7 interessantes teorias filosóficas

· julho 11, 2018

Pode ser que nos lembremos dela como uma das matérias mais chatas que tivemos no colégio, mas a filosofia é uma disciplina fundamental em nosso dia a dia. Para explicar seus diferentes ramos e concepções, nasceram as diferentes teorias filosóficas.

Elas nos convidam a refletir sobre quem somos e para onde vamos, nos ensinam a pensar, a questionar constantemente verdades assentadas, a verificar hipóteses e a buscar soluções. Na verdade, tamanha é sua importância que a ONU declarou em 16 de novembro de 2017 o dia Mundial da Filosofia. A organização ressalta seu “pensamento crítico e independente”, assim como seu trabalho “promovendo a paz e a tolerância”.

As teoria filosóficas aglutinam movimentos, escolas de pensamento, crenças e até mesmo leis científicas. Deixamos aqui algumas das mais interessantes e que mais reflexão e literatura seguem acumulando ainda em nossos dias.

Teorias filosóficas que queremos destacar

Teoria de Pitágoras

Embora você possa conhecê-lo por seu famoso teorema do triângulo retânguloo pitagorismo foi um movimento filosófico e religioso fundamental durante o século VI a.C. 

Foi criado por Pitágoras de Samos, considerado o primeiro matemático puro e um dos mais importantes da história. Ele era partidário de que a religião e a ciência não eram dois compartimentos separados, e sim fatores indissociáveis de um mesmo estilo de vida.

Formado por astrólogos, músicos, matemáticos e filósofos, sua crença mais firme era de que todas as coisas são, em essência, números. Ou seja, tudo na natureza segue regras numéricas. No entanto, apesar de defenderem um pensamento guiado pela matemática, ele era, ao mesmo tempo, profundamente místico.

Seu símbolo religioso de referência era o pentagrama, que chamavam de “saúde” e empregavam como um sinal secreto para se reconhecerem entre eles.

Estátua de Pitágoras

O epicurismo e seus correligionários

Este movimento filosófico foi instituído por Epicuro de Samos no século IV a.C., e continuado por seus seguidores. A máxima desta teoria era a busca pela felicidade por meio da busca do prazer. Eles entendiam ambos conceitos, prazer e felicidade, como a ausência da dor e de qualquer tipo de aflição.

Para conseguir alcançar essa felicidade, distinguiram 3 tipos de prazeres que permitem atingir a ataraxia. O estado da serenidade, a ausência de desordem, o equilíbrio perfeito entre a mente e o corpo.

Epicuro explicou, de acordo com sua perspectiva, que Deus não existe. Sua ideia foi a seguinte: Deus é bom e todo poderoso, mas aos homens, inclusive as boas pessoas, continuam acontecendo coisas ruins. Por quê?

De sua explicação se desprendem dois possíveis resultados lógicos: ou Deus não é bom porque permite que aconteçam essas coisas ruins; ou não é todo poderoso porque não é capaz de impedir que ocorram. Em ambos casos, anula-se a existência de Deus. O que você acha da sua dedução?

Teoria Escolástica de Anselmo de Cantuária

Não foi uma das mais controversas, mas a escolástica é uma das teorias filosóficas mais interessantes por sua heterogeneidade. Bebeu de correntes greco-latinas, árabes e judaicas e foi dominante no pensamento medieval. Baseou-se na subordinação da razão à fé e na coordenação entre ambas.

“Fé em busca do saber”.
– Anselmo de Cantuária –

Alguns autores trataram esta corrente como muito estática e submetida unicamente à memorização, por seus métodos educativos um tanto ortodoxos. No entanto, seus aspectos filosóficos não só são um conjunto de dogmas teológicos estritos, mas também buscam um trabalho conjunto entre fé e razão. Seu objetivo é entender a realidade a partir do ponto de vista humano.

Teoria racionalista de René Descartes

Cogito ergo sum (Penso, logo existo). Com essa frase, René Descartes resume a ideia de uma das teorias filosóficas mais conhecidas: o racionalismo. A razão é a fonte da verdade e a única maneira com a qual se pode chegar a deduzi-la. Rejeita, portanto, qualquer dogma de fé, se opõe ao mundo sensível e ao inconsciente, por considerá-los “duvidosos”.

A vida deste matemático francês foi peculiar. Devido a problemas de saúde, desde criança teve que passar várias horas deitado na cama, as quais aproveitava para pensar e divagar sobre o mundo. Alguns anos depois, criou as bases desta corrente filosófica.

Desenvolvido na Europa nos séculos XVII e XVIII, o racionalismo propõe a dúvida como o único método para encontrar a verdade universal. Sua contribuição principal: a dúvida metódica como forma exclusiva de chegar ao conhecimento. 

René Descartes

Dois tipos de idealismo

O próprio Descartes, junto com outros autores como Berkely, Kant, Fichte (idealismo subjetivo) ou Leibniz e Hegel (idealismo objetivo), foram alguns dos máximos representantes desta corrente.

Esta é uma das teorias filosóficas a que mais comumente recorremos. Quantas vezes já dissemos “Você é muito idealista”? Mas, sabemos realmente no que consiste esta corrente? Ela tem pouca relação com a realidade, porque o idealismo considera o mundo e a vida como modelos perfeitos de harmonia. 

Ou seja, consideram que tudo seja melhor do que é, porque manifestam propensão a apresentar as coisas como perfeitas e atribuem qualidades a algo que não as tem. Logo, chamamos esta atitude de “idealizar”.

Mesmo que existam duas correntes diferenciadas, ambas coincidem no fato de os objetivos não poderem existir sem que a mente seja consciente deles. Afirmam que o mundo externo depende da mente humana. O idealismo exalta os valores do irracional, o tradicional e o sentimental.

Teoria do niilismo de Nietzsche

“Deus está morto”. Com esta frase, Nietzsche conceitua uma de suas mais implacáveis sátiras da mentalidade imperante do século XIX. Por isso, fez uma exaustiva crítica da sociedade ocidental por meio da genealogia dos conceitos que a integram. 

Para este filósofo, poeta, músico e filólogo alemão, o mundo está afundando em um profundo niilismo, que tem que ser superado se não quisermos acabar nele. Refere-se à desvalorização dos valores supremos, a um processo histórico pelo qual acabamos “tornando inoperante o que antes se mostrava como supremo”.

Muitos pensadores posteriores jogam contra ele pela contradição que mostra entre suas próprias ideias. Ele se defendia argumentando que empregava diversos pontos de vida em suas obras para desafiar o leitor a considerar várias facetas de um mesmo tema.

Nietzsche

A teoria do Tao de Lao Tsé

Lao Tse foi contemporâneo de Buda, Pitágoras e Confúcio, mas os dados de seu nascimento e morte não são conhecidos. Tao é um composto de 2 ideogramas: cabeça e andar. Por isso, seu significado pode ser interpretado como o homem que avança, que caminha conscientemente, que vai fazendo seu caminho.

O significado depende do contexto e pode ser utilizado em termos filosóficos, cosmológicos, religiosos ou morais. Baseia-se no dinamismo e na dualidade, na ideia de que os opostos se complementam como o yin e o yang, na figura sem fim.

“Aquele que corre se prende à rede, o que nada ao anzol, o que voa ao arco. Com relação ao dragão, que se eleva até o céu levado pelo vento e pelas nuvens, não sei como poderemos pegá-lo. Vi Lao Tse, hoje vi um dragão”.
– Confúcio –

Este compêndio de teorias filosóficas evidencia que o pensamento vem mudando com o passar dos séculos. No entanto, também manifesta que muitos dogmas e hipóteses se mantiveram intactos até os nossos dias. O conhecimento sobre a realidade evoluiu da mesma forma que a mente humana, desde a infância até a idade adulta.