A necessidade de acabar com a solidão nos deixa vulneráveis

A necessidade de acabar com a solidão nos deixa vulneráveis

novembro 11, 2016 em Psicologia 2 Compartilhados
A necessidade de acabar com a solidão nos deixa vulneráveis

A solidão tem duas caras. Pode ser um inimigo mortal que o atinge como uma pedra. Mas também pode ser seu melhor amigo: aquele que o apoia no que você realmente quer e que está ao seu lado a todo momento.

A solidão faz você refletir de uma maneira mais profunda sobre o que você quer. Todos nós precisamos desses momentos de solidão. Precisamos do nosso espaço para estar com nós mesmos. Para pensar.

Mas a zona de conforto impede algumas pessoas de viverem esses momentos. Porque se sentem vulneráveis e, por isso, precisam de outras pessoas ao seu lado sempre. Simplesmente para terem alguém com quem dividir suas experiências. Simplesmente por esse medo da solidão.

Você deixou de ir ao cinema “porque não tem ninguém com quem comentar o filme”? Na verdade, é a desculpa que você encontra para não ir sozinho/a.

A necessidade de companhia pode confundir amizade com amor

Não ter com quem dividir experiências, sentimentos, sensações, dúvidas, pequenos momentos, etc. Não ter quem segure sua mão e diga que tudo vai sair bem. Quem o console em momentos de fraqueza e tristeza. Quem o apoie quando você toma uma decisão. Quem o escute quando você está falando sobre os seus próximos passos e que olhe nos seus olhos com a profundidade que tem o amor.

Quando você já teve algo assim e perdeu, deixa saudades. Quando nunca viveu isso, também. Porque você sente falta das sensações que se produzem no seu corpo e as emoções que você sente só de pensar no que poderia ter tido.

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Escutar o seu coração vibrar, sentir borboletas no estômago porque você vai se encontrar com essa pessoa. Você precisa voltar a experimentar essas emoções que são uma lembrança de que você não está sozinha. E essa necessidade pode fazer com que você substitua seus verdadeiros sentimentos e os cubra e enfeite para sentir a emoção do amor.

Inclusive, você pode ver a si mesma, por exemplo, comprando um vestido caríssimo para o seu próximo encontro. Para estar extraordinariamente sexy. Porque isso é o que você faria com seus sentimentos reais e originais. Porque isso é o que você sente falta e quer voltar a sentir isso para se sentir viva. Para perceber que você continua aqui. Que tudo pode voltar a acontecer. Que tudo está acontecendo.

Mas, cedo ou tarde, sua mente voltará ao estado de lucidez. Porque mesmo sem querer, você estará colocando obstáculos no seu caminho: “é que eu tenho que...”, “é que não…”, “é que…”. Desculpas que você coloca para calar a sua consciência e deixar para outra pessoa a responsabilidade pelo fato do relacionamento não ter dado certo.

Por isso, ter substitutos emocionais não é uma opção. Os sentimentos que você tem em relação a essa pessoa são inventados e maquiados para parecerem reais. E no primeiro sinal de mudança, cairá a torre de papel que você construiu e tudo virá abaixo.

Ter certeza completa e absoluta de que um relacionamento vai funcionar não é possível. Mas ter a completa e absoluta certeza de que você está colocando tudo de você para que ele funcione é possível. E você tem que saber se realmente está sendo responsável pela sua vida, se está agindo com coerência quando entra num relacionamento unicamente por necessidade.

A necessidade de fugir da solidão gera dependência

Precisar da companhia de outra pessoa gera dependência. Uma dependência emocional que vai minando-o e destruindo-o como pessoa. É possível que chegue um momento na sua vida em que você esteja disposta a pagar o preço para dividir a sua vida com alguém e não sentir essa solidão. Esse preço faz parte da necessidade que você tem.

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É possível descartar a dependência emocional se ambas as partes estão completamente conscientes do relacionamento que mantêm. Poderíamos dizer que se trataria de um relacionamento desde o começo. Um relacionamento em que 1+1=2, de verdade. Duas pessoas conscientes, sinceras, olhando para a mesma direção e com um mesmo objetivo. Na verdade, não poderíamos dizer que isso é o amor? O amor maduro, o que nasce com o tempo.

Em relacionamento assim, as fases da paixão não são produzidas. Ainda que tenha um aspecto de ilusão por conta da novidade que sua vida aparenta ter, é uma fase em que, aparentemente, você se comporta como faria num relacionamento real, mas sabendo como a outra pessoa é na verdade.

Um relacionamento assim, sem as borboletas no estômago, sem as dúvidas sobre o que irá encontrar no futuro, talvez não produza as mesmas emoções que as de duas pessoas apaixonadas. Num relacionamento desse tipo, o amor não tem nada a ver. Requer maturidade de ambas as partes. Consciência da necessidade que um tem do outro. É como uma espécie de contrato de afinidade.

Se você deseja um relacionamento assim, vá em frente. Mas não tente disfarçar de outra coisa. Aproveite-o da maneira como ele é.

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