Aromacologia ou psicologia dos aromas 

· setembro 19, 2018

A aromacologia ou psicologia dos aromas é uma ciência jovem que estuda a relação entre os aromas e as modificações que eles provocam em nosso humor. A aromacologia foca o impacto provocado pelos diferentes cheiros, tendo em conta as distintas reações emocionais que eles causam em nosso comportamento.

É necessário diferenciar a aromaterapia da aromacologia. A aromaterapia é um complemento terapêutico que se concentra no uso de óleos essenciais para a prevenção e tratamento de doenças e, portanto, a obtenção de resultados a nível fisiológico. No entanto, a aromacologia foca os benefícios psicológicos que alguns aromas podem nos proporcionar. 

Enquanto a aromaterapia se baseia na utilização física dos aromas naturais através da aplicação de massagens ou ingestão, a aromacologia utiliza fragrâncias sintéticas e perfumes, junto com óleos essenciais, e estuda a reação do nosso sistema nervoso à exposição aos diferentes aromas. Por isso, não está presa às limitações naturais das essências.

A ciência da aromacologia nasceu no Japão, no começo do século XX, quando começaram os estudos em laboratório dos princípios ativos dos aromas naturais produzidos por plantas, analisando-os e isolando-os. Já nos anos 70, o nome da aromacologia foi cunhado para separá-la de sua progenitora, a aromaterapia. A partir deste momento, foi tomando forma um campo científico que se concentra no estudo de como os aromas afetam o nosso humor e, portanto, o nosso comportamento.

Como a aromacologia funciona?

Um dos sentidos mais estudados nas últimas duas décadas, tendo interessantes resultados, é o olfato. Assim, as sensações que diferentes aromas originam e as reações provocadas em nós ficaram claras através de diferentes experimentos. Dessa forma, muitas das pesquisas realizadas por pesquisadores em aromacologia se concentram na forma como o sistema límbico funciona.

Efeito da aromacologia no cérebro

Considera-se que o sistema límbico é o local onde as emoções e determinados comportamentos instintivos surgem, como o comportamento alimentar (fome, sede, saciedade), emoções como o medo, a raiva ou a motivação, e são ativados instintos, como o sexual ou o de sobrevivência, para depois serem gerenciados pelo hipotálamo.

O sistema límbico desempenha um papel fundamental em nossa sobrevivência; seu funcionamento não está sujeito a nossa vontade e sua resposta pode ser muito intensa em relação aos estímulos que o ativam. O sistema límbico tem um papel fundamental na aromacologia.

Os aromas viajam através do ar em pequenas partículas que entram em nosso corpo pelos orifícios nasais. Nosso nariz foi projetado para analisar parte do ar que entra, de forma que milhões de células receptoras olfativas, localizadas nos cornetos nasais internos, captam a informação química dos diferentes aromas.

As células receptoras olfativas, graças a mais de 1000 proteínas receptoras do olfato que são armazenadas nos pelos, são capazes de transformar o sinal químico obtido do aroma em um pulso elétrico. Esta informação é transportada ao cérebro. Ali ela será tratada, armazenada e entregue ao sistema límbico para o seu processamento.

Hoje sabemos que a estimulação do sistema límbico provocada pelo cheiro pode modificar nosso humor (nos alegrar ou entristecer, etc.), também pode modificar a nossa disposição para um estado de alerta ou repouso, o nosso apetite, atenção, memória, etc. Determinar através de um método científico essa relação entre aromas e modificações a nível psicológico é, definitivamente, a finalidade da aromacologia.

“No cheiro reside a própria essência da alma, ele permeia tudo de uma forma pertinente e tem a capacidade de abrir as portas do inconsciente, a partir do qual as cenas mais agradáveis e mais dolorosas são semeadas”.
-Mercedes Pinto Maldonado-

Aromacologia e memória olfativa

Dois processos evolutivos bem diferenciados ocorrem com a estimulação psicológica provocada pelos aromas:

Processo primário

O processo primário deriva da reação direta da nossa psique à experimentação de um aroma. Não depende de nada além do próprio aroma ou cheiro gerado. Exemplos deste estímulo primário são os cheiros ou alimentos que “despertam” nosso desejo sexual.

Mulher sentindo o aroma de uma flor

Processo secundário ou de memória olfativa

O processo secundário deriva da reação a um aroma baseado na memória olfativa, ou seja, o aroma é reconhecido no arquivo da nossa memória, onde anteriormente esteve vinculado a um conjunto de sensações que a nossa memória olfativa é capaz de resgatar, e reativar as sensações que estão localizadas nos códigos de aroma no nosso cérebro.

Um exemplo desse processo secundário consiste em parar próximo a um bolo assando no forno e sentir como o seu aroma aflora lembranças da nossa infância (imagens, sons, sensações térmicas, sentimentos, emoções, etc.), com um nível de nitidez que nenhum outro sistema de armazenamento cerebral é capaz de produzir. 

“Nada é mais memorável do que um cheiro. Um cheiro pode ser inesperado, momentâneo e fugaz, mas pode provocar um veraneio de infância”.
-Diane Ackerman-