Limerência, a magia da paixão

· junho 17, 2016

Talvez essa palavra não cause qualquer sensação em nós e nem sequer seja romântica, mas ela é o que acontece conosco a cada vez que experimentamos o amor. O termo limerência tenta explicar quais são as emoções e os pensamentos que aparecem de maneira involuntária e inconsciente no momento em que nos apaixonamos.

Dorothy Tennov foi a primeira psicóloga a colocar um nome no que acontece com a gente quando “o cupido nos dá uma flechada” em seu livro “Love and Limerence: the experience of being in love” (amor e limerência, a experiência de se apaixonar) e é sobre ele que falaremos nesse artigo.

Limerência: os sinais do amor

A limerência é o estado inicial que uma pessoa atravessa ao encontrar o amor. Isto é, a maneira como ela age, fala, e o que sente nesse momento tão bonito que muitos comparam a “estar nas nuvens”. A idealização do outro, a alegria inexplicável, o desejo de estar com o ser amado ou a falta de percepção do perigo, todos esses são sintomas da limerência.

Essa espécie de “síndrome” desaparece após alguns meses do começo do relacionamento, embora algumas pessoas continuem eternamente assim, o que acaba virando uma doença. Isso acontece porque esses efeitos de entrega total, essa excitação constante, acabam causando uma grande repercussão na vida cotidiana.

A diferença entre a limerência e o amor é simples. A limerência trabalha por conta própria e não necessita de qualquer esforço para ser alcançada. Tudo o que precisamos fazer é se deixar levar pelas promessas de amor para sempre.

Casal-apaixonado-formando-um-coração-com-suas-mãos-na-praia

No caso do vínculo amoroso, isso sim exige algo da nossa parte: o compromisso, alguns cuidados e especialmente o  trabalho diário. É por isso que muitos querem passar a vida inteira em um estado de “apaixonamento” e nunca passar a um relacionamento sério.

A limerência ou “perder a cabeça por amor”

Basicamente é isso que acontece conosco quando nos apaixonamos ou entramos em contato com alguém que nos atrai muito. A agitação da respiração, o aumento do ritmo dos batimentos cardíacos e as borboletas voando no nosso estômago fazem parte de um processo mais que bonito e pelo qual todos nós já passamos alguma vez.

O amor pode nos levar a cometer muitas loucuras, algumas delas inofensivas, porém outras prejudiciais e irreversíveis. Considere, por exemplo, a história de Romeu e Julieta. Os jovens preferiam morrer do que estar separados. Perder a cabeça por amor é não tomar decisões certas ou não pensar com clareza.

Os hormônios estão agitados, suamos por todos os lados, dizemos coisas sem sentido ou ficamos com a pele corada. É tão lindo se sentir assim! Mas para tudo há um freio, e não podemos permitir que esses sentimentos nos governem por anos.

A limerência pode se tornar uma obsessão em um piscar de olhos. Não é estipulado quanto tempo dura esse entusiasmo inicial, mas estima-se que, no máximo, ele deva durar um ano. O que acontece depois disso varia bastante, por isso, vale a pena fazer uma análise melhor.

A limerência e o amor não correspondido

Com certeza você já deve ter visto filmes onde o protagonista fica louco ao não conseguir a aceitação da pessoa que ama, e então faz o possível para mantê-la ao seu lado ou forçá-la a se apaixonar por ele. Além do enredo ficcional da história, há muitos casos em que limerência torna-se uma espécie de vício do qual é difícil escapar.

Coração-vermelho-partido

Isso geralmente acontece com aqueles que não são correspondidos no amor. Apaixonar-se por alguém casado, por um amigo ou por um ator pode ter consequências graves para a saúde mental e levar a uma doença que não permite ter uma vida normal. Quando a paixão ocorre apenas em uma das pessoas as consequências podem ser terríveis. Neste caso, perder a cabeça pelo amor torna-se um flagelo e não algo lindo que você poderia aproveitar.

Da limerência ao amor

A primeira etapa é vital para, em seguida, construir um relacionamento a longo prazo. Sem a paixão não haveria casais que se amassem apesar de tudo. Os relacionamentos nem sempre surgem onde a limerência foi bastante intensa, mas, em perspectiva, é uma experiência bonita e especialmente enriquecedora.

O amor vai além do nó no estômago ou das palpitações. É compartilhar, ter sonhos, dar e receber, viver juntos e conhecer um ao outro. O príncipe azul e as donzelas indefesas devem ser deixados para os contos. Na vida real, o tempo, a dedicação e a atenção são os ingredientes necessários para um casal feliz e completo.

Mãos-de-duas-pessoas-idosas-agarradas

A paixão costuma ser cega, surda e muda. Enquanto o amor nos ajuda a analisar, a ter uma perspectiva diferente, a pensar um pouco mais. Durante a limerência os impulsos biológicos e emocionais não dão permissão para os mentais se manifestarem. Quando o casal já está formado, os sentimentos podem ser explicados com facilidade e a comunicação parte do conhecimento mútuo.

Claro que é lindo estar apaixonado, mas é ainda mais lindo compartilhar a vida com essa pessoa especial. Vamos deixar a loucura da paixão para os começos de relacionamento e para as novelas românticas. Vamos viver um amor saudável, puro e real, que nos acompanhe até o fim dos nossos dias.