Ansiedade de separação e a importância do apego para as crianças

A ansiedade de separação e a importância do apego para a saúde das crianças

janeiro 16, 2018 em Psicologia 199 Compartilhados
Criança sofrendo ansiedade de separação

A ansiedade de separação é um estado em que nossos pequenos podem ficar e que tem o poder de afetar consideravelmente sua vida diária. Todos sabemos os problemas que a ansiedade pode trazer para os adultos, não é mesmo? Não apenas em relação ao nosso bem-estar mental, mas também em relação às nossas sensações físicas. Agora imaginemos as influências que esse sentimento pode exercer em uma criança, cuja capacidade de regular as emoções é significativamente menor…

A realidade é que, infelizmente, as crianças podem desenvolver estados emocionais que fazem com que suas infâncias sejam um período bastante triste, mesmo que neles resida o potencial para que ocorra exatamente o contrário. Para que o melhor aconteça, uma das certezas que as crianças devem interiorizar é que suas figuras de referência não as abandonam quando se vão.

“Nunca é tarde demais para ter uma infância feliz.”
-Tom Robbins-

O que é a ansiedade de separação?

A ansiedade de separação surge do medo que as crianças sentem de se separar de seus pais ou de suas figuras de apego. A realidade é que é normal que essa emoção apareça nas crianças pequenas, mas é também normal que ela desapareça em pouco tempo. Quando a criança vê seus pais saindo, mas também voltando, acaba por normalizar a separação. Passam a não sofrê-la como um abandono, e sim apenas como uma ausência temporária. Mas quando e como pode, de fato, surgir um problema?

Menino olhando por buraco

Essa ansiedade é prejudicial quando é muito intensa ou quando as separações não passam a ser normais em nenhum momento. Desse modo, pode se tornar uma patologia: o transtorno de ansiedade de separação. Para que seja diagnosticado, a criança deve manifestar ao menos três dos seguintes sintomas:

  • Mal-estar excessivo e recorrente quando se vive uma separação do lar ou das figuras de maior apego, ou quando há uma separação do tipo em vista.
  • Preocupação excessiva e persistente pela possibilidade de perda das figuras de apego, ou de que possam sofrer algum dano, como uma doença, uma desgraça ou até a morte.
  • Preocupação excessiva e persistente pela possibilidade de que um acontecimento adverso cause a separação da figura de apego (como se perder, ser sequestrado, ter um acidente)
  • Resistência ou negação persistente em sair, ficar longe de casa como na escola, o trabalho, ou qualquer outro lugar por medo da separação.
  • Medo excessivo e persistente ou resistência a ficar sozinho ou sem as figuras de apego em casa ou em outros lugares.
  • Resistência ou negação persistente a dormir fora de casa, ou dormir sem estar perto de sua figura de maior apego.
  • Pesadelos repetidos sobre o tema de separação.
  • Repetidas queixas de sintomas físicos (como dor de cabeça, de estômago, náuseas e vômitos) quando ocorre ou quando há uma previsão de separação das figuras de apego.

Além disso, esse medo e essa negação persistente devem durar quatro semanas ou mais. Desse modo, a vida diária de nossas crianças se vê alterada para a pior em todas as áreas importantes de funcionamento, produzindo um grande mal-estar. Nesse sentido não são só as crianças, mas também os adultos, que acabam sofrendo por ver o sofrimento da criança cada vez que têm que sair.

“Nem sempre podemos construir o futuro de nossa juventude, mas podemos construir nossos jovens para o futuro.”
-Franklin D. Roosevelt-

Menina triste no colo da mãe

Quais são as causas da ansiedade de separação?

A realidade é que a ansiedade de separação pode causar até mesmo isolamento social, baixo rendimento escolar e outros problemas psicológicos e emocionais. Mas não é só isso, também já foi relatado que pode causar dificuldades na hora de dormir, além de gerar conflitos entre os familiares. Por isso, é importante conhecer os fatores que podem evitar que essa situação aconteça, e os fatores que podem produzir uma habituação pela separação.

Em primeiro lugar, é prejudicial que as crianças estejam constantemente com seus pais. Isso não quer dizer que não devem passar tempo com seus filhos, e sim que introduzam períodos em que as crianças e figuras de referência não estejam juntos. Por quê?

Porque se não houver momentos em que a criança fique brevemente separada de seus pais, nunca se habituará a isso. Então se tornará mais provável que reaja de forma desproporcional nos momentos em que a separação for inevitável. Dito de outra forma, para que ocorra uma habituação normal da criança, esta deve ter várias oportunidades para que perceba que os momentos de separação não são eternos. O normal é começar com ausências curtas e, ao longo do tempo, ir tornando esse período mais longos.

“Sempre há um momento na infância quando a porta se abre e deixa o futuro entrar.”
-Graham Greene-

Por outro lado, situações de separação inesperadas ou traumáticas podem condicionar a ansiedade da criança ou causar um retrocesso em seu desenvolvimento emocional. Um exemplo desse tipo de momento que pode causar esse efeito nas crianças são o início da escolarização, situações de hospitalização ou a morte de um familiar. Para finalizar, há pais que reforçam as condutas de dependência de seus filhos incorporando ainda mais ansiedade a esse momento. Falamos aqui das crianças, mas há muitos pais que também sofrem essa ansiedade de separação e acabam contagiando seus filhos.

Criança brincando no mar

Isso vai fazer com que as crianças tenham pouca autonomia e busquem um contato exagerado e a proteção dos pais. Por causa de tudo isso, é importante que as figuras de apego fomentem, pouco a pouco, a independência de seus filhos, sendo eles mesmos os primeiros a tratar as separações como algo normal. Desse modo, estaremos fazendo todo o possível para que nossos filhos não sejam tomados pela ansiedade quando nos afastamos temporariamente deles,

Imagens cortesia de Chinh Le Duc, Dmitry Ratushny e Viktor Jakovlev.

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