Ataxia: sintomas, causas e tratamento

· fevereiro 25, 2019
A ataxia provoca um grande sofrimento em quem sofre dela. Este sintoma clínico interfere no desenvolvimento normal das atividades cotidianas.

São muitos os agentes que podem condicionar nossa saúde e, como consequência, nossa qualidade de vida. Alguma vez você já pensou que o movimento também pode ser afetado? Há um sintoma clínico muito característico neste sentido: a ataxia.

A ataxia é um transtorno no movimento no qual há falhas na coordenação, na postura e no controle voluntário do mesmo, entre outros déficits observados.

Falamos de uma condição de saúde que consiste na falta de controle muscular para realizar os movimentos. Ela pode ocorrer por diversos motivos. A seguir, falaremos sobre o que se trata, quais são suas causas, o diagnóstico e o tratamento.

Em que consiste a ataxia?

A palavra ataxia provém do grego antigo e significa “sem ordem”. Consiste em uma alteração da coordenação de todo tipo de movimento e na ausência da paralisia. A ataxia pode afetar o passo, o tronco, os membros ou qualquer combinação dos mesmos. Além disso, é possível evidenciar os seguintes sintomas:

  • Nistagmo: movimento incontrolável involuntário dos olhos.
  • Disartria: dificuldade para articular sons e palavras.
  • Hipotonia: diminuição da tensão ou do tônus muscular.
  • Dismetria: afetação que impede o indivíduo de realizar um ato motor que se ajuste à distância demandada.
  • Disdiadococinesia: incapacidade de realizar movimentos alternados rapidamente.
  • Disfagia: problemas para engolir.
  • Dificuldade nos passos: pode ocorrer inclusive perda total da capacidade de andar.
  • Falta de coordenação: juntamente com dificuldade na precisão dos movimentos.
  • Alterações cognitivas: ou seja, a nível de pensamento.
  • Alterações emocionais: causa instabilidade emocional devido à dificuldade na hora de assumir a doença e pelas áreas afetadas.

A ataxia pode surgir como parte de outra doença, como por exemplo a esclerose múltipla, ou pode se desenvolver de forma isolada, embora isso não aconteça com frequência.

Vale ressaltar que a ataxia não é exclusiva da idade adulta. Na verdade, alguns estudos epidemiológicos sugeridos por Salman (2007) na revista The Cerebellum estimam uma prevalência de ataxias cerebelosas em 26/100000 crianças na Europa.

Cerebelo

Quais são as causas da ataxia?

As origens da ataxia podem ser muitas, pois como comentamos anteriormente, não é uma doença, e sim um sintoma clínico. Estas são algumas das possíveis causas:

  • Ataxias adquiridas: ocorrem devido a alguma patologia que o paciente possui. Podem ser de diversas raízes:
    • Tóxico: como, por exemplo, devido ao monóxido de carbono ou à degeneração cerebelar alcoólica.
    • Autoimune: aqui entra a ataxia por glúten e a relativa à degeneração cerebelar subaguda paraneoplásica.
    • Déficits nutricionais: como o déficit de vitamina E, síndrome de Wernicke e a degeneração combinada subaguda.
    • Doenças neurodegenerativas: por exemplo, a esclerose múltipla, a ataxia espinocerebelar e as decorrentes das doenças vasculares cerebrais.
    • Tumores: alguns dos tumores que podem causar ataxia são meduloblastoma, astrocitoma, e o hemangioblastoma.
  • Ataxias genéticas: costumam ser de início precoce, dado que são ataxias herdadas. Podem ser autossômicas recessivas ou dominantes.
    • Recessivas: a mais comum é a de Friedrich, na qual ocorre uma neurodegeneração nas células ganglionares da raiz dorsal, o trato espinocerebelar e corticoespinhal, e o núcleo dentado.
    • Dominantes: dependendo do curso da doença, podem ser episódicas ou progressivas. Dentro das ataxias dominantes, encontramos as ataxias espinocerebelares, a ataxia cerebelar congênita e a síndrome da aplasia cerebelar vermiana, entre outras.

Como você pode observar, há diversos tipos de ataxias; ainda não há cura, mas sim tratamentos que ajudam a pessoa a se sentir melhor no contexto em que se encontra.

Psicóloga com homem idoso

Diagnóstico da ataxia

Existem diferentes exames que ajudam a diagnosticar a ataxia:

  • Dedo-nariz: solicita-se ao paciente que, com o membro superior, toque o nariz com a ponta do dedo indicador. Depois, pede-se que toque o indicador do examinador.
  • Calcanhar-joelho: o paciente deve estar em posição decúbito-supino. Pede-se que, depois de colocar o calcanhar sobre o joelho da outra extremidade, o encoste logo abaixo sobre a crista tibial. Isso deve ser feito com os olhos abertos e fechados, e com as duas extremidades.
  • Exercícios alternados rápidos: pede-se que o paciente faça girar simultaneamente as duas mãos, em um sentido e em outro.
  • Eletromiograma: é um estudo de condução nervosa.
  • Psicodiagnóstico: estudos neuropsicólogicos para avaliar as funções executivas do paciente.

Estes são alguns dos exames que são realizados para avaliar a possibilidade de ataxia. Sua administração facilita a avaliação por parte do profissional, capacitado para interpretar os resultados que os exames oferecem.

Tratamentos da ataxia

Os tratamentos da ataxia são limitados e não são específicos para esta condição. Ainda assim, há tratamentos que podem ser dirigidos à causa, como os tumores ou os acidentes vasculares cerebrais. Então, os tratamentos costumam ser mais encaminhados à reabilitação. Assim, a pessoa poderá se adaptar com maior facilidade ao seu entorno.

Além disso, a intervenção psicológica é importante para alcançar um objetivo essencial: que o paciente compreenda o que acontece e aprenda a gerenciar as emoções e pensamentos que surgem em torno da sua condição. Falamos de uma intervenção que também precisa estar encaminhada de forma que os cuidadores saibam o que fazer.

  • Marquer, A., Barbieri, G. & Pérennou, D. (2014). The assessment and treatment of postural disorders in cerebellar ataxia: a systematic review. Annals of physical and rehabilitation medicine, 57 (2), pp. 67-78.
  • Navarro, H. A., Hernández, J.A.B., Piudo, R.L., & Jiménez, F.J.J. (2007). Síndromes atáxicos. Ataxias heredodegenerativas y adquiridas. Medicine: Programa de Formación Médica Continuada, 9 (74), pp. 4764-4775.
  • Ruggieri, V. L & Arberas, C.L. (2000). Ataxias hereditarias. Revista de neurología, 32 (3), pp. 288-296.
  • Salman, M. S. (2017). Epidemiology of cerebellar diseases and therapeutc approaches. The Cerebellum, pp. 1-8.