirando. A respiração se torna, desse modo, uma maneira de nos ancorarmos no presente enquanto aumentamos nossa consciência corporal, fazendo um esforço para nos manter na postura que descrevemos anteriormente.

Como você pode ver, o zazen é uma prática bastante simples que só requer um pouco de esforço físico e constância. Isso é precisamente o que o zazen prega para a vida: que o esforço e a repetição são as chaves que nos permitirão ter um bom desenvolvimento pessoal e um progresso adequado na hora de perseguir qualquer objetivo, podendo aplicar essa filosofia tanto aos aspectos pessoais quanto às questões profissionais da nossa vida e do nosso dia a dia.

  • Kasamatsu, A. y Hirai, T. (1966). An electroencephalographic study on the zen meditation (Zazen), Psychiatry and Clinical Neurosciences. Volumen 20
  • Suzuki y Fromm, E. (1964). Budismo zen y psicoanálisis. Fondo de cultura económica, México.