12 Homens e uma Sentença: como um líder muda a opinião do grupo

’12 Homens e uma Sentença’: como um líder pode mudar a opinião do grupo

junho 1, 2018 em Filmes 0 Compartilhados
12 Homens e uma Sentença

’12 Homens e uma Sentença’ é uma obra dramática do autor Reginald Rose. Inicialmente o roteiro foi escrito para a televisão, mas depois foi adaptado para ser levado ao cinema e ao teatro.

Reginald Rose nasceu nos Estados Unidos. Ele dedicou sua vida a escrever roteiros, especialmente para a televisão, na década de 50. Seus argumentos refletem o interesse por questões sociais e políticas de grande controvérsia, com uma abordagem clara e precisa da realidade coletiva.

Seu trabalho mais conhecido e bem sucedido é ’12 Homens e uma Sentença’, onde relata a complexidade do ser humano para discriminar entre sentimentos e realidades com a dificuldade de ser minimamente objetivos. A série de televisão estreou em 1954, depois o autor a adaptou para ser levada ao teatro com grande sucesso de público, e em 1957 o filme foi finalmente rodado, dirigido por Sidney Lumet. Este filme é um dos que melhor representa a comunhão entre televisão, teatro e cinema.

O traço comum do complexo enredo apresenta um júri composto por 12 homens muito diferentes que devem chegar a um acordo sobre se eles consideram o acusado culpado ou inocente. A acusação é de homicídio e o que eles decidirem terá consequências importantes.

Antes dos doze membros do júri, um magistrado dá por finalizado o julgamento de um jovem de 18 anos por ter cometido o crime de matar seu pai, e lhes pede que se retirem para deliberar o veredito. Se finalmente o acusado for considerado culpado, sua condenação será ser enviado à cadeira elétrica pela acusação de homicídio em primeiro grau.

Quando parece que eles não vão demorar muito para decidir um veredito de culpado, um deles não tem tanta certeza e mantém o que chama de “uma dúvida razoável”, a que deveria reconsiderar qualquer acusação. A pessoa que se opõe ao pensamento da maioria apresentará seus argumentos e pedirá uma nova votação para ver se alguém pensou sobre isso. Voto a voto, as dúvidas, antes mascaradas por uma aparente clareza, começarão a surgir.

Cena do filme '12 Homens e uma Sentença'

O grupo então decide reconsiderar sua decisão e revisar o caso mais lentamente. Eles discutem sobre as provas apresentadas, as declarações feitas pelas testemunhas e tiram novas conclusões. No curso dessa deliberação, esses 12 homens expõem seus medos, contam suas experiências de vida, expõem suas personalidades e mostram os preconceitos que os levam a sustentar seus diferentes pontos de vista.

Isso talvez seja o mais mágico sobre o filme, o espelho que ele coloca diante de nós para nos dizer que, sob muitas das opiniões ou crenças que mantemos e defendemos, existem razões que não ousamos confessar. Mesmo em um contexto onde há um réu que não conhecemos.
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’12 Homens e uma Sentença’: as habilidades do líder para mudar um veredito

A dúvida razoável surge quando todos os membros do júri querem resolver a deliberação de maneira precipitada, chegando a um consenso de culpa. Em uma rápida e inflexível primeira votação, todos, exceto um dos jurados, declaram o acusado ​​culpado do crime.

É então que a capacidade de liderança do membro dissidente atrai os outros membros do grupo, que pouco a pouco duvidam da culpa do jovem acusado. Este personagem que acende o pavio reflete em sua interpretação as características que definem um bom líder:

Sabe ouvir

No decorrer do filme, o protagonista ouve cuidadosamente todas e cada uma das opiniões, sem cair na tentação de interromper o discurso do resto dos membros do júri. O simples ato de escutar lhe permite reunir informações e identificar problemas, tomar decisões e resolver conflitos.

Faz com que seus companheiros de equipe se sintam importantes e integrados ao júri, o que facilita para que eles se comprometam, para deixar pouco a pouco a postura confortável da crença impensada e se envolver no debate.

É assertivo

Os membros do júri querem resolver o assunto o mais rápido possível. No entanto, contra essa corrente, nosso personagem expressa sua discordância. Não é uma posição simples a de enfrentar a maioria. Ele expõe, por exemplo, que o julgamento do acusado não pode ser transformado em um julgamento sobre sua própria pessoa.

Da mesma forma, um líder expressa sua opinião real, acima da inércia da corrente social. É ciente de sua responsabilidade e a assume, mesmo que isso o coloque em uma posição desconfortável. Além disso, um bom líder é capaz de lembrar às pessoas que o acompanham as consequências das decisões como um grupo.

Líder, coordenado e moderado

O personagem principal modera as discussões entre os membros do júri, ou administra e resolve conflitos e garante que a comunicação seja fluida e eficaz. Uma pessoa que queira convencer com argumentos tem no filme um bom espelho no qual se inspirar, acima de que sua autoridade provenha de outras fontes, tais como maior prestígio ou uma experiência maior.

Cena do filme '12 Homens e uma Sentença'

É honesto

Nosso líder no filme não está posicionado de maneira fechada. Na primeira votação, vota em “inocente” porque quer que o debate seja aberto. Não porque ele quer se posicionar neste lugar. São mais as circunstâncias que fazem com que escolha. Ele está ciente de que, se não se manifestar contra a posição majoritária, não haverá debate.

Nesse sentido, ele é honesto em sua posição. Não se fecha, mas expressa que tem dúvidas. Que ele não sabe, por isso quer ouvir os argumentos das pessoas que têm uma opinião formada. É assim que ele obtém a implicação dos outros, algo muito complicado se ele tivesse buscado o confronto direto. A sinceridade do líder é sua melhor ferramenta para resolver dúvidas ou conflitos gerados entre os participantes na opinião do veredito.

Analisa e resolve

No transcurso de ’12 Homens e uma Sentença’ vemos como o líder identifica a oportunidade de fornecer novas evidências lançando dúvidas ao resto do grupo. Com grande poder de análise e a presença de pessoas, tenta dar uma nova visão dos fatos.

É inegável que diante da dúvida razoável que surge ao longo de toda a trama, qualquer veredito sempre deve ser de inocência, mas é difícil discernir entre o provável e o possível, deixando ao espectador a liberdade de pensar o que ele achar adequado.

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