O que acontece na mente de um psicopata? – A mente é maravilhosa

O que acontece na mente de um psicopata?

janeiro 22, 2016 em Psicologia 29 Compartilhados
Como é a mente de um psicopata?

A palavra “psicopata” leva a nossa mente diretamente a vários ícones da cultura moderna.

Nem todos se encaixam nesta patologia que descrevemos, mas em geral, o cinema, a televisão e a literatura estão repletos de personagens fictícios e reais que provocam fascínio, temor, curiosidade e rejeição ao mesmo tempo.

Por que nos atraem tanto? O que há nas suas mentes e na sua forma de agir que nos prendem a atenção em busca de explicações e justificativas possíveis para eles?

A psicopatia está englobada dentro do grupo de transtornos de personalidade. Isto é, uma forma de ser que se caracteriza pelo domínio por meio da ameaça, pelo não sentimento de culpa nem remorso pelo que faz, e pela manipulação para alcançar os seus próprios interesses. Tudo isto sob uma fachada de absoluta normalidade.

“O mundo do psicopata é especial;
nele reina o ‘vale tudo’ se para ele vale”
– Vicente Garrido –

pintura

São doentes mentais?

Algo comum é confundir o psicopata com o psicótico. A principal diferença é que o primeiro não apresenta alucinações ou outras formas de pensamento irracional e não perde contato com a realidade em momento algum.

Na verdade, a presença destas pessoas na sociedade é muito pequena em termos estatísticos, embora a sua criminalidade seja desproporcional quando a cometem. Contudo, não se deve confundir o diagnóstico com delito. A maioria dos psicopatas está integrado à sociedade.

Esta figura tem sido pesquisada no mundo empresarial, em casos de violência de gênero e no caso de grandes homens de Estado (Stalin, Milosevic, Mugabe, Hussein, etc.). O psicólogo industrial Babiak realizou pesquisas em que, inclusive, foi possível definir uma sequência de atuação típica.

O que sentem? O que pensam?

Cleckley estabeleceu 16 critérios. Na sua lista encontramos escassez de reações afetivas básicas, incapacidade de amar, ausência de nervosismo, personalidade encantadora, falta de sentimentos de culpa e vergonha, uso da mentira e uma vida sexual impessoal, entre outros.

Na verdade, os psicopatas se diferenciam em dois tipos: primários e secundários.

Os primeiros são insensíveis, sem arrependimentos, manipuladores, têm relacionamentos deturpados com as outras pessoas e podem demonstrar arrogância. Se fazem uso da violência, geralmente é como meio de obter algo em benefício próprio.

Os secundários tem dificuldade para tolerar o tédio, agem sem pensar nas consequências, são impulsivos e violentos.

Estudos a respeito da capacidade de sentir empatia nos psicopatas demonstraram que eles não têm problema algum para sentir empatia com a felicidade alheia, mas não com o medo. Têm dificuldade de sentir compaixão por outras pessoas. Não há reação emocional.

manipulacao

Existem pessoas más por natureza?

Existem várias teorias e algumas indicam que a principal causa tem origem biológica. A do pouco medo é uma delas.

Pesquisadores usaram como referência a experiência do medo frente a situações de perigo/castigo e a resposta com temor frente ao sinais de perigo/castigo. Concluíram que os psicopatas primários têm medo.

Se a pessoa não experimenta quando pequeno o sentimento de medo do perigo ou do castigo, não existe a experiência emocional e, portanto, dificilmente irá responder com temor aos sinais de ameaça ou perigo no futuro.  Isto é importante para formar a consciência, que se adquire com a experiência do medo e a socialização ao longo do seu desenvolvimento.

Sabe-se que este tipo de pessoa tem uma baixa resposta cerebral diante de imagens de medo, dor e sofrimento (pouca ativação da amígdala, a responsável pelo processamento e armazenamento das reações emocionais).

De fato, pesquisas de Yang, Raine, D. Phil e colaboradores, indicaram que os psicopatas têm esta estrutura cerebral significativamente menor. Portanto, eles possuem uma consciência frágil apoiada em diferenças biológicas em relação ao restante da população.

As principais pesquisas descobriram que eles têm uma grande dificuldade para adquirir novos medos associados a normas sociais, que têm pouco temor ao castigo e a suas consequências, e que têm uma maior dificuldade para adquirir o componente de evitar o perigo/ castigo, que é tão importante na consciência humana.

Portanto, frente às características, pesquisas e à biologia em si… a pergunta final é: os psicopatas distinguem entre o bem e o mal? E a resposta é sim. Eles sabem calibrar perfeitamente entre o bem e o mal e, quando prejudicam alguém, sabem o que estão fazendo.

De fato existem as pessoas más cientificamente falando, e continuam sendo feitas pesquisas a respeito, mas felizmente, a grande maioria das pessoas faz parte do outro grupo.

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