Com ou sem apego? Como são os seus relacionamentos?

Com ou sem apego? Como são os seus relacionamentos?

setembro 19, 2015 em Psicologia 0 Compartilhados
amor

Como o próprio nome indica, em termos simples, o apego tem a ver com o quanto nós nos “agarramos” ou o quanto nós “deixamos fluir” as nossas relações. O apego é formado durante os dois primeiros anos de vida e estabelece a nossa forma de nos relacionarmos pelo resto de nossas vidas.

Conhecer os padrões de apego nos permite reconhecê-lo em nós mesmos e nos outros. Desta forma, poderíamos ter uma maior compreensão e controle sobre o nosso comportamento no mundo dos relacionamentos.

Padrões de apego infantil

O apego é realizado através da relação entre a criança com pelo menos um cuidador, permitindo que ela venha a ter um desenvolvimento social e emocional normal. De acordo com a maneira como os pais ou cuidadores respondem às necessidades físicas e emocionais da criança, serão formados diferentes padrões de apego:

  • Apego seguro: A situação ideal onde a criança é cuidada por um adulto sensível que atende às suas necessidades, seja de alimentação, de afeto, de zelo na dor, etc. A partir de dois anos de idade, aproximadamente, o adulto torna-se uma base segura para a criança explorar o mundo e tornar-se mais independente.
  • Apego de esquiva: Se a criança é cuidada por adultos insensíveis às suas necessidades físicas e emocionais, aprende a não esperar cuidado e atenção. Portanto, torna-se pouco expressiva de suas emoções quando adulta e entende que deve cuidar de si mesma.
  • Apego ambivalente/ansioso: Algumas pessoas são inconsistentes na maneira de responderem às necessidades da criança. Às vezes, elas são sensíveis e amorosas e, às vezes, insensíveis ou mesmo abusivas. Isso cria incerteza e confusão na criança, que não sabe o que esperar de seus cuidadores, isso vai desde a desconfiança até a dependência excessiva.
  • Apego desorganizado ou desorientado: ocorre quando os pais ou cuidadores são fisicamente e/ou emocionalmente abusivos. Este cenário infeliz gera uma relação de amor e ódio, onde a fonte de segurança torna-se uma ameaça. Neste caso, as crianças se dissociam de sua realidade e de suas emoções, para tentar sobreviver em um ambiente tão hostil.

Estes padrões de apego deixam uma marca profunda sobre a psique, portanto, o padrão predominante de apego na primeira infância irá determinar a qualidade dos relacionamentos na vida adulta.

Padrões de apego adulto

  • Personalidade segura: Aqueles que tiveram um apego seguro na infância crescem sentindo-se confiantes e desenvolvem relacionamentos profundos e saudáveis. Eles se sentem bem, seja sozinhos ou acompanhados.
  • Personalidade ausente: Corresponde ao apego infantil de esquiva. Estas pessoas são geralmente solitárias e tendem a dar pouca importância às relações e emoções. Além disso, elas reprimem suas emoções e são muito racionais. Frente ao estresse e conflito reagem evitando a situação.
  • Personalidade preocupada: Esta é desenvolvida a partir do tipo de apego infantil ambivalente/ansioso. Como adultos, eles são autocríticos e inseguros; constantemente buscam a aprovação e a validação de outros, comportam-se de forma dependente com seus parceiros.
  • Personalidade de esquiva/medo: Isso está enraizado no apego infantil desorganizado. Desde muito cedo a criança aprendeu a dissociar-se como um mecanismo de defesa contra o trauma. Quando adultos, eles querem estabelecerem relações, mas uma vez que conseguem uma maior intimidade com alguém, revivem o trauma que sofreram e o medo da intimidade, por medo de serem feridos.

Os primeiros anos da infância são uma etapa crucial onde a base irá determinar a sensação de felicidade ou de infelicidade para o resto da vida. Então, em última análise, para irmos além dos clichês, não é a educação e nem a riqueza, ou a inteligência e a beleza que realmente importam, mas sim o amor que recebemos e que somos capazes de dar, dependendo do nosso estilo de apego. Em conclusão, poderíamos dizer que, em última instância, não sermos nem demasiadamente “pegajosos” nem muito “desconectados” é a chave para mantermos relacionamentos saudáveis​​.

Imagem cortesia de misfire_asia

Recomendados para você