As 4 leis do desapego para a liberação emocional

As 4 leis do desapego para a liberação emocional
Valeria Sabater

Escrito e verificado por o psicólogo Valeria Sabater.

Última atualização: 03 Dezembro, 2021

Dentro da abordagem de crescimento pessoal e espiritualidade, o termo desapego é a chave para alcançar a felicidade. Significa poder superar as barreiras da nossa zona de conforto para deixar de precisar, depender, e de viver com medo de perder dimensões às quais nos agarramos excessivamente. Porque somente quando formos capazes de derrotar o ego, finalmente pararemos de sofrer.

Vamos tentar explicar por um momento o que é felicidade para nós. Alguns diriam que feliz é alguém que tem bens, um bom parceiro, dinheiro no banco. Tudo isso, sem dúvida, cobre muitas de nossas necessidades mais básicas. No entanto, essas dimensões oferecem uma sensação genuína de bem-estar? Na verdade, a definição mais precisa do que é felicidade não poderia ser mais simples: felicidade é a ausência de medo, é não saber o que é a ansiedade, por exemplo.

Significa basicamente saber amar, valorizar e se envolver nas coisas de um ponto de vista mais equilibrado e saudável, livrando-nos dos excessos que nos acorrentam e nos amarram. Isso corta nossas asas.

Praticar o desapego é, portanto, o primeiro passo para alcançar esse estado. É nos permitir ser mais livres, mais leves, menos apegados ao que temos ou ao que nos falta. É viver com o coração sem ter que precisar compulsivamente de nada nem de ninguém. Ao mesmo tempo, significa também poder e saber dar-se aos outros com autenticidade e sem pressão.

A liberação emocional gerada pelo desapego nos oferece a opção de viver com mais honestidade. É então que surge a opção de crescer, de avançar com o conhecimento dos fatos. Sem fazer mal a ninguém, sem que ninguém, também, nos coloque seu cerco camuflado com as correntes do amor apaixonado, filial ou mesmo maternal.

Então, vamos aprender a colocar em prática essas leis simples sobre o desapego…

Primeira lei do desapego: você é responsável por si mesmo

A primeira lei do desapego invoca um princípio básico do crescimento pessoal: a responsabilidade. Vamos pensar: ninguém vai retirara por nós todas as pedras que encontrarmos no caminho. Como também ninguém vai respirar por nós ou se voluntariar para carregar nossas tristezas ou dores.

Cada um de nós é o arquiteto de nossa própria existência. E algo assim implica coragem. Significa que devemos nos distanciar das opiniões dos outros, da necessidade de sermos validados, de esperar a aprovação dos outros para seguir em frente com nossas decisões, sonhos ou projetos.

Somos pessoas livres, prontas para criar o destino que julgamos apropriado.

Mão com uma borboleta simbolizando apreciação

Portanto, tendo plena consciência desse direito de ser construtor do seu próprio destino, tenha em mente estas dimensões:

  • Não coloque a sua própria felicidade no bolso dos outros. Não imagine a ideia de que para ser feliz nesta vida é essencial encontrar um companheiro que te ame, ou ter sempre o reconhecimento de sua família. A solidão às vezes é a melhor companhia para promover nossa autorrealização.
  • Se o barômetro de sua satisfação e felicidade está naquilo que os outros lhe dão, você não alcançará mais do que sofrimento. A razão? Eles raramente cobrirão todas as suas necessidades.
  • Cultive a sua própria felicidade, sinta-se responsável, amadureça, tome consciência das suas decisões e das suas consequências, escolha por si mesmo e nunca deixe o seu bem-estar depender da opinião ou dos conselhos dos outros.

Segunda lei do desapego: viver no presente, aceitar, assumir a realidade

Nesta vida nada é eterno, nada permanece, tudo flui e retoma o seu caminho tecendo aquela ordem natural que às vezes nos é difícil assumir. Quase sempre as pessoas estão focadas em tudo o que aconteceu no passado e que, de alguma forma, agora se torna um fardo que altera o nosso presente.

Muitas vezes, estamos tão “apegados” a todos aqueles eventos que aconteceram ontem que esquecemos o mais importante: viver. Colocamos toda a nossa atenção nessas desavenças familiares, no trauma que nos rodeia e nos condiciona, naquela perda, naquele fracasso sentimental ou naquela frustração insuperável… Tudo isso são âncoras que nos prendem, que nos prendem nos pés. e ganchos em nossa alma.

O desapego também é juntar forças para olhar o presente e nos permitir curar feridas. Devemos encorajar a aceitação, assumir realidades e não resistir a certas evidências. Além do mais, às vezes não temos escolha a não ser perdoar e até perdoar a nós mesmos. Só então nos sentiremos mais liberados, prontos para valorizar com todos os sentidos o “ aqui e agora ”, este presente onde está a sua verdadeira oportunidade.

Mulher no topo de uma montanha

Terceira lei do desapego: promova a sua liberdade e permita que os outros também sejam livres

Aceite que a liberdade é a forma mais plena, completa e saudável de aproveitar a vida, de compreendê-la em toda a sua imensidão.

Desapego não é cortar laços ou estabelecer laços marcados por frieza emocional. É o oposto. Estamos diante de uma dimensão onde podemos aprender a dissipar os medos para amar de forma mais autêntica e respeitosa. É saber dar e permitir-se receber sem pressão, sem necessidades cegas, sem angústias ou com o medo eterno de ser abandonado. É preferir sem precisar do outro.

Além disso, outro aspecto a ser lembrado sobre o desapego é que não somos obrigados a ser responsáveis pela vida dos outros. Nesse sentido, não faltam aqueles que, por exemplo, anseiam por encontrar um companheiro para fugir da solidão ou mesmo para curar velhas feridas de ontem. Vamos deixar claro que nenhum de nós tem a obrigação de ser um herói ou resgatar outras pessoas para curar sua solidão ou dores causadas por antigos relacionamentos. Esse tipo de vínculo só gera sofrimento.

desapego

Apegos intensos nunca são saudáveis, pense, por exemplo, naqueles pais obsessivos que vão longe demais para proteger seus filhos e os impedem de amadurecer, de avançar com segurança para explorar o mundo.

A necessidade de “desapego” é vital nestes casos, em que cada um deve ultrapassar os limites da certeza para aprender com o imprevisto, com o desconhecido.

Quarta lei do desapego: aceite que as perdas acontecerão mais cedo ou mais tarde

Em todas as correntes budistas e espirituais, a ideia de impermanência está presente. Falamos daquela dimensão em que somos obrigados a compreender que nesta vida nada dura, que nada pode ser contido eternamente. Relacionamentos e até mesmo coisas materiais mudam, amadurecem e muitas vezes até desaparecem. Assumamos, portanto, a ideia de mudança, ausência e mesmo perda como uma lei vital à qual não podemos fechar os olhos.

Algumas pessoas partirão para sempre, os filhos crescerão, alguns amigos deixarão de ser amigos e alguns amores deixarão o calor da nossa mão… Porém, muito mais coisas virão. Porque a vida é mudança, mas também movimento e tudo isso faz parte do desapego. E, como tal, devemos aprender a aceitá-lo para enfrentá-lo com maior integridade. Com maior força. Porém, o que nunca mudará é a sua capacidade de amar: comece sempre por você mesmo.

Para concluir, se você deseja começar a praticar as quatro leis do desapego, comece a identificar as emoções e os sentimentos que geram o objeto de apego (que pode ser uma pessoa, uma situação ou um objeto). Em seguida, pergunte a si mesmo que propósito ela cumpre em sua vida e sempre tenha isso em mente. Então, seja grato pelo que ele fez por você e deixe-o ir.

Pode interessar a você...
Os 8 dharmas mundanos: a arte do desapego e da impermanência
A mente é maravilhosa
Leia em A mente é maravilhosa
Os 8 dharmas mundanos: a arte do desapego e da impermanência

Os 8 dharmas mundanos fazem referência aos bloqueios, preocupações ou apegos que nublam nossa consciência e capacidade de sermos felizes.