A promissora geração X: o que aconteceu com ela?

A geração X foi, para o seu tempo, o que os Millennials são para este: jovens imensamente preparados sem mercado de trabalho. O que aconteceu com eles?
A promissora geração X: o que aconteceu com ela?

Última atualização: 13 Junho, 2021

O termo geração X tornou-se popular em sua época quando se referia ao segmento da população jovem, em torno dos 25 anos, com formação universitária. Além disso, esses jovens falavam várias línguas, haviam viajado e na época enfrentavam o período de início de carreira.

A geração X foi, para aquela época, o que a geração millenial é para esta. Os X são filhos daqueles que viveram uma época de dificuldades. Seus pais se esforçaram muito para levá-los à faculdade e ter uma educação melhor. Certamente, nunca houve tantos jovens com acesso ao ensino superior como no final do século XX.

Em todo o mundo, a chamada geração X ficou conhecida como a geração perdida ou a geração da apatia. O termo geração de Peter Pan também se tornou popular, provavelmente uma consequência dessa independência tardia.

Gerações X e Y

O que a geração X viveu?

Essa geração é identificada como ‘X’, uma incógnita, o desconhecido. Isso porque os Xs tiveram que iniciar sua carreira profissional em um momento histórico de grandes incertezas e altas taxas de desemprego.

Eles nasceram mais de uma década após os felizardos baby boomers, de 1960 a 1980. Em seus anos mais jovens, eles foram o público alvo do canal de televisão MTV. Eles foram os primeiros a jogar pinball. As novas tecnologias – ainda muito rudimentares – começaram a configurar uma geração que já marcava o final do século e uma ruptura com o que existia até então.

Assim, a geração X foi a primeira a vivenciar a grande mudança tecnológica na própria pele. O fim da era analógica, o início da era digital e o advento da internet. Todas essas mudanças foram vivenciadas na idade adulta, quando os jovens não eram pequenos demais para ignorar os fatos, nem grandes demais para não serem tão afetados pelas mudanças.

Quando eram pequenos, usavam fitas cassete, iam à locadora e não se separavam do walkman. Ficaram maravilhados com a chegada do CD após serem usuários de disquetes.

Em suas casas, foi celebrada a compra dos primeiros desktops. Os X acompanharam o nascimento da internet e o uso do celular e foram os primeiros usuários das salas de chat.

Socialmente, esta geração também teve que testemunhar fenômenos mundiais. Nos anos 80 e início dos anos 90, vivenciaram o bombardeio do consumismo e algumas mudanças históricas no sistema político, como a queda do Muro de Berlim e o fim da Guerra Fria.

No calor da era da liberdade sexual e despreocupada, eles testemunharam a comoção que o aparecimento do vírus da AIDS acarretou.

Características atribuídas à geração X

1. Ambivalência tecnológica

Em geral, esta tem sido vista como uma geração que gosta de avanços tecnológicos. No entanto, há um setor entre eles que reluta em aderir à tecnologia.

Eles não perderam o gosto por comprar CDS nas lojas, muitas vezes comprando até vinil em vez de pagar e baixar online. Esta é uma geração que cresceu bem no meio da transição do analógico para o digital.

O vício em redes sociais não é alarmante neste segmento populacional. Eles não se esqueceram do prazer da conversa cara a cara e não precisam estar permanentemente conectados para estar vivos.

2. Eles formaram famílias mais tarde

Sabe-se que a idade média para sair de casa pela primeira vez passou de 23,9 anos na década de 80 para 31,7 anos em 2012. Um aumento de quase oito anos. Forçados pela realidade da sua situação financeira, eles demoraram mais para voar para fora do ninho da família.

3. Eles preferem morar juntos a se casar

Também contribuíram para o aumento da taxa de divórcios, que passou de 0,9 divórcios por mil habitantes em 2000 para 2,4 em 2012.

4. Focado no empreendedorismo

De acordo com pesquisas recentes, 4 em cada 10 pessoas com cerca de 40 anos estão focados na ideia de empreendedorismo. Segundo várias análises de mercado, 25% delas perseguem o sonho de criar o seu próprio negócio.

O principal fator que os move é o desejo de serem patrões. Em segundo lugar está a sensação de autorrealização e o retorno ao mercado de trabalho.

Homem trabalhando remotamente

5. Os cuidados de saúde não são uma prioridade

A faixa etária entre 40 e 59 anos é a que come pior. Um estudo realizado na Espanha indicou que apenas 35% desse segmento segue uma dieta alimentar balanceada, e apenas 35% dos que agora têm entre 40 e 49 anos praticam algum esporte regularmente.

Entre os motivos que causam esses maus hábitos está o fato de não terem um tempo diário para essa atividade. Por esse mesmo motivo, dormem em média apenas sete horas.

O trabalho da geração X

As pessoas da geração X tiveram que ocupar cargos intermediários, dada a situação de que os baby boomers se perpetuaram em seus cargos de chefes e poderosos, dificultando a ascensão das gerações posteriores.

Por outro lado, em comparação com cargos de liderança em que a representação feminina é dolorosamente baixa, na geração X as mulheres se consolidaram no mercado de trabalho.

Aqueles que conseguiram surfar na onda, em meio à precariedade laboral em que viviam, são reconhecidos pela versatilidade: são flexíveis e multifuncionais. A interação com a força dos mais jovens obrigou as empresas a manterem a mente aberta a novas ideias.

Esse segmento está sob pressão de seus superiores e também de funcionários mais jovens, que buscam um lugar para crescer. Muitos nesta geração enfrentam a frustração de não conseguir consolidar suas carreiras profissionais.

A perspectiva atual

Aqueles na casa dos 40 anos que querem trocar de carreira ou têm pouca formação profissional acrescentam às suas frustrações o fato de já estarem classificados como ‘mais velhos’ para o mercado de trabalho.

A urgência de cobrir as despesas que nesta idade já são evidentes (carro, moradia, etc.) os levou a ocupar cargos para os quais são superqualificados.

Em suma, os jovens da geração X fizeram o melhor que puderam. Assim, uns foram à procura de novos horizontes enquanto outros ficaram para trás em várias tarefas, desde estágios sem remuneração ao recebimento eterno de bolsas.

A grande maioria teve que superar a realidade avassaladora de não exercer a sua profissão. Hoje, a geração X ganhou experiência suficiente para sobreviver e defender suas vidas e famílias.

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