5 frases de João Manuel de Castela

julho 20, 2019
João Manuel de Castela foi uma figura importante na Idade Média. Neste artigo reunimos algumas das frases deixadas por este escritor que viveu durante os séculos XIII e XIV.

João Manuel de Castela foi um escritor da Idade Média considerado o primeiro representante da prosa medieval. Neste artigo, reunimos algumas de suas frases mais importantes que evidenciam sua maneira de pensar.

No entanto, antes de nos adentrarmos de fato no tema, é importante ressaltar que João Manuel de Castela foi o tutor do rei Afonso XI.

Além disso, embora tenha sido autor de vários livros, há um que se destaca acima de todos: El Conde Lucanor, do qual podemos nos aproximar graças ao artigo Introdução a El Conde Lucanor.

As frases de João Manuel de Castela que vamos descobrir a seguir estão adaptadas à linguagem atual. No entanto, descobriremos que a sintaxe e o léxico utilizados são “medievais”. Isso se deve ao fato de que este escritor nasceu e viveu durante os séculos XIII e XIV.

1. A importância da amizade nas frases de João Manuel de Castela

“Por ditos e por obras de alguns mentirosos, não rompa a sua amizade com homens valiosos”.

Esta primeira das frases de João Manuel de Castela é uma crítica clara e direta às pessoas que mentem. Afinal, aqueles que utilizam a mentira de uma maneira sistemática o fazem porque querem fazer mal ou porque sentem uma grande inveja em relação aos outros. Por exemplo, em relação aos homens valiosos, assim como este autor os denomina.

As consequências disso são que, muitas vezes, são transmitidas “verdades” que na realidade não o são e que prejudicam a reputação ou a perspectiva que poderíamos ter em relação a algumas pessoas que consideramos amigas.

Por esta razão, João Manuel de Castela destaca este aspecto e pede um cuidado extremo em relação ao mesmo.

A mentira tem perna curta

2. Afastar-se das fantasias

“Nas realidades certas você pode confiar, mas das fantasias você deve se afastar”.

Algo em que tendemos a cair com uma certa frequência é o que João Manuel de Castela menciona como fantasias. Esse termo também pode ser definido como sonhar acordado ou deixar-se levar por devaneios “românticos”. O resultado disso geralmente é uma completa desconexão com a realidade.

No entanto, podemos nos perguntar: como saber quais realidades são verdadeiras? Isso não foi contemplado por João Manuel de Castela, uma vez que cada um de nós tem uma percepção da realidade completamente diferente baseada nas nossas experiências, e todas elas são válidas.

3. Fazer o que quiser sem medo

“Por medo das críticas, desde que você não faça errado, não deixe de fazer o que em cada caso você achar mais conveniente”.

Poderíamos dizer, sem medo de errar, que o medo é um dos grandes males da época em que vivemos hoje. No entanto, essa emoção paralisante já estava presente nos séculos XIII e XIV.

O medo do que os outros vão dizer e as críticas nos impedem de fazer o que queremos. Este é um medo desadaptativo, como bem destaca o artigo Ansiedade e medo: valor adaptativo e desadaptações.

Esta terceira das frases de João Manuel de Castela é um lembrete de que não precisamos nos fixar muito no que os outros dizem sobre as nossas ações. Se não estamos fazendo algo errado, sigamos em frente. Caso contrário, acabaremos nos arrependendo no futuro por não termos sido mais assertivos.

4. Cuidado com o uso indevido do álcool

“O vinho é muito virtuoso, mas prejudicial quando mal utilizado”.

Esta outra frase de João Manuel de Castela é muito curiosa. Sabemos que, quando consumido moderadamente, o vinho não é prejudicial à nossa saúde. No entanto, a essência da questão reside no fato de que este escritor adverte sobre seu uso indevido ou descontrolado.

Isso pode ser extrapolado para outras áreas da nossa vida. Porque tudo em excesso pode acabar nos causando mais mal do que bem. Na realidade, seguindo o exemplo apresentado na frase, não é o vinho que é “ruim”, são nossas ações que fazem com que seja assim.

Homem com garrafa de bebida alcoólica na mão

5. João Manuel de Castela alerta: os elogios podem esconder falsidades

“Proteja-se daquele que o elogia pelo que você não tem, pois ele deseja o que você tem”.

Por último, terminamos com esta frase que nos alerta sobre prestar atenção aos elogios que algumas pessoas próximas podem nos fazer. Embora todos nós gostemos de recebê-los, em alguns casos eles podem estar escondendo falsidades, como destaca este autor.

O que João Manuel de Castela quer dizer com essas falsidades é que os elogios de outras pessoas podem ter outro tipo de intenção. Por exemplo, conseguir algo como um favor, sendo assim uma forma de manipulação. Portanto, devemos prestar atenção e analisar se esses elogios são verdadeiros ou não.

Você já conhecia João Manuel de Castela? Você já leu El Conde LucanorEssas frases permitem se aproximar um pouco mais do modo como esse importante escritor da Idade Média pensava. Além disso, certamente também poderão ajudá-lo a refletir sobre algumas questões.

De qual delas você gostou mais?

  • Casalduero, J. G. (1975). El Conde Lucanor: composición y significado. Nueva Revista de Filología Hispánica24(1), 101-112.
  • De Stefano, L. (1962). La sociedad estamental en las obras de Don Juan Manuel. Nueva revista de filología hispánica16(3/4), 329-354.
  • Gómez Redondo, F. (1992). Géneros literarios en don Juan Manuel. Cahiers d’Études Hispaniques Médiévales17(1), 87-125.