A Celestina: caracterização psicológica de seus personagens

setembro 8, 2019
Quais são as características psicológicas dos personagens do livro 'A Celestina'? Por que eles são tão importantes para o desenvolvimento de toda essa tragicomédia? Vamos responder estas perguntas neste artigo.

A Celestina é uma obra literária cheia de questionamentos. Por isso é tão interessante, especialmente quando se trata dos seus personagens. Todos apresentam uma caracterização psicológica específica que os faz desempenhar um papel essencial na obra.

Concentrar-se nos personagens que Fernando de Rojas criou com tanto cuidado é uma forma tradicional de abordar essa obra literária considerada uma tragicomédia.

Vejamos, então, como esse escritor espanhol caracterizou psicologicamente todos os personagens que aparecem neste livro do século XV.

Os personagens de A Celestina

Em A Celestina podemos encontrar 13 personagens que têm um papel significativo no desenvolvimento da obra. Embora sejam os amantes, Melibea e Calisto, o eixo central de toda essa tragicomédia, as outras figuras que aparecem também têm a sua importância.

Jardim Calisto e Melibea

A Celestina

Celestina é uma pessoa idosa famosa por conseguir, através de certos truques, que duas pessoas fiquem juntas. No entanto, apesar dessa ajuda, que nesta obra ela fornece a Calisto para que Melibea se encante por ele, Celestina é uma mulher que se caracteriza por:

Melibea

Melibea é uma das protagonistas de A Celestina. A princípio, vemos como ela não se sente atraída por Calisto. Essa rejeição tão clara se manifesta e é observada através de uma notável arrogância e altivez.

No entanto, após a ajuda que Calisto recebe de Celestina, a mudança que ela apresenta é súbita e surpreendente.

Vai da rejeição à entrega mais absoluta, na qual é ela quem se mostra proativa para se encontrar secretamente com Calisto. Assim, acaba caindo no extremismo de um amor romântico, o que a leva a um final infeliz.

Calisto

Calisto fica preso a Melibea, mas o que o move não é o amor, e sim a vontade de conseguir o que ele deseja. Isso o transforma em uma pessoa egoísta que faz qualquer coisa para alcançar o que anseia, independentemente das consequências.

Isso faz com que ele se mostre uma pessoa insegura e imatura. Falamos de um jovem sonhador que não suporta muito bem a frustração de suas expectativas. Quando estas não são cumpridas, entra em crise devido à resistência imposta, neste caso, por Melibea.

Calisto tem um papel de anti-herói, pois morre de uma maneira absurda quando coloca os pés no vazio ao descer as escadas.

Pármeno e Sempronio

Pármeno é o servo de Calisto; é um personagem leal que se esforça para cuidar de seu senhor. Ele o alerta do perigo de depositar a sua confiança em Celestina. No entanto, essa lealdade ‘cai por terra’ porque Calisto o humilha e não acredita no que ele diz.

Sempronio é outro servo de Calisto que é representado como um mentiroso com falsas intenções. Ao contrário de Pármeno, desde o começo ele se aproveita do seu ‘senhor’ tentando lhe tirar o máximo de dinheiro possível, sempre mantendo a aparência de uma pessoa honesta.

Sósia e Tristão

Sósia e Tristão são servos fiéis de Calisto. Sósia é apresentado como uma pessoa que se apaixona cegamente por Areúsa, que o manipula para obter informações sobre o seu dono.

Por outro lado, Tristão se apresenta como um servo muito apegado que sofre muito quando Calisto morre. Tanto Tristão quanto Sósia são amigos de Calisto, mais do que servos. Uma amizade pura, sem intenções ocultas.

Lucrécia

Lucrécia é criada de Melibea e é uma confidente fiel. Ambas contam tudo o que acontece com elas, especialmente no amor, sentindo-se assim acompanhados em suas desgraças e desventuras. Graças a Lucrécia, Calisto e Melibea podem se ver todas as noites.

Lucrécia era prostituta, mas decidiu mudar de vida e se dedicar ao trabalho. No entanto, a sua personagem é o arquétipo de uma pessoa invejosa. Ela sente inveja das suas antigas companheiras e, também, dos encontros amorosos de Melibea com Calisto.

Elícia e Areúsa

Elícia é uma prostituta de Celestina que tem um caráter impulsivo, contraditório e despreocupado. Essa personagem vive o presente. No entanto, quando a sua tutora morre, ela busca vingança porque se sente solitária e acabada.

Areúsa é outra das prostitutas de Celestina. Ao contrário de Elícia, essa personagem é caracterizada como independente, livre e rancorosa. É muito semelhante a Celestina, pois sabe manipular os outros. Ela faz isso com o seu parceiro, Centúrio.

Centúrio

Centúrio vive às custas das prostitutas, o que hoje é conhecido como um ‘gigolô’. Ele se caracteriza como um cafetão, malvado, um tanto lascivo e mentiroso; geralmente usa prostitutas para conseguir o que quer.

Embora ele se apresente como uma pessoa que se impõe com a sua presença devido ao seu mau caráter e altura, na realidade essa coragem é apenas uma fachada. No fundo, ele é um personagem covarde.

Mergulhar nas páginas de um livro

Plebério e Alisa

Plebério é o pai de Melibea e se apresenta como um homem muito velho, sempre muito ocupado. Quando Melibea morre, a sua vida perde todo o significado. Ele é um personagem que está muito preocupado com a sua filha, especialmente porque ele quer que ela se case.

Alisa é a mãe de Melibea. Tem um papel secundário, já que está à sombra do marido. Ela é uma personagem bastante ingênua que não desconfia de ninguém. De fato, deixa Celestina entrar em sua casa.

A evolução dos personagens em A Celestina

A caracterização psicológica dos personagens desta obra de Fernando de Rojas é muito diversa. No entanto, é o que permite que uma evolução seja claramente percebida.

Todos eles mudam. Melibea vai da rejeição ao amor mais absoluto por Calisto, Elícia passa de uma completa indiferença à busca de vingança pela morte de Celestina. Cada um tem um papel importante e fundamental.

Você já leu o livro A Celestina? Você já pensou na forma como Fernando de Rojas caracterizou psicologicamente os seus personagens?

  • de Riquer, M. (1957). Fernando de Rojas y el primer acto de “La Celestina”. Revista de filología española41(1/4), 374-395.
  • De Rojas, F. (1996). La celestina (Vol. 12). Ediciones AKAL.
  • Illades, Gustavo. (2009). La tragicómica “grandeza de dios” en La Celestina. Acta poética30(1), 85-116. Recuperado en 15 de junio de 2019, de http://www.scielo.org.mx/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0185-30822009000100004&lng=es&tlng=es.