Querer agradar pode se transformar em nosso fracasso

Querer agradar pode se transformar em nosso fracasso

21, agosto 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
Querer agradar pode se transformar em nosso fracasso

Feche os olhos e imagine a Terra do Nunca. Wendy é a garota que cuida dos personagens da história nesse mundo de fantasia, que é capaz de fazer o que Peter Pan não tem coragem, que assume riscos e responsabilidades, procurando agradar mas sempre permanecendo em segundo plano. Abra os olhos novamente. Isto lhe é familiar?

Trata-se de uma metáfora que reflete como muitas vezes procuramos agradar aos outros nos esquecendo de nós mesmos e do que realmente desejamos. Assim, é muito comum dizer sim a propostas como tomar um café com outra pessoa quando não temos vontade, ou diante de propostas muito mais importantes como se casar, estudar uma determinada profissão ou ter filhos.

Optamos pelo caminho que a curto prazo parece mais fácil, o de evitar conflitos e ignorar o que desejamos. Preferimos pagar esse preço em vez de acrescentar uma discussão ou uma preocupação a mais aos nossos dias comandados pelo estresse. Contudo, o que na verdade fazemos com isto é subestimar o preço que teremos de pagar a longo prazo por tal concessão.

Temos medo de dizer não e optamos por agradar para não nos sentirmos rejeitados ou para não decepcionarmos a outra pessoa, mas o que acontece conosco? Quem somos? Na verdade, o importante não é a origem dessa conduta complacente, e sim o que estamos fazendo para ter essa conduta que nos imobiliza.

Uma crença irracional: preciso de amor e aprovação

O psicólogo Albert Ellis, criador da terapia racional emotiva, fala de onze crenças irracionais comuns, que se contagiam e assolam o restante dos pensamentos e emoções que habitam as nossas mentes, transformando o horizonte em um lugar escuro e abrindo a porta a uma sensação de mal-estar leve.

Uma dessas crenças é a seguinte: “Preciso do amor e da aprovação de todos os que me rodeiam” ou “preciso ser amado e ter a aprovação de todas as pessoas importantes que me rodeiam”. Esta crença, em diferentes graus, habita quase todas as cabeças e é a que nos leva a querer agradar a outras pessoas.

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Trata-se de uma crença irracional pois ser aprovado por todos é impossível. Se precisamos ser constantemente aprovados estaremos sempre preocupados pensando se somos aceitos ou não e em que grau as pessoas gostam de nós.

Não é realista pensar que vamos simpatizar com todo mundo. Por outro lado, procurar ser aprovado pelos outros exigiria um esforço tão grande que teríamos que abandonar nossas próprias necessidades.

Uma forma racional de enfrentar esta crença consiste em pensar que deveríamos erradicar a necessidade excessiva de aprovação ou de amor. Neste sentido, é mais correto procurar a aprovação por suas atitudes e comportamentos do que por você propriamente dito.

Como é uma pessoa que procura agradar

Uma pessoa que sempre procura agradar é a que tende a dar satisfação ou prazer à outra pessoa. Ou seja, é quem manifesta certa inclinação, mais ou menos constante, de cumprir os desejos dos outros mesmo que isto implique um preço pessoal.

Mas a noção de complacente costuma ter uma conotação negativa, porque as pessoas interpretam que se alguém sempre atende às exigências dos outros, não consegue fazer valer a sua posição, nem defender seus interesses, mas simplesmente cede às preferencias alheias se descuidando das próprias. Alguns traços que diferenciam as pessoas complacentes são os seguintes:

  • O perfeccionismo. Querer fazer as coisas perfeitas faz com que a culpa se aproxime quando as coisas não saem como se espera, especialmente quando se trata de satisfazer a outras pessoas. Uma pessoa complacente costuma ser perfeccionista e não percebe que esse próprio perfeccionismo é o que a leva a se sentir frustrada.
  • Sente-se imprescindível. Uma pessoa que constantemente agrada aos outros quer se sentir imprescindível, quer que as pessoa do seu entorno dependam dela porque isso é o que a faz se sentir aceita, respeitada e amada.
  • O amor é sacrifício. Entende que o amor significa sacrifício e se resigna a relacionamentos amorosos e familiares nos quais sente o mal-estar e o aceita como uma conseqüência normal de um relacionamento e do amor para com a outra pessoa.

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  • Evita os conflitos. Procurar agradar constantemente significa evitar os conflitos, por isso uma pessoa complacente evita discutir, dá a razão aos outros e se desculpa por qualquer coisa para conseguir ser aceita.
  • Sacrifica a sua felicidade por outras pessoas. Chega a um ponto de sacrifício que não a faz feliz, porque sempre pensa no que fará a outra pessoa feliz. Não expressa os seus sentimentos e tranca-se tanto em si mesma que deixa de ter ideias próprias e de expressá-las.

“Não importa o quanto amam você, mas sim como o amam.”
-Walter Riso-

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