Autenticidade: o espelho que não engana - A Mente é Maravilhosa

Autenticidade: o espelho que não engana

2, janeiro 2017 em Psicologia 1684 Compartilhados
Autenticidade: o espelho que não engana

Estamos acostumados a nos mover em um mundo de falsas aparências, de tentativas frustradas de ser quem não somos, e de perseguições, quase policiais, de um ideal que em muitas ocasiões não nos corresponde. É neste ponto que devemos nos perguntar o que é isso de autenticidade… ou ao menos tentar reverter a busca de um ideal inatingível pela nossa verdadeira essência!

Os adultos também brincam de ser quem não são

Desde pequenos nos ensinam a interpretar papéis, como se se tratasse de uma série que reúne a família na noite de quarta-feira em frente à televisão. Podemos ir a uma escola e observar isto frequentemente. Assim como nos esportes de equipe, como vôlei ou basquete, também são designadas posições na vida da criança, desde quando ela é bem pequena.

Maria será a primeira da turma (Não pode errar!), Guilherme será o divertido da turma (Não pode estar triste nenhum dia!) e Elisa será a “estranha” da turma que estará sempre sozinha (Porque ela quer estar ou porque inevitavelmente sempre isolam os “esquisitos” da turma?).

Na escola, assim como na vida adulta, interpretamos uma série de papéis impostos que são inalteráveis. Muitas vezes nos ajudam a sobreviver nesta selva em que vivemos. No entanto, em muitas outras, longe de nos ajudar a sobreviver, nos machucam tão profundamente que só quando formos adultos seremos capazes de perceber e identificar suas terríveis consequências, já que renunciamos a nossa autenticidade.

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Ir contra a autenticidade tem um preço muito alto!

Este preço envolve:

  • Ter problemas somáticos.
  • Ter a sensação de vazio interior.
  • Sentir-nos frustrados constantemente, independentemente do que fizermos.
  • Viver alheios às nossas necessidades mais profundas.

Mas… para viver de forma autêntica, deveríamos primeiro ser honestos com nós mesmos e poder reconhecer que estamos nos afastando diariamente do nosso verdadeiro EU. Uma vez que tomarmos consciência disso, podemos começar a colocar os nossos sentidos ao serviço da busca da nossa única e última essência primordial.

Na medida em que temos consciência das necessidades mais essenciais, podemos satisfazê-las de uma forma honesta e saudável. Se eu sei que preciso de afeto quando estou mal, mas sou “a durona” da família e “não posso permitir isso porque esta família depende de mim e da minha força”, talvez eu devesse começar a pensar no QUE é que eu realmente preciso: seguir um padrão imposto pela sociedade ou reconhecer os meus sentimentos e pedir ajuda.

Para sermos honestos, temos que ser valentes

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Aos poucos, nestes micro-atos de amor próprio e autenticidade para com nós mesmos, podemos nos devolver o poder tão imenso que estamos perdendo quando tentamos nos adaptar desesperadamente aos moldes que os outros nos impõem. Pense que perseguir um ideal, ou uma imagem que não é a própria, é um exercício tão árduo quanto inútil para a nossa felicidade.

É como tentar subir por uma inclinação íngreme. As pernas vão sofrer, vão precisar se recuperar de vez em quando. O cansaço mental vai ser brutal. E a sensação de fadiga e de falta de sentido será constante. Em vez disso, ser autêntico é um caminho igual ou ainda mais duro, porque às vezes não trair a si próprio significa ir no caminho contrário a aquele que a pressão social em que vivemos nos obriga a tomar.

No entanto, as recompensas durante o trajeto serão autênticas, e a motivação não vai ter que lutar com a dissonância entre o que você sente e o destino que imagina. Podemos respirar ar puro e não nos afogarmos com ele. Somos livres para parar porque queremos, e não porque o peso de estar nos traindo nos força a parar.

Por isso, ser autêntico, finalmente, é um caminho de sinceridade consigo mesmo. É um ato de valentia. É o maior ato de amor e respeito para consigo mesmo que podemos ter. As nossas relações sociais irão melhorar, já que você não vai mais representar papéis e posições que não lhe correspondem. Você vai começar a se respeitar e, assim, a respeitar a verdadeira essência dos demais. Você se atreveria a transitar pelo caminho da autenticidade? Você não tem nada a perder!