3 mitos do amor romântico

dezembro 21, 2018

O amor romântico é uma das grandes mentiras da humanidade. Nasce como consequência do exagero do modelo de casal e da ocultação dos defeitos devido à idealização. Está em todas as partes. Desde que somos crianças, os filmes de desenhos animados nos incentivam a superar qualquer adversidade, e um dos prêmios mais comuns para os personagens que conseguem é um amor sem defeitos, perpetuando os mitos do amor romântico.

O principal problema do amor romântico é a divisão de papéis de gênero, transformando o homem em ator e a mulher em recompensa. Embora possa não parecer, esse modelo se repete em vários livros, filmes, séries e outros produtos audiovisuais que conhecemos e consumimos regularmente.

Mitos do amor romântico

Os seguintes mitos do amor romântico estão presentes no nosso dia a dia e afetam os nossos relacionamentos, criando expectativas irreais e prejudiciais.

Casal segurando coração

1. A alma gêmea

Desde que assistimos ao nosso primeiro filme de princesas, acreditamos que existe uma única pessoa para nós. Eles projetam a ideia de que estamos destinados a essa pessoa e que, quando a encontrarmos, ficaremos apaixonados desde o começo. Ela se encaixará perfeitamente com a nossa personalidade e os nossos desejos. Aprendemos, portanto, que o amor deve ser exclusivo e fiel, sem experiências prévias.

Ter vivido diferentes relacionamentos, em muitos casos, nos ajuda a determinar o que queremos e o que não queremos. Também nos oferece dicas para saber em quais questões podemos negociar ou o perigo de fazer determinados pedidos. Isso não significa que seja necessário ter muitos parceiros, mas que não é imprescindível ter apenas um.

2. A onipotência do amor

A maioria dos contos, filmes e outros produtos audiovisuais fazem referência à onipotência do amor. O amor pode vencer qualquer obstáculo, tornando infinitas nossas forças e nossa capacidade de resistência. O problema é que são muitas as pessoas que veem sua dignidade ser pisoteada e mantêm o relacionamento se apegando a essa ideia.

O amor não pode vencer tudo. Na verdade, não deixa de ser uma construção social que podemos rejeitar se não for adequada à nossa vida profissional, familiar ou individual. Nem todas as pessoas estão preparadas para ter um relacionamento duradouro, nem todas querem ou estão preparadas para ter somente um tipo de relacionamento.

Há casais que vivem juntos. Há outros que, mesmo podendo viver juntos, são felizes mantendo cada um seu espaço e, por isso, vivem em casas separadas. Há casais que decidem tentar superar um determinado obstáculo e outros que decidem se separar. A verdade é que todos são igualmente respeitáveis. O mais importante é que todas as pessoas que os formavam ou formam podem continuar sendo felizes.

3. Os polos opostos se atraem

Esse é um dos mitos mais perigosos. Ele tem duas vertentes: uma que se relaciona diretamente com a onipotência do amor e a alma gêmea, e outra relacionada à mudança por amor. Na primeira vertente, as diferenças são aceitas pensando que, no final, o amor entre ambos vai superar os obstáculos.

Na verdade, um casal com opiniões muito diferentes vai conviver constantemente com o desacordo, as discussões e os conflitos. Embora a crítica e o debate em um casal sejam saudáveis, o conflito contínuo mina o sentimento de união e compatibilidade.

Casal conversando em casa

A segunda vertente é uma das mais difundidas da literatura, do cinema e da televisão. Todos nós conhecemos histórias nas quais uma pessoa (geralmente uma mulher) encontra um parceiro que, a priori, não lhe convém. É nesse momento que, em vez de buscar alguém mais compatível, a pessoa emprega todos os seus esforços para fazer com que a outra pessoa mude para poder formar um relacionamento.

A verdade é que as pessoas não mudam com tanta facilidade. O erro nesses casos está em amar a pessoa que projetamos no futuro, e não a pessoa atual. É com ela que iniciamos (ou não) um relacionamento.

A compatibilidade, a tolerância e o respeito, somados a uma atração saudável, dão origem a um amor forte e duradouro (se isso é o que nos interessa). A tentativa de reproduzir modelos externos, de pessoas que não conhecemos, cria em nós expectativas irreais que, a longo prazo, só vão nos frustrar.