5 romances distópicos para pensar no futuro

· novembro 19, 2018

Os romances distópicos são um subgênero dentro da literatura de ficção científica. Geralmente estes romances apresentam uma sociedade do futuro que caiu em um estado deplorável ou totalitário, por diversas razões. Em suma, apresenta um mundo de pesadelos e opressões em que os personagens devem sobreviver como podem, aceitando-o ou transgredindo-o.

Por essa razão, o romance distópico é o completo oposto das histórias utópicas. As sociedades distópicas apresentadas são totalmente opostas às sociedades ideais, onde tudo é paz e harmonia.

O objetivo dos romances distópicos é refletir sobre o estado atual da sociedade ocidental. Sobre os comportamentos destrutivos e autodestrutivos e as consequências que eles acarretam. É uma maneira de chamar a atenção dos leitores para alertar sobre o caminho que a humanidade ocidental poderá seguir no futuro se o devido cuidado não for tomado.

Os romances distópicos começaram a ser criados no final do século XIX. No entanto, os clássicos distópicos mais conhecidos são aqueles escritos em meados do século XX. Alguns deles serão discutidos abaixo.

Romances distópicos que vale a pena conhecer

1984 (George Orwell)

Entre todos os romances distópicos, este é o mais reconhecível deste subgênero literário. Apresenta em sua história todas as características distintivas: totalitarismo, perseguição dos diferentes, conflitos bélicos, fanatismo, etc. Foi escrito por Orwell em 1949, imaginando o que poderia acontecer no distante ano de 1984.

O autor imaginou uma sociedade que é observada incessantemente pelo Big Brother, um governante onipresente e dono de uma grande parte do planeta Terra. O protagonista é Winston Smith, um trabalhador do Ministério da Verdade. A sua obrigação é reescrever a história para enquadrá-la aos interesses políticos do Grande Irmão, eliminando documentos, modificando manchetes de jornais ou alterando resultados de pesquisas e estudos estatísticos, entre outras atrocidades.

Livro '1984'

Winston realiza o seu trabalho até perceber que ele está ajudando a preservar a farsa que mantém o Big Brother no poder. Por isso, decide se rebelar contra o governo totalitário, que os mantém controlados e monitorados. Uma tarefa que não é simples, já que o regime mantém a população sob controle graças aos ministérios do Amor, da Paz, da Abundância e da Verdade. Todas essas engrenagens mantêm em perfeito funcionamento o estado totalitário apresentado por George Orwell.

O romance foi um sucesso e até hoje continua a vender de forma constante. Muitos consideram que Orwell previu muitas coisas que estão acontecendo atualmente no mundo, como a manipulação de informações, a prática da vigilância em massa e a repressão social de alguns governos.

Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley)

Neste romance distópico, a sociedade ocidental atingiu o seu auge. Todos são felizes, as guerras e a pobreza são erradicadas, a humanidade é saudável e tecnologicamente avançada. É quase uma utopia, se não fosse o fato de que para alcançar a felicidade, eles tiveram que renunciar a muitas coisas: família, ciência, literatura, religião e filosofia.

O autor antecipou o desenvolvimento tecnológico reprodutivo que estamos experimentando atualmente, mas ele o levou ao extremo. Todos os bebês são fertilizados ‘in vitro’ e, nesse processo, determina-se geneticamente o trabalho que farão quando crescerem. Além disso, os adultos são drogados com uma pílula que lhes dá uma ilusão de felicidade e otimismo total.

O Conto da Aia (Margaret Atwood)

Este romance segue o mesmo tom dos dois anteriores, mas acrescenta uma crítica social ao tratamento injusto das mulheres. Após um ataque à Casa Branca, um governo teocrático e puritano é instaurado nos Estados Unidos. Dessa forma, ele diminui as liberdades e os direitos sociais, com o objetivo de reduzir a violência e garantir a reprodução humana.

Tudo isso foi estabelecido porque, por razões desconhecidas, o índice mundial de fertilidade diminuiu exponencialmente, fazendo com que uma porcentagem muito baixa de mulheres possa conceber descendentes.

As mulheres são desvalorizadas e classificadas de acordo com a sua utilidade. As “esposas” são as chefes do núcleo familiar juntamente com os comandantes. As “marthas” são aquelas que realizam as tarefas domésticas. As “aias” são mulheres férteis que são importantes apenas por causa das suas capacidades reprodutivas. As “tias” são responsáveis ​​por cuidar e instruir as aias.

A história deste romance segue a vida de Offred como “aia” nesta sociedade distópica: uma vida cheia de humilhações e injustiças para com as mulheres.

Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)

Este é um dos romances mais famosos do prolífico Ray Bradbury. Neste romance distópico, o autor apresenta uma sociedade em que a leitura de qualquer tipo de livro é censurada para manter os habitantes ignorantes e, portanto, mais fáceis de controlar pelo governo. Por essa razão, há um grupo de bombeiros cujo objetivo não é apagar incêndios, mas queimar livros.

O título do livro refere-se à temperatura da queima do papel em graus Fahrenheit. O governo manda queimar todos os livros existentes e prender os leitores, porque a leitura gera desigualdade social, angústia e infelicidade.

A história é protagonizada por um desses bombeiros que, em vez de usar mangueiras, usa um lança-chamas para queimar tudo o que estimula o pensamento crítico. Uma conjugação de fatores e ocorrências faz este bombeiro repensar se ele está realmente feliz. Esse pensamento o leva a querer ler um livro e ver se o que o governo diz é verdade.

Romances distópicos

A Estrada (Cormac McCarthy)

Este é um dos mais recentes romances distópicos que apresenta um contexto pós-apocalíptico. Devido a uma catástrofe indefinida, possivelmente uma guerra nuclear, os Estados Unidos ficam desolados e inférteis. Dessa forma, não há leis ou instituições sociais e quase não há comida para os poucos sobreviventes. Um contexto aterrorizante, desolador e deprimente.

A história segue a jornada de um pai e seu filho através da paisagem destruída, buscando um propósito para viver. Em seu caminho eles encontram outros sobreviventes, muitos dos quais são assassinos e canibais. Além disso, o pai está doente e precisa ensinar o filho a sobreviver sozinho. A imagem apresentada por este romance deixará o leitor com uma grande angústia em relação ao futuro.