Ansiedade por doença, um transtorno cada vez mais comum

Estar constantemente em busca de sintomas... Será que eu tenho algum problema cardíaco? Será que me infectei? E essa mancha na pele, será que é algo grave? A ansiedade por doença é um tipo de transtorno que está em pleno crescimento. Descubra do que se trata.
Ansiedade por doença, um transtorno cada vez mais comum

Última atualização: 10 Dezembro, 2020

Medo de se contaminar, de contrair doenças, obsessão por consultar frequentemente a Internet para checar se os incômodos sentidos são sintomas de algo grave, etc. A ansiedade por doença tem se manifestado com mais frequência nos últimos meses. Isso é tão real que muitas pessoas têm vivido suas vidas de forma limitada e dominada exclusivamente por esse medo.

A primeira coisa que pensamos ao ler essa descrição é que estamos diante do clássico perfil hipocondríaco. Bom, cabe dizer que esse termo deixou de ser utilizado como terminologia diagnóstica na quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), no ano de 2013.

Também cabe sinalizar duas coisas: não é fácil viver com a angústia permanente de ficar doente. Há mal-estar, há medo, e surge, inclusive, uma clara impossibilidade de se desenvolver pessoalmente e profissionalmente. Tudo isso alimenta ainda mais o sofrimento. Por outro lado, existe outro fato adicionado a isso: a dificuldade na hora de diagnosticar esta condição psicológica.

Em média, quando uma pessoa busca ajuda na atenção primária de saúde dizendo que tem estes sintomas, o mais provável é que o médico se concentre nas manifestações e solicite exames. Nem sempre a ansiedade da pessoa é levada em conta, e esse estado mental pode ser alimentado por esta situação. Vamos nos aprofundar um pouco mais nesse assunto.

Mulher sentindo dor na cama

Ansiedade por doença: sintomas, causas e tratamento

Duas coisas curiosas costumam acontecer na ansiedade por doença. A primeira é que, quando as pessoas buscam ajuda médica e recebem o diagnóstico de ter uma boa saúde, não se sentem satisfeitas e procuram outras opiniões. Elas não se rendem. Por outro lado, também há quem acredite apresentar um grande número de sintomas, mas não busca ajuda médica por medo, por sentir um verdadeiro pânico.

“E se eu for diagnosticado com algo grave?", “E se me disserem que não existe tratamento para o que eu tenho?" Como podemos ver, são estados nos quais o medo se transforma em um círculo vicioso. O mais complexo disso tudo é que estas situações costumam ser crônicas, ou seja, podem existir pessoas que começaram a sofrer disso na adolescência e mantêm o mesmo padrão na vida adulta.

Caso não recebam ajuda, suas vidas ficam muito limitadas, focadas exclusivamente no próprio corpo, em cuidar das sensações, em buscar sintomas que mais tarde serão comparados com as descrições clínicas encontradas na Internet. Cabe sinalizar novamente que não estamos nos referindo às pessoas hipocondríacas. Esse olhar pejorativo já foi eliminado dos manuais de diagnóstico e agora levam em conta mais fatores. Vamos explorar o assunto a seguir.

Quais são os sintomas da ansiedade por doença?

Até pouco tempo, todos chamavam aquela pessoa que tem medo de contrair praticamente todas as doenças existentes de hipocondríaca. No entanto, há muito mais por trás desse comportamento: há sofrimento emocional, problemas para desempenhar as tarefas cotidianas, para render no trabalho sem se preocupar com vírus, bactérias, etc.

Assim, para realizar um diagnóstico correto, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) sinaliza a necessidade de dar atenção aos seguintes critérios:

  • O paciente está perdido em um estado de preocupação constante que já dura mais de 6 meses. Sua angústia reside em contrair diferentes doenças ou em sofrer de determinados transtornos psicológicos.
  • Fica alarmado com facilidade diante de qualquer incômodo: coceira na pele, dor no estômago, tremor nos olhos, dor de garganta, tosse, etc.
  • Apesar de sentir esses medos, não apresenta nenhuma doença nem manifestação médica real. Quando submetido a exames, não demonstra possuir nenhuma doença.
  • A pessoa com ansiedade por doença costuma ir frequentemente a consultas médicas. Por outro lado, também há quem apresente um medo elevado de ir a consultas, evitando-as ao máximo. Isso intensifica ainda mais o mal-estar… “Acho que estou doente, mas não quero ir ao médico para ouvir que estou mesmo."

Qual é a origem?

O transtorno de ansiedade por doença costuma ter mais de um motivo paralelo por trás. Ou seja, em média, por trás da pessoa que teme ficar doente há mais problemas, mais condições psicológicas e situações que podem estar se arrastando por anos. Estudos como o realizado pela Universidade de Madhya Pradesh, na Índia, puderam coletar dados de grande interesse.

  • Boa parte das pessoas que procuram ajuda médica sofrem de ansiedade por doença.
  • Cerca de 18% desses pacientes possuem antecedentes familiares da mesma condição.
  • 32,1% sofreram abusos na infância.
  • 25% sofriam de depressão
  • 23% sofriam de algum tipo de transtorno de ansiedade (fobias, transtorno de ansiedade generalizada, etc.)

Ou seja, a ansiedade por doença normalmente possui gatilhos por trás e, por sua vez, interage com mais problemas psicológicos.

A batalha contra a ansiedade

Como é o tratamento?

Existe solução para as pessoas que sofrem de ansiedade por doença? Naturalmente, sim. Entretanto, é necessário passar por terapia psicológica e, mais especificamente, pela terapia cognitivo-comportamental. O que facilita este olhar é lidar com os estados de ansiedade deixando de lado os pensamentos disfuncionais, que intensificam os problemas e sofrimentos.

Pouco a pouco e diariamente, a pessoa consegue aplicar raciocínios, reflexões e pensamentos mais saudáveis para conseguir que seu comportamento seja mais ajustado e, portanto, mais tranquilizador, livre do medo de ficar doente. Da mesma forma, é imprescindível tratar a raiz que pode estar por trás dessa situação (abusos na infância, experiências traumáticas, etc.).

De forma complementar, podem ser usados ansiolíticos ou antidepressivos (como os inibidores de recaptação de serotonina). No entanto, isso é algo a ser decidido apenas pelos médicos. O mais eficaz nesses casos é sempre a terapia psicológica. Precisamos levar tudo isso em conta!

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