O amor cego me impede de ver o bosque - A Mente é Maravilhosa

O amor cego me impede de ver o bosque

fevereiro 15, 2017 em Psicologia 446 Compartilhados
O amor cego me impede de ver o bosque

Há um ditado que diz que “a beleza está nos olhos de quem vê”. Mas, o que acontece se quem observa está absolutamente cego? Você pode ver um vaso maravilhoso, mas para muitos ele poderia ser um verdadeiro horror. Você está olhando através do prisma do amor cego?

Até agora, sempre acreditamos que o amor é algo precioso que enriquece nosso mundo. E isso pode ser verdade. No entanto, é possível que existam diferentes formas de amar, e quando fazemos isso de maneira cega, as consequências não costumam ser boas. E isso não é algo que eu digo, é o resultado lançado por um estudo científico.

O que acontece com o amor cego?

Os testes foram conduzidos por uma equipe da Universidade de Londres. No estudo foi demonstrado que o amor cego existe. Além disso, de acordo com os seus dados, os resultados de amar dessa maneira podem ser muito negativos.

Também afirmam que estas situações podem ocorrer tanto no amor dos pais pelos filhos como no amor de um casal. Aparentemente ambos produzem efeitos muito semelhantes em nosso cérebro. No entanto, no caso do romantismo o hipotálamo é ativado, o que leva a uma maior excitação.

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Precisamente em tal excitação está a consequência mais negativa do amor cego. Aparentemente, quando estamos tão profundamente apaixonados, também estamos imensamente cegos. Isto está associado a um número de consequências da quais falaremos a seguir.

As consequências do amor cego

As consequências mais negativas do amor cego se concentram na crítica social. Nossas emoções são tão fortes que obscurecem a luz que teria que iluminar o resto das coisas. Nós somos incapazes de ver imperfeições em nossos parceiros; assim, aquilo que não fazem bem é re-interpretado, adocicado, ou diretamente excluído da memória por nossa mente.

Além disso, pode ser que nosso parceiro esteja nos prejudicando, mas como é um dano contra o qual estamos anestesiados, nós não nos importamos. Quando sofremos de amor cego, estamos tão focados na outra pessoa que todos os tipos de emoções negativas relacionadas a ela são suprimidas. Pode fazer o que quiser, porque somos incapazes de manter a menor objetividade para com essa pessoa: nossa mente é tão fantástica que encontra justificativas para tudo.

Se o nosso filho é o valentão do colégio, justificamos seu comportamento como um ato de defesa; se ele tira notas ruins, a culpa é do professor que não explica; se nos responde, é porque tem muitas atividades que geram estresse. Por outro lado, se nosso parceiro mente, é porque queria nos proteger, se não quer ficar conosco, é porque tem um monte de trabalho; se foi infiel, é porque como um casal não demos o que ele precisava. São os outros, no amor cego são sempre os outros ou nós, nunca a pessoa.

Em suma, quando caímos nas garras do romantismo cego, colocamos todos os esforços no casal, e em grande parte esquecemos quem somos. Assim, poderíamos sofrer uma infidelidade ou outros tipos de dissabores, mas o profundo amor que temos em nosso cérebro vai nos impedir de agir em conformidade.

Mais dados sobre o estudo

Os pesquisadores da Universidade de Londres escanearam mais de 20 cérebros. Todos eles foram expostos ao amor materno, mas também ao amor de casal. Embora os efeitos e as reações sejam semelhantes, havia uma diferença clara. A diferença entre os dois tipos de situações era que o amor de casal gera um estado de euforia. É porque os cérebros liberam mais oxitocina e dopamina, responsáveis pelos mecanismos de prazer.

Com um cérebro totalmente agarrado ao prazer, uma pessoa cegamente apaixonada idealiza seu parceiro. Assim, nasce uma espécie de sentimento de adoração absoluta que impede um mínimo grau de objetividade.

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O amor pode ser maravilhoso

Em conclusão, podemos dizer que o amor pode ser maravilhoso. No entanto, esse estudo volta a nos demonstrar uma máxima muito útil. Tudo com parcimônia é precioso, mas o excesso ou o déficit não costumam levar a consequências positivas.

No entanto, o nosso cérebro nem sempre consegue detectar um amor cego. Assim, se cairmos em suas redes, não será fácil sair, já que nós nos transformamos em seres impermeáveis às críticas alheias e absolutamente entregues a nossos parceiros. Além disso, não fazemos isso de maneira consciente, já que ignoramos esse filtro: para nós, o que pensamos é real.

Existe uma solução para esse problema em potencial? Não há uma fórmula mágica, mas geralmente o tempo dá e leva razões. Além disso, se você se apaixona por uma pessoa boa, é lógico que ela não quer feri-lo e deseja seu bem. Neste caso, o fato de não sentir dor e estar anestesiado não estará cobrindo danos graves; o preocupante acontece quando esse dano existe de fato, e o amor cego nos anestesia diante do sofrimento.

Ou seja, se cairmos nas garras do amor cego estaremos, de certa forma, perdidos, mas nada neste mundo é para sempre. Então aproveite cada segundo da sua vida e deixe que o tempo e seu senso comum coloquem tudo no seu devido no lugar.

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