Árvore genealógica: uma ferramenta de crescimento e cura

Árvore genealógica: uma ferramenta de crescimento e cura

Última atualização: 02 Abril, 2020

Uma árvore genealógica é mais do que um desenho e um acúmulo de dados, datas e histórias familiares. Ela pode ser uma ferramenta muito poderosa para entender e curar as circunstâncias e os problemas de uma pessoa.

Talvez esteja longe de ser uma ferramenta de cura, como alguns defendem. No entanto, a verdade é que ela pode nos proporcionar informações valiosas sobre a nossa origem e também nos explicar de alguma forma de onde viemos. Algumas correntes se atrevem até mesmo a afirmar que através do conhecimento da árvore genealógica podemos descobrir como o inconsciente familiar interage com o inconsciente pessoal.

“Se uma pessoa não sabe a sua história, não sabe nada: é como ser uma folha e não saber que faz parte da árvore.”
-Michael Crichton-

Um pouco de história…

Foi nos anos 1960 que surgiu na Europa uma série de psicanalistas para os quais a terapia se centrava na conscientização sobre a repetição de conflitos e dificuldades dentro do seio familiar. Na sua abordagem terapêutica, eles incluíram uma abordagem transgeracional.

Nos anos 1970 nasce a “psicogenealogia”. Este é um método de psicanálise que enfatiza a relação da origem dos problemas da pessoa com situações não resolvidas pelos seus antepassados. A psicogenealogia considera que a simples tomada de consciência destes problemas produz a libertação ou a resolução deles. Dentro da psicogenealogia podemos encontrar Anne Schützenberger, Didier Dumas, Jodorowsky, Bert Hellinger, entre outros.

Nos últimos trinta anos, dentro do campo psicoterapêutico voltou-se a valorizar o conceito de “inconsciente familiar”. Voltaram a considerar antigos pensamentos filosóficos orientais, enfatizando a influência que nossos antepassados poderiam ter em nossas vidas ou a força de certas pessoas da rede familiar. Atualmente, a árvore genealógica é usada e faz parte da história clínica como uma ferramenta em várias disciplinas: psicoterapia, psiquiatria, medicina, trabalho social, educação…

“A psicogenealogia parte da premissa de que determinados comportamentos inconscientes são transmitidos de geração em geração e impedem que o sujeito se sinta realizado, de modo que, para que um indivíduo se dê conta deles e seja capaz de se desvincular dos mesmos, é necessário estudar sua árvore genealógica”.
Lembranças de uma família

Por que fazer uma árvore genealógica?

Elaborar uma árvore genealógica pode chegar a ser uma atividade muito prazerosa: descobrir quem somos e de onde viemos. Investigar quem foram os nossos antepassados, conhecer sua origem, a que se dedicaram… essa atividade pode chegar a ser um belo passatempo. Além disso, engloba toda uma fonte de estudos chamada genealogia.

Com relação ao desenvolvimento e estudo de nossa árvore genealógica, ela pode nos ajudar em muitos aspectos, tais como:

  • Transformar a nossa forma de ver e entender a nossa família.
  • Enfrentar dores que talvez não conseguimos enfrentar no momento certo.
  • Conhecer uma parte de nossos antecedentes médicos observando as doenças com as quais os nossos antepassados sofreram.
  • Observar graficamente se as nossas crenças, medos e bloqueios estão relacionados com as dinâmicas familiares e com as heranças transgeracionais.
  • Conectar-nos com a nossa espiritualidade. Quando você conhece e compreende o seu próprio passado, você habilita o seu enraizamento enquanto se conecta com algo maior. Ao sentir que fazemos parte de uma cadeia, nos tornamos mais conscientes de quão pequenos somos.
  • Acessar informações que não podemos ver a nível consciente, mas que podem continuar se manifestando a nível inconsciente.

 “Quem esquece a sua história está condenado a repeti-la.”
–Marco Tulio Cicerón-

Árvore genealógica

Como podemos elaborar uma árvore genealógica?

Para elaborar uma árvore genealógica, podemos começar a compilar dados perguntando e entrevistando os nossos familiares. Depois podemos continuar revisando documentos, fotografias, quadros, registros civis, arquivos com documentos históricos, Internet, etc.

Os dados que podemos ir buscando e anotando na árvore são os seguintes:

  • Nomes e sobrenomes.
  • Datas importantes: nascimentos, casamentos, falecimentos, migrações…
  • Causas ou circunstâncias dos falecimentos.
  • Profissões.
  • Como eram os relacionamentos entre os diferentes membros da família (rivalidades, amizades, privilégios…)
  • Por quais qualidades os nossos antepassados se destacavam.
  • Acontecimentos significativos: deficiências, histórias de amor paralelas, anedotas de diferentes tipos…
  • Os sintomas e doenças mais importantes dos membros da árvore genealógica.
“Os lutos não vividos, as lágrimas não derramadas, os segredos de família, as identificações inconscientes e lealdades familiares invisíveis passam pelos filhos e os descendentes. O que não se expressa com palavras é expresso com dores.”
-Anne Ancelin Schützenberger-

Uma vez que temos a árvore, como a interpretamos?

Interpretar uma árvore genealógica significa fazer uma “análise transgeracional”. Através desta análise podemos identificar conflitos não resolvidos, lutos não vividos, padrões de comportamento… A questão-chave na interpretação da árvore genealógica é “tomar consciência” e identificar possíveis “programas”. Pode ser extremamente produtivo realizar esta tarefa em colaboração com alguém.

 “Ter uma árvore genealógica e não a estudar é como ter um mapa do tesouro e não se guiar por ele”
-Alejandro Jodorowsky-

É difícil que a árvore genealógica nos dê uma resposta sem antes ter gerado uma pergunta; no entanto, em muitas ocasiões a curiosidade pode produzir simultaneamente os dois fenômenos (pergunta e resposta). O habitual é elaborar ou consultar uma árvore genealógica quando tiver certas preocupações sobre diferentes temas (emoções, circunstâncias, bloqueios, doenças…).

Ou seja, é bom analisar a árvore fazendo perguntas concretas. Ir obtendo as respostas e descobrindo suas ligações pode ser uma tarefa árdua, mas ao mesmo tempo emocionante. Um verdadeiro processo de desenvolvimento pessoal. Com ele, podemos responder a uma pergunta fundamental: de onde viemos e como isso nos condiciona?

“As raízes de uma pessoa não são objetos físicos que se agarram à terra como as das árvores. Levamos as raízes lá dentro. São os tentáculos que se estendem ao longo das nossas terminações nervosas e que nos mantêm inteiros. Elas vão com você para onde você for, independentemente de onde você viva”.
–Luz Gabás-

Em suma, o desenvolvimento e o estudo de uma árvore genealógica podem ser uma atividade emocionante que todos podemos fazer em algum momento de nossas vidas. Segundo os especialistas, apenas ver e entender a árvore já proporciona um efeito curativo, sem falar do que podemos fazer com essa informação mais tarde. Então, por que não experimentar?

“Ninguém existe sozinho, ninguém vive sozinho. Todos somos o que somos porque outros foram o que foram”.
-Julio Medem-

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