A psicologia e os aplicativos de relacionamento

fevereiro 25, 2020
As formas de se conectar e conhecer pessoas evoluíram, os tempos mudaram e a era das novas tecnologias entrou em nossas vidas. Os aplicativos de relacionamento, assim como os aplicativos em geral, estão na moda.

Quem imaginaria que a psicologia se interessaria pelos aplicativos de relacionamento? Esse interesse surgiu porque as formas de se conectar e conhecer pessoas mudaram na era das novas tecnologias.

Para alguns, sem a ajuda de um computador, de um telefone celular ou de aplicativos de namoro ou amizade, é difícil interagir com outras pessoas. Para outros, trata-se de uma simples comodidade. Para muitos, o estabelecimento completo da nova era tecnológica em suas vidas.

É por isso que a psicologia se interessa pelos aplicativos de relacionamento. A maneira como nos relacionamos e interagimos com os outros mudou, e demos um grande salto em termos de como interagíamos antes, conhecíamos novas pessoas ou nos aproximávamos para conquistar os demais.

Os aplicativos invadem as telas dos nossos smartphones. Além disso, a oferta é enorme. Um fato curioso que os estudos revelaram é que, geralmente, não usamos mais do que seis aplicativos (mesmo tendo tantos deles instalados). Surpreendente, não é mesmo?

“A tecnologia possibilitou a criação de grandes comunidades; agora, as grandes comunidades tornaram a tecnologia indispensável”.
– José Krutch –

Jovem feliz no celular

Por que a psicologia se interessa pelos aplicativos de relacionamento?

O interesse das ciências sociais pelo papel que a tecnologia desempenha nos relacionamentos afetivos aumentou com a sua popularidade e uso constante.

Por isso, a psicologia precisou se envolver, vendo o impacto que os aplicativos estão tendo em nossa sociedade de acordo com o resultado que estudos recentes fornecem sobre o assunto.

Um estudo do Pew Research Center constatou que 27% das pessoas em um relacionamento estável afirmaram que a Internet teve um impacto significativo em sua vida como casal, positiva ou negativamente.

A parte mais interessante desse estudo é que, graças à popularidade dos smartphones, pelo menos 30% dos entrevistados disseram que se sentem mais próximos ou íntimos ao trocar mensagens de texto com seus respectivos parceiros, além de terem resolvido algumas discussões de uma maneira mais simples.

No entanto, outros 33% dos entrevistados disseram que se sentem ignorados pelo tempo que os seus parceiros gastam no celular (Lenhart & Duggan, 2014).

“Nós estaremos realmente presos à tecnologia quando tudo o que realmente quisermos forem coisas que funcionem”.
– Douglas Adams –

Relacionamentos e tecnologia

O uso de dispositivos móveis tem sido associado ao início e à consolidação de relacionamentos. Em relação ao início do relacionamento, nota-se a rapidez dos aplicativos para vincular pessoas com base na localização ou informações de dados. Para citar alguns deles: Tinder, Grindr e Flirtie (Alvídrez & Rojas-Solís, 2017).

A variedade oferecida pelos aplicativos de relacionamentos facilita os encontros por “tentativa e erro”, em comparação com as formas mais aleatórias ou tradicionais de marcar encontros.

A empresa eHarmony, no Reino Unido, estima que, até 2040, 7 em cada 10 relacionamentos serão formados online. As pessoas de 56 a 64 anos são as que mais vão utilizar esse tipo de serviço (Alvídrez & Rojas-Solís, 2017).

Quem tem mais probabilidade de usar aplicativos de relacionamento?

Alguns perfis criados no Tinder, por exemplo, indicam que as pessoas mais sociáveis, impulsivas e que têm uma necessidade constante de experimentar novas emoções são mais propensas a se envolver em encontros de sexo casual (Carpenter & McEwan, 2016).

Carpenter e McEwan (2016), destacam a orientação sócio-sexual como outro possível moderador desses encontros: “as pessoas com maior autorrestrição em termos de relações sexuais preferem ter encontros íntimos apenas com pessoas com quem mantêm um relacionamento estável. Por outro lado, os usuários sem essas restrições terão uma maior probabilidade de ter relacionamentos casuais com pessoas sexualmente atraentes sem buscar um relacionamento de longo prazo.”

“O verdadeiro perigo não é que os computadores comecem a pensar como os homens, mas que os homens comecem a pensar como os computadores”.
– Sydney Harris –

Aplicativos de relacionamento

As formas de se relacionar mudaram com a chegada da tecnologia

Muitas vezes nos perguntamos como um aplicativo pode saber mais sobre nós do que qualquer outra pessoa da nossa convivência. Provavelmente você conhece alguém que usou aplicativos para paquerar, ou até você mesmo, e agora mantém um relacionamento estável. As formas de se relacionar mudaram, assim como o ambiente e as possibilidades.

Com os aplicativos de relacionamento, as pessoas podem navegar e visualizar uma infinidade de fotos e perfis de diferentes usuários, tantos quanto desejarem. Basta dar uma olhada e deslizar o dedo para aceitar ou não. Antigamente, costumávamos nos conhecer na escola, no trabalho ou nos círculos sociais; agora basta apenas um dedo. 

Alvídrez, S., & Rojas-Solís, J. L. (2017). Los amantes en la época del smartphone: aspectos comunicativos y psicológicos relativos al inicio y mantenimiento de la relación romántica. Global Media Journal14(27), 1-18.

Canseco, E. G. El modelo de educación sexual trasmitido por las aplicaciones para ligar en 2017. Comunicación y desarrollo en la Sociedad Digital: nuevos discursos y viejos valores del poder cultural.

Carpenter, C.J. & McEwan, B. (2016). The players of micro-dating: Individual and gender differences
in goal orientations toward micro-dating apps. First Monday, 21(5), 1-13.

eHarmony (2014, mayo). The Future of dating. A study of trends in relationship formation in the UK
1996-2040. Future Foundation.

Lenhart, A., & Duggan, M. (2014, febrero) Couples, the Internet, and social media: How American
couples use digital technology to manage life, logistics, and emotional intimacy within their
relationships. Pew Research Center.

Liébana Morcillo, C. (2015). El Appmor: El fin del cara a cara en las relaciones personales.