Anuptafobia: o medo patológico de não encontrar um parceiro

Anuptafobia: o medo patológico de não encontrar um parceiro

dezembro 28, 2016 em Psicologia 666 Compartilhados
Anuptafobia

Depois de jantar com várias amigas por algum tempo, eu percebi uma coisa triste, mas inegável: nossas reuniões haviam deixado de ser divertidas. Umas solteiras, outras casadas, outras já com filhos; éramos incapazes de manter uma conversa divertida ou profunda sobre algo que não tivesse a ver com o fato de encontrar um parceiro e ter filhos. Éramos incapazes de planejar algo que consistisse basicamente em desfrutar da nossa companhia.

Essa não foi uma situação isolada. De repente, mulheres que eu sempre havia considerado inteligentes, divertidas e independentes não pareciam mostrar outro interesse além do de “se estabilizar”. Isto não deveria ser um problema, exceto quando você chega a viver situações em que comprova que para muitas delas, encontrar um parceiro não é um desejo, mas algo que se transformou em uma obsessão ou um requisito imprescindível para ter uma vida completa.

Esse medo patológico de não encontrar um parceiro, de ficarmos “sós”, é o que se conhece como anuptafobia.
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A origem da anuptafobia

A pressão em encontrar um parceiro é uma das coisas mais compreensíveis no mundo em que vivemos: tudo está organizado para estimular o desejo de encontrar um parceiro e de ter filhos. Assim, tradicionalmente o sucesso foi associado de certa forma a encontrar um parceiro e ter filhos com ele.

Embora muitas pessoas não sintam essa necessidade em um princípio, elas podem desenvolvê-la: quando chegam a uma determinada idade, o ócio parece se reduzir de forma drástica. Muitos amigos e colegas encontraram um parceiro e o tempo que eles têm para se divertir ou conversar é menor.

Embora seja verdade que tanto o homem quanto a mulher pode sentir a necessidade de estarem casados, parece que é na faixa etária dos 30 e no gênero feminino que essa necessidade pode se tornar patológica. As alusões da sociedade ao relógio biológico feminino só acentuam esta sensação de angústia, especialmente para as que já se sentem vulneráveis e questionadas por não terem um namorado.
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O processo de encontrar um parceiro pode ser divertido e acontecer de uma forma natural ou ser um processo totalmente torturante e angustiante. Uma das linhas que separam uma realidade da outra é a maneira pela qual as pessoas entendem e vivem a sua vida de solteiro.

Existem pessoas que vivem sua vida de solteiro como um meio para encontrar um parceiro, não como um estado pleno em si mesmo. Não é que elas desejem estar sós ou em um relacionamento, o que elas desejam é estar tranquilas e com uma vida em que predominem as emoções positivas. Estar em um relacionamento sério seria, portanto, mais um fator positivo, que adiciona um componente de companhia, intimidade e carinho; que soma, mas que não é imprescindível para se sentir bem.

No entanto, outras pessoas acreditam que estar solteiro é algo “anti-natural” e socialmente limitante; que lhes torna mais vulneráveis a experimentar experiências negativas. São pessoas que interiorizaram como mandato as “recomendações” sociais feitas por familiares e amigos acerca de ter um marido. Essas pessoas sentem que estar solteiras é um fracasso social, uma evidência de que têm algum “atraso mental”.

Comportamento das pessoas com anuptafobia

O comportamento das pessoas com anuptafobia responde a um padrão de ansiedade e obsessão em torno da ideia de ter um parceiro. Quem é mais próximo a essas pessoas é quem vai sofrer mais com esta obsessão, já que qualquer proposta ou experiência de lazer não será satisfatória se não se destina a encontrar um parceiro.

As pessoas com anuptafobia têm um grave problema de autoestima, propiciado talvez por rompimentos traumáticos anteriores, vivências de rejeição e/ou abandono por parte de alguma das figuras de vínculo na infância ou na adolescência.

No presente, existem alguns detalhes que podem nos revelar que estamos diante de uma pessoa anuptafóbica:

  • Vitimização excessiva por estar sem namorado/a.
  • Promiscuidade e comportamentos limite.
  • Categorização das pessoas ao seu redor em “pessoas com ou sem um parceiro”. Às vezes as pessoas com anuptafobia podem empregar uma linguagem agressiva e ofensiva com as pessoas ao seu redor.
  • Questionam as relações sentimentais dos outros, principalmente as que não têm um compromisso por as considerar como pessoas “imaturas ou vazias”.

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  • Costumam emendar uma relação na outra, sem se importar muito com as características do romance. Normalmente, elas se fundem com os gostos e opiniões do cônjuge por medo de um novo abandono.
  • Entendem o matrimônio e os filhos como uma superfície estável e segura: um lugar equilibrado pelo compromisso a longo prazo com o parceiro, mais que um projeto de vida com significado.
  • Incapacidade para desfrutar de atividades sem a companhia do parceiro.
  • Uma vez estando em um relacionamento sério, especial interesse por exibir a felicidade do casal para os outros.

Deve-se entender a anuptafobia como um medo irracional, como seu próprio sufixo indica. Portanto, o comportamento de uma pessoa com anuptafobia geralmente é bastante pronunciado e marcante em relação a um simples desejo de busca de um parceiro.

Esta tendência causa mais dor e desconforto do que se pensa em uma grande parte da população que acha que estar em um relacionamento estável é o único meio de se validar e de estar no mundo, o que leva a pessoa a realizar uma busca infrutífera contínua do sentido de si mesma. Nos sentirmos pela metade e não inteiros, buscar alguém para ser e não simplesmente para estar mais feliz, é sempre um caminho errado.

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