Aproveitar o bom da vida para assumir as coisas ruins – A mente é maravilhosa

Aproveitar o bom da vida para assumir as coisas ruins

Fevereiro 4, 2016 em Emoções 3 Compartilhados
Mulher em reflexão

Muitas vezes focamos nos erros que cometemos na vida, e nos esquecemos facilmente das coisas boas. As nossas vidas estão carregadas de bons momentos que esquecemos quando olhamos para trás e só olhamos as coisas ruins.

A verdade é que lembrar-se dos momentos importantes ou dos detalhes que marcaram as nossas vidas não é uma tarefa fácil. A nossa memória funciona de forma seletiva, escolhendo as lembranças que quer preservar e aquilo que por fim irá esquecer.

As lembranças das nossas vidas

As lembranças são aquelas imagens, palavras, cheiros, sensações e emoções que guardamos na nossa mochila. Podemos levar uma carga muito pesada ou, pelo contrário, uma bagagem leve. O ruim não é caminhar com uma carga grande, o ruim é sentir o seu peso.

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Sentimos um peso grande quando levamos lembranças das pedras pesadas da culpa, da tristeza e dos fracassos. Sentimos um peso leve quando sabemos que carregamos todo esse peso, mas preferimos escolher nos sentirmos bem com a mochila que levamos. O ruim não é andar com uma mochila de lembranças, o ruim é escolher sempre o peso mais pesado.

Temos que considerar que a nossa memória e a nossa mente são maravilhosas, mas às vezes podem ser traidoras. A nossa mente pode nos trair e recuperar lembranças distorcidas ou lembrá-las de forma pior do que realmente foram. Além disso, sabemos que o nosso estado emocional influencia de forma muito notável a informação que recuperamos nas nossas mentes. Se estivermos mal, lembraremos de forma ruim.

A vida é escolher o bom para poder assumir as coisas ruins

Sabendo que a nossa memória não funciona sempre da melhor forma, o melhor que podemos fazer é ter isso em mente quando estivermos relembrando cenas que se repetem várias vezes e não fazem outra coisa a não ser nos prejudicar. Pense na sua memória e faça uma análise mais objetiva das suas lembranças.

Também é fundamental considerar que na vida nem sempre tudo sai como gostaríamos, e que os erros fazem parte do aprendizado. Você é o que é e chegou até aqui pelo que aprendeu.

Todas essas perguntas do tipo: “e se… eu tivesse feito”, “e se… eu tivesse dito”, “e se… eu não tivesse ido”. São possibilidades, caminhos que não tomamos por alguma razão. Questionar-se, imaginar soluções alternativas e se culpar por não tê-las tomado danifica o nosso presente.

Pense no caminho que você ainda tem pela frente e quais lembranças você quer adicionar à mochila da sua vida. O trajeto não termina até irmos embora e a memória é apenas uma parte do percurso. Caminhe sempre em frente; ainda há lembranças para adicionar à sua biografia.

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A biografia da sua vida

Somos apenas rascunhos. Esboços pela metade que vamos aprimorando com nossas experiências, pensamentos e emoções que associamos a elas. Não permita que a sua biografia seja escrita com rancor. Construir a si mesmo não é uma tarefa fácil. Requer tentativas, acertos e tombos, mas a vida não é um exame com apenas uma resposta correta. Ninguém nasce sabendo viver de forma plena.

Uma boa forma de organizar a nossa biografia é expressando-a. Escrevendo-a, pintando-a, cantando-a, tocando-a ou inclusive construindo-as com as mãos. A expressão artística, seja ela qual for, é uma das melhores formas de expressar a sua biografia.

Aproveitar o bom da vida para poder assumir as coisas ruins é aceitar a si mesmo e aceitar o que foi vivido. E isso é o maior presente que podemos nos dar para chegarmos ao final do caminho sendo nós mesmos.

“A vida é suficiente para me justificar.
E quando me convocarem para declarar os meus atos,
mesmo que me ouça uma cadeira vazia,
a minha voz será firme.

Não pelo que a morte me prometer,
e sim por tudo aquilo que não poderá me tirar”

-Luis Garcia Montero-

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