Autoestima: 9 recomendações para aumentá-la em um mês

9 recomendações para aumentar sua autoestima em um mês

28, junho 2017 em Psicologia 2236 Compartilhados
Autoestima: 9 recomendações para aumentá-la em um mês

A autoestima não se empresta, nem se descuida, nem se deixa esquecida nos bolsos dos outros. No entanto, continuamos sendo essa sociedade que precisa do reforço alheio para se reafirmar, e continuamos dizendo “sim” com a voz baixa quando o que precisamos é dizer um “NÃO” com voz firme. Nos esquecemos, quase sem darmos conta, de que poucos abandonos são tão letais como o de deixar de amar a si mesmo

Temos que admitir: poucas dimensões psicológicas suscitaram tanto interesse, tantas publicações e manuais no mercado editorial e do crescimento pessoal como a autoestima. A esse ponto, grande parte da população sabe lidar com conceitos, terminologias, estratégias e ferramentas afinadas criadas por especialistas renomados que nos convidam a melhorar dia após dia para desenvolvermos o nosso potencial.

No entanto… o que é que conseguimos? Conseguimos realmente aumentar a nossa autoestima? A verdade é que nem sempre. Saímos de casa depois de repetir várias vezes diante do espelho frases como “eu me amo, sou capaz de realizar tudo o que eu me propuser e nada nem ninguém pode me impedir”.

No entanto, sem demorar muito, voltamos para a caixa de saída dos círculos viciosos compostos por pensamentos negativos. Damos de cara com a insegurança, com o medo do que vão dizer, e destinamos nossas ações a essa busca incessante de reconhecimento para aumentar nossa autoestima a um alto preço.

Não é fácil, e não o é principalmente porque muitas vezes temos uma ideia limitada do que realmente é a autoestima, porque não, não é suficiente “amar a si mesmo”. É igualmente importante melhorar e trabalhar dimensões tão básicas como a percepção que temos sobre a nossa própria pessoa, assim como as interações que estabelecemos com quem nos rodeia.

Como podemos ver, nesse tecido complexo que forma a nossa identidade social e emocional, existem algumas franjas e costuras que é necessário fortalecer ou até mesmo renovar. Portanto, propomos que você reflita sobre essas nove estratégias.

Mulher com baixa autoestima

1. Aprenda a se autoabastecer

O fato de não saber “nutrir”, atender e alimentar a nós mesmos é uma maldição, uma espécie de sortilégio que nos obriga uma vez e outra a cometer o mesmo erro, a mesma conduta, o mesmo fundo do poço: buscamos nos outros o que não oferecemos a nós mesmos.

Se iniciamos um projeto, esperamos que nosso parceiro, amigos e familiares apoiem cada ideia, cada expectativa, cada objetivo e cada proposta. Se não fizerem isso, se têm uma opinião negativa sobre algum aspecto, talvez iremos ficar com a sensação de que no fundo querem nos fazer desistir da ideia. Assim, podemos chegar a tomar isso como um ataque pessoal.

Que tipo de felicidade podemos aspirar com esse enfoque pessoal? Uma onde existe apenas migalhas, uma felicidade em que se os outros não nos encherem de certezas, elogios e carinhos, entramos em colapso. Aliás, se pudermos, as condenamos ao inferno.
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Temos que ser pessoas autônomas emocionalmente, seres que se autopercebem como valiosos para si mesmos e extraordinariamente dignos de aspirar qualquer meta, propósito ou objetivo. Desta forma, e apenas desta forma, seremos capazes de encontrar a parte positiva das críticas que existem nesse planeta.

2. Evite as autoafirmações positivas genéricas

Já dissemos no início. Há quem não saia de casa sem antes ter cumprido um ritual simples, o de se colocar em frente ao espelho e repetir frases como “eu me amo, sou capaz, sou bonito, ninguém pode me machucar ou sou alguém que vale a pena”.

Bem, é bem possível que a fórmula funcione para mais que uma pessoa, mas temos que entender que esse tipo de expressões genéricas funcionam quase sempre como “calorias vazias”. Ou seja, elas dão ânimo por um determinado tempo, mas são digeridas em poucas horas e o efeito desaparece. São ideias escorregadias, que por não serem concretas, dificilmente evocam memórias que agem como apoio.

Crie afirmações pessoais, íntimas e que toquem sua fibra interior até o ponto de a revitalizar como a corda de um violino.
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Por exemplo: “No passado te machucaram, te fizeram acreditar que você era pequeno/a e insignificante, mas agora você curou suas feridas e tem a pele muito mais dura. Agora você é um gigante, aquela criança assustada de ontem ficou para trás. Agora nada é capaz de detê-lo”.

Homem desenvolvendo sua autoestima
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3. Crie o seu próprio sistema imunológico emocional

Ter uma baixa autoestima nos deixa mais vulneráveis a muitas das “lesões” psicológicas que podem acontecer na vida diária, sejam de pequeno ou de grande alcance. Somos menos resistentes à frustração, ao fracasso, as decepções doem mais, nos custa controlar a ansiedade e o estresse…

  • É necessário que criemos um verdadeiro “sistema imunológico emocional”. Da mesma forma que o nosso organismo dispõe de uma série de órgãos, células e de diferentes mecanismos para enfrentar diversos vírus, bactérias e possíveis infecções, também devemos conseguir o mesmo a nível psicológico.
  • Trata-se apenas de integrar uma estratégia de conscientização para entender que precisamos de nutrientes adequados que nos fortaleçam, que nos sirvam de barreira de defesa e de proteção: o amor próprio, a autoconfiança, um bom autoconceito, a positividade, a resiliência, o senso de humor, a capacidade de relativizar, o saber dizer “não”.

4. A autoestima não se alimenta só de “esperança”, ela precisa de convicções

Há pessoas que dizem a si mesmas, com o propósito de fortalecer sua autoestima, frases como “tudo vai correr bem, vou ter êxito e vou conquistar isso e aquilo e tudo o que eu quiser”.

Assim como afirmamos anteriormente, esse tipo de reforços têm uma bateria muito curta. Devemos entender que quando estamos diante de uma pessoa com uma baixa autoestima, não lhe vai servir de muito que a alimentemos à base de simples esperanças, o que ela precisa é de convicções, aspectos firmes, concretos, realistas e tangíveis.

Portanto, nós precisamos aprender a nos “retroalimentar” e, para isso, o melhor a fazer é focar o próprio olhar nas nossas competências, conquistas e habilidades sendo realistas.

“Eu me dou muito bem com os temas sociais. Consegui uma boa nota no meu curso universitário e isso me capacitou a trabalhar neste campo, não tenho que me sentir inseguro porque tenho as competências adequadas, por isso não há razões para eu duvidar de mim. Eu sei o que valho e entendo que tenho altas probabilidades de conseguir o que quero, porque no passado eu alcancei várias conquistas…”

5. Aceite-se, você é o presente mais maravilhoso dessa vida

Mulher lutando para fortalecer sua autoestima

Como negar isso? Desde crianças nos guiaram, orientaram e submeteram à magia do elogio, da cantada ou dos tapinhas nas costas e do olhar de aprovação. Nos transformamos em viciados pelo reconhecimento externo, e em caso de não o conseguir, a causa, como não, está nesses defeitos próprios e irremediáveis: porque somos desajeitados, feios, gordos, tímidos ou fracassados.

Pouco a pouco nos afastamos de nós mesmos como se habitássemos uma pele incômoda, um corpo estranho que odiamos e que nos repugna.

  • Ao longo da nossa infância, ninguém pensou em momento algum em perguntar se nos sentíamos orgulhosos de nós mesmos, se nos amávamos ou nos aceitávamos. Por isso, muitas vezes atingimos a idade adulta perdidos e frustrados sem saber para onde olhar, para dentro ou para fora…
  • Se realmente desejamos melhorar e aumentar a nossa autoestima, temos que fazer isso: temos que nos aceitar de corpo e alma, somos o que há de mais belo nessa vida. Não há motivos para se envergonhar por pensar assim. Nada é mais importante do que esse corpo que nos permite avançar, sentir, experimentar, nada é mais digno do que essa mente, essa pele e esse coração que merece se amar, ser amado e se sentir incrivelmente forte e bonito.

6. Explore, busque, pergunte

A baixa autoestima nos fecha no porão da zona de conforto, nos esgotos da imobilidade e no quarto escuro do medo. Ela nos sussurra que é melhor não experimentar, não arriscar e não explorar, porque o mais provável é que vamos cometer um erro mais uma vez ou que vamos chamar muita atenção entre os outros.

  • Se realmente desejamos perceber mudanças reais e viáveis em um mês, devemos fazer tudo isso: explorar, buscar, perguntar…
  • Não é preciso estar completamente seguro de algo para “ensaiar” coisas novas, temos que nos arriscar e improvisar com mais frequência, nos deixando levar pelo princípio da intuição e pelo sentido do prazer, deixando para trás a sombra do medo e a preocupação.

A realidade e tudo aquilo que nos envolve esconde coisas, pessoas e situações realmente agradáveis que merecem ser descobertas.

Mulher com problemas de autoestima

7. Encontre um equilíbrio entre a razão e a intuição

As pessoas com baixa autoestima apresentam uma tendência desmedida para racionalizar tudo. “Se eu fizer isso podem pensar aquilo, tenho que fazer aquilo para que percebam que eu sou capaz”. “É melhor eu evitar isso porque eu posso fracassar, é melhor eu me calar em relação ao que eu sinto e agir como se nada tivesse acontecido…”

  • Essa racionalização e essa obsessão por esmiuçar cada detalhe até o ponto de prever o que pode acontecer e o que não pode muitas vezes nos leva a estados de ansiedade muito destrutivos.
  • Devemos recuperar o olfato, o sentido e o sabor das nossas emoções, permitindo que sejamos livres do medo e da insegurança.

Atreva-se a degustar do prazer de se priorizar, de colocar você como a prioridade máxima no seu dia a dia e a nutrir a si mesmo como você merece, sem tantas correntes, pressões e reticências.

8. Elogiar a si mesmo de vez em quando é um bom hábito

Os autoelogios são necessários e muito úteis para aumentar a própria autoestima. No entanto, é extremamente importante ter em mente um pequeno detalhe: não devemos fazer isso de forma exagerada ou desmedida, mas apenas quando fizermos algo bem, algo do qual nos sentimos orgulhosos.

  • “Hoje eu consegui dizer àquela pessoa que não vou poder ir à festa de aniversário dela” ⇔  Me sinto orgulhoso/a de mim mesmo porque já estou conseguindo ser consistente entre os meus desejos e as minhas ações.
  • “Hoje me sinto bem comigo mesmo porque consegui levar o meu objetivo adiante, apesar de ninguém acreditar que eu conseguiria”.

9. Recompense a si mesmo todos os dias, você merece

É muito possível que no seu dia a dia você foque cada esforço, pensamento e energia em recompensar os outros, em ajudá-los, em tornar a vida deles mais fácil, em encaixar a força nos seus mapas, em suas expectativas, no que esperam de você.

Este enfoque de vida, a longo prazo, pode oferecer apenas um fruto: o sofrimento.

Para melhorar a sua autoestima e começar a ver mudanças reais em apenas um mês, aprenda a se recompensar todos os dias de formas diferentes e variadas:

  • Separe um tempo só para você.
  • Saia para passear, correr, caminhar em um ambiente natural.
  • Convide a si mesmo para uma xícara de café e inicie um diálogo interno, com o objetivo de definir bem as suas prioridades.
  • Dê um livro de presente para si mesmo, uma simples viagem de fim de semana, uma hora de silêncio e solidão.
  • Recompense a si mesmo todos os dias sendo consistente com os seus desejos e os seus atos.
  • Presenteie-se com boas pessoas na sua vida e deixe de lado as que te incomodam, aquelas que ferem a sua autoestima.

Mulher desenvolvendo sua autoestima

Para concluir, temos consciência de que reparar e curar os fragmentos de uma autoestima ferida ou fragmentada exige tempo. No entanto, essa tarefa requer dois componentes básicos: vontade e perseverança. Pouco a pouco vamos descobrir essa dimensão ideal, onde através das distâncias perfeitas e da confiança vamos nos amar um pouco mais sem medos, culpas ou solavancos. O próprio caminho para conseguir isso já vale a pena.

Referências bibliográficas

-Nathaniel Branden (1994) “The Six Pillars of Self-Esteem”. New York: Bantan Books

-Luis Rojas-Marcos (2007) “La autoestima, vivir mejor”. Barcelona: Espasa Hoy

-Walter Riso (2012) “Enamórate de ti: El valor imprescindible de la autoestima”. Valencia: Océano

Imagens cortesia de Katrhin Honesta

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