Aplicativos de saúde mental: eles são eficazes?

A tecnologia conseguiu melhorar nossas vidas em muitos aspectos. Hoje queremos falar de aqueles aplicativos que afirmam ser capazes de melhorar nossa saúde mental.
Aplicativos de saúde mental: eles são eficazes?

Última atualização: 17 junho, 2022

Nesta nova era em que a globalização e a comunicação remota prevalecem, não é de estranhar que os aplicativos de saúde mental tenham um grande grupo de clientes. Eles são acessíveis, intuitivos e, acima de tudo, em sua maioria gratuitos. No entanto, como todo progresso em prol do bem-estar humano, é necessário estipular condições de uso adequadas para seu uso.

O debate sobre essas aplicações está aberto, pois pesquisas sobre sua eficácia não permitem resultados conclusivos. O fato de cada um deles pertencer a uma empresa diferente e de serem esses interessados aqueles que financiam muitos dos estudos na área aumenta a confusão.

Mulher com um aplicativo de saúde mental
Esses aplicativos também são uma ferramenta útil para quebrar o estigma em torno da doença mental.

O que são aplicativos de saúde mental?

Os aplicativos de saúde mental são aplicativos móveis cujo objetivo é ajudar o usuário a detectar padrões de comportamento patológico. O objetivo de alguns deles é que o paciente consiga descobrir se sofre de algum transtorno sem passar por uma consulta.

Vários tipos de aplicativos são agrupados aqui, como aplicativos de meditação, intervenções baseadas em mensagens ou aplicativos para parar de fumar.

Além disso, alguns deles contêm atividades e exercícios que, embora não tentem substituir a terapia, visam ajudar o usuário a mudar hábitos não saudáveis ou que estão prejudicando sua saúde mental. Desta forma, todo o processo terapêutico é “emulado”: entrevista, diagnóstico e tratamento.

Por que eles se tornaram tão populares?

Embora haja especulações por razões de imediatismo e conveniência em relação ao sucesso dos aplicativos de saúde mental, a verdade é que eles têm outras propriedades que os tornam atraentes para o público. Algumas delas são os seguintes:

  • Muitos dos aplicativos são gratuitos: muitas pessoas que não podem pagar pela terapia optam por tentar esse caminho para aliviar seu sofrimento psicológico.
  • O estresse e a ansiedade crônicos são uma praga: a competitividade e a eficiência que dominam o cenário social de hoje são terreno fértil para esses dois distúrbios. Os pacientes geralmente pensam que não têm tempo para terapia, então recorrem aos aplicativos.
  • Eles são um método de abordagem da terapia presencial: muitas pessoas que carregam o peso do estigma sobre saúde mental e não sabem muito sobre o assunto podem usar esses aplicativos para começar.
  • Eles servem como suporte para a terapia convencional: esses aplicativos geralmente contêm mecanismos para melhorar a adesão aos tratamentos que propõem, por isso são de grande ajuda para muitos pacientes.

É importante levá-los em consideração, pois o mundo digital é uma parte inevitável do desenvolvimento da sociedade moderna. Opor-se a ela, em vez de aceitá-la, só leva a fechar a mente para ferramentas que poderiam ser úteis.

Eles são realmente úteis?

Aceitar o novo e integrá-lo à vida é bom, mas esses aplicativos realmente servem para superar um transtorno? A verdade é que muitos estudos realizados até agora deram resultados positivos, mas devem ser tomados com cautela.

Em outras palavras, não existe um sim ou não definitivo para esses aplicativos. Existem milhares deles e se concentram em diversas áreas da saúde mental. Alguns são eficazes, outros não. É por isso que, no momento, o único consenso alcançado é que eles não poderiam substituir a terapia tradicional.

Há evidências que apóiam sua eficácia como ferramenta na terapia presencial. Por outro lado, as pessoas que usam esses tipos de aplicativos para adquirir hábitos mais saudáveis também se beneficiam muito.

Mulher com aplicativo de meditação
Alguns aplicativos de saúde mental focados em melhorar certos hábitos saudáveis ajudam.

Precauções ao usar aplicativos de saúde mental

Como tudo, o uso de aplicativos criados por empresas que buscam benefícios deve ser feito com ressalvas. O principal risco é justamente o número avassalador de aplicações desse tipo que existem, além da falta de padronização e regulamentação.

Enquanto muitos dos aplicativos de saúde mental estão enraizados em estudos confiáveis e válidos, muitos outros divulgam informações que podem ter consequências adversas para quem as segue.

Portanto, se decidirmos usar um, é aconselhável primeiro analisar criticamente todas as referências e estudos que podem apoiar sua abordagem.

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